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O bom sabor da guerra

 

O baptismo de Tomas Silva foi inspirado em “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera, e, se seguirmos à letra o título da obra, o jovem cozinheiro de 20 anos é um bom mandatário dos espíritos livres.

Os sete piercings na cara e o corte de cabelo “alternativo” só demonstram, no seu entender, que a competência não deve ser julgada pelas aparências. Claro que se vivem tempos de estudante, porque, se num trabalho “implicarem”, então “o rigor e o profissionalismo estão acima de tudo. Não vale a pena fazer do orgulho algo estúpido”, suspira.

“Tômas” (pronuncia correcta) é finalista do curso de Cozinha/Pastelaria da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal e o nome ao estilo de chefe de cozinha internacional como que anuncia o brilhantismo já reconhecido pelos professores.

O que o move é a incontornável satisfação que sente em “servir bem o próximo”, ao ponto de apenas retirar prazer em cozinhar para os outros. Nunca para ele.

A curiosidade tem uma função catalisadora. É uma espécie de malagueta, num rubro sedutor, a pedir para ser trincada, mas que não dispensa um copinho de água fresca para apaziguar o corpo. Os copos de água do Tomas são as vivências, o conhecer novas culturas, novos pontos geográficos, novas perspectivas.

Espanha, Itália e Inglaterra já foram alguns destinos de viagens, mas primeiro anda a “conhecer e aprender o máximo possível sobre Portugal, para depois partir para outras culturas”.

Na carreira vai tentar a sorte lá fora, mas apenas numa óptica de ganhar experiência, pois o bilhete de regresso está mais do que garantido.

“Gosto de explorar as potencialidades da Natureza. Portugal e, principalmente Setúbal, têm uma conjugação fabulosa entre a serra e o mar”, sublinha o “alfacinha” Tomas, que também tem “vindo a conhecer o bom da cidade” sadina. “Venero o choco frito!”

Como todos os alunos e chefes de cozinha tem um “set” de facas pessoal. “Sou eu quem as afia e trata delas. Somos inseparáveis”, confessa, num desabafo que faz deslizar a retina para os dedos lacerados por profundos cortes. “São ossos do ofício com que convivo bem. São como feridas de guerra, em que ‘guerra’ é um termo bom”, explica a sorrir.

 

 

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