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Janela Fantasma
Durante os passeios que a inactividade lhe tinha proporcionado dar, observava os pormenores das paredes na cidade velha. Extraía delas pinturas feitas pelos acasos do desgaste e do remendo. Ocorria-lhe uma parede apenas revelar o pormenor no abandono da função estritamente necessária. Onde a sua cor não seria uniforme, onde a sua textura não seria ininterrupta ou repetitiva.
Escrutinava as paredes onde o tempo tinha depositado os seus hábitos de entropia. A riqueza pictórica era esmagadora na minúcia, mas sempre vinculada ao vanitas da perfeição. Carregava as cicatrizes da entropia como anúncio da fatalidade final. Pelo processo fora, brilhava nas cores da corrosão, às vezes contava histórias semelhantes às das nuvens.
Pouco a pouco saturou-se da riqueza. Queria descansar os olhos, os sentidos, num ponto de fuga que não o prenderia, nem significado teria... em algum horizonte sem ser deitado na cama do mar, num objecto sem ser da mão.
A matéria é espaço denso, condensa os seus laços vibrantes em novelos barulhentos de energia. Talvez se assemelhe a uma estrutura neuronal com nós e filamentos e uma urgência compulsiva.
Vagueava com o olhar pelas paredes despidas do tempo. Não se queria deter em pormenores interessantes.
Tropeçou na entropia da calçada.
Andreas Stöcklein - Artista plástico
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