Michel Giacometti

Michel Giacometti, Setúbal, Convento de Jesus, Abril de 1987 Exposição "O Trabalho Faz o Homem", Apresentação do futuro Museu do Trabalho
Michel Giacometti nasceu a 8 de Janeiro de 1929, em Ajaccio, na Córsega.
A sua formação académica foi marcada por alguns desaires resultantes da sua
participação numa greve de protesto contra a discriminação dos árabes na
vida pública de Argel, facto que o levou a ser expulso da Faculdade por
cinco anos.
Em 1954 interrompeu os seus estudos na Sorbonne, em Letras e Etnografia.
Durante este período viajou pelo norte da Europa, tendo participado em
cursos livres de etnografia na Noruega. Giacometti acabou por se formar na
área de Letras e Etnografia, pela Sorbonne.
Em 1956, Michel Giacometti organizou a “Mission Méditerranée 56”, uma
iniciativa recomendada pelo Musée dês Arts et Traditions Populaires, visando
a investigação das tradições populares de todas as ilhas mediterrâneas.
Três anos mais tarde, desloca-se a Portugal, iniciando o seu trabalho de
investigação dos usos e costumes do país e de recolha da cultura popular
portuguesa.
Percorreu mais de 600 freguesias portuguesas, “dormiu em pensões pobres",
choupanas de pastor e ao ar livre; hospedou-se na casa dum contrabandista,
comeu da mesma malga de aldeões pobres” e conquistou a amizade de todos
quantos conviviam com este estrangeiro que se demonstrava tão interessado em
conhecer os usos e costumes portugueses.
Alguns destes camponeses que
tiveram o “privilégio” de conhecer pessoalmente Michel Giacometti,
recordam-no com saudade e com uma amizade verdadeiramente profunda, dizem
que “tudo à volta de Giacometti envolve magia” e que ele “através de laços
de afecto, foi conhecendo e recolhendo algum do património nacional”.
Michel Giacometti nunca chegou a viver do trabalho de recolha musical que
realizou em território nacional, no entanto teve um papel importante na
divulgação deste património imaterial e material, através das transmissões
de rádio que efectuava para algumas estações europeias e, igualmente, pela
edição, para o Circulo de Leitores, do “Cancioneiro Popular Português”.
Por motivos financeiros, viu-se mesmo forçado a vender algum do seu espólio
pessoal, inicialmente, a colecção de arquivos sonoros e a colecção de
instrumentos musicais e, posteriormente, a sua biblioteca pessoal composta
por milhares de livros.
Giacometti viria a morrer a 24
de Janeiro do ano de 1990, sendo a seu pedido “ quando morrer, quero ser
enterrado no meio do povo português que tanto amei”, sepultado em Peroguarda,
uma localidade alentejana do concelho de Ferreira do Alentejo.