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'O Sol no coração'
As sociedades contemporâneas debatem-se, cada vez mais a uma escala global, na procura de fontes de energia que possam garantir a sobrevivência da raça humana, preferencialmente sem a contínua delapidação dos recursos naturais, uma vez que estes são, como sabemos, finitos.
A maior fonte de energia conhecida, e que desempenhou um papel fundamental no aparecimento da vida neste planeta, é o sol; também esta estrela, embora detentora de quantidades avassaladoras de energia, não é eterna, havendo já cálculos e projeções científicas que antecipam, em teoria, o seu desaparecimento.
A energia é portanto vital à nossa vida, para todas as ações e desempenhos do Homem e, na música, é um fator predominante, quer no campo meramente fisíco, quer no mental ou intelectual.
O motor dos organismos vivos é o coração, máquina fantástica e complexa alimentada pelo fluido da vida – o sangue – e que trabalha com uma entrega gratuita quase poética; este órgão é o responsável pela renovação de gerações, mas é também o diapasão da conceção de toda a música conhecida, pois o seu ritmo está na base das estruturas que a percussão utiliza.
Podemos mesmo comparar as batidas do ritmo cardíaco à sincopada articulação entre o bombo e a tarola, concretamente um som forte e grave, com outro agudo e mais estridente; esta é a essência do movimento despoletado pelo nosso corpo, totalmente contagiado por este ritmo, que o reconhece de imediato, uma vez que é seminal e mesmo visceral.
É importante, assim, que o músico disponha de suficiente energia, para acionar baquetas, pedais, teclas, cordas e metais de sopro, uma vez que a outra energia – a elétrica – aqui não pode ajudar; só o consegue fazer quando o artista está em palco, para pequenas ou grandes multidões, onde é absolutamente necessário amplificar todos os instrumentos e vozes.
Esta função é assegurada pelo PA, abreviatura do equipamento denominado Public Adress, normalmente projetado para todas as dimensões, necessitando sempre de quantidades brutais de energia elétrica.
A energia é também um fator presente na composição da música, consoante a inspiração e atitude que o músico empresta à sua criação; mesmo quando aquele não pode interpretar, por deficiência genética ou adquirida, com atividade física, pode sempre fazer o seu cérebro produzir aquilo que o seu corpo não permite.
Um dos grandes exemplos de vida é o de Robert Wyatt, excelente baterista e fundador de várias bandas, entre as quais Matching Mole e Soft Machine; na década de 70 caiu de uma janela, tendo ficado paraplégico.
Mesmo diminuído, continuou com uma brilhante carreira a solo, tendo composto inúmeras obras, todas aclamadas mundialmente.
Fernando Marques - Músico
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