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O outro lado do espelho

 

O silêncio vindo de uma plateia repleta de crianças manifesta o sucesso de qualquer peça de teatro infantil. Este é o momento do tudo ou nada que Céu Campos, fundadora do Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, espera a cada subir do pano.

Conseguir calar um público infantil é a prova de que as “crianças estão atentas, que reagem quando têm de reagir”, refere a criadora dos textos e também atriz do “Espelho Mágico”. Adora trabalhar para um grande público, para uma “grande mancha”, de onde vem uma “energia inexplicável”.

Casada e mãe de duas filhas também atrizes iniciadas no grupo de teatro amador, Céu Campos, 48 anos, tem dificuldade em distinguir os papéis que representa enquanto mulher na sociedade. “A Céu Campos privada, se calhar, também é a Céu Campos do teatro e da rádio. Não consigo separar uma coisa da outra.”

O teatro está na sua vida desde que chegou a Setúbal, vinda de Maputo, capital de Moçambique, como artista plástica, há 26 anos, tantos quantos a ligam à Cáritas Diocesana de Setúbal, onde é responsável pelo clube de animação de jovens e pela área de comunicação e imagem.

“Meto toda a minha capacidade de artista plástica no que faço”, refere, exemplificando com cenários, figurinos e até marionetas que deram originalidade à versão “A Feiticeira de Oz”, peça vencedora do Concurso Nacional de Teatro da Fundação Inatel 2010.

Antes do palco, Céu Campos descobriu o estúdio de rádio, onde, há 25 anos, tem no ar “Espelho Mágico”, o programa infantil mais antigo do País. Outro projeto atrás dos microfones é o Arestas de Vento, dinamizado com o marido, Ricardo Cardoso, que impulsionou o Festival de Cantigas, em Palmela. A introdução da componente teatral no concurso musical infanto-juvenil, em 1996, foi o início da criação do Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico.

“Cinderela” foi o primeiro de muitos musicais, como o “Feiticeiro de Oz”, “Pinóquio”, “O Beco dos Vira Latas”. Das 22 produções, a maioria são musicais.

“Acho que o trabalho para as crianças deve ter cantigas para passar a mensagem de uma maneira mais divertida, mais bem-disposta”, explica a autora de textos originais e adaptados de contos tradicionais. “Reinvento aquelas histórias”, conta.

 

 

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