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Valores emergentes

 

O advento da globalização veio trazer um novo mundo de possibilidades para todos os domínios da actividade humana e o da música, particularmente, é dos que mais evolução revelam, concretamente na última década do século vinte.

Na realidade, a Internet tem vindo a revelar-se um meio de comunicação nunca antes imaginável, com partilha de informação e dados, onde todos os artistas e músicos trocam experiências e podem deixar expressos os seus legados criativos.

Este intróito justifica-se na perspectiva de alguém que, vivendo a música há mais de quatro décadas, entende o potencial que foi sendo posto a descoberto, com efeitos surpreendentes, nos últimos dez anos.

Lembro-me de que nos idos anos setenta ansiávamos poder ver algumas das bandas ícones da altura, mas só podíamos suspirar. Só pudemos ver os Roxy Music e os King Crimson na década de oitenta, por exemplo, mas outra grande referência, também contemporânea – os Gentle Giant – só pudemos conhecê-los em formato de vinil, pois separaram-se pouco depois, sem termos tido a possibilidade de ver qualquer actuação, mesmo que gravada em filme.

Hoje, a Internet proporciona-nos todos esses registos, ainda que com pouca qualidade visual e sonora, mas com uma autenticidade tal que a sua riqueza nos enche de alegria e nostalgia, ao transportar-nos a esses ambientes e vivências históricas.

Creio que esta revolução virtual e cibernética é directamente responsável pela aparição de valores cada vez mais completos, repletos de um potencial não existente anteriormente. Tenho vindo a tomar conhecimento de vários jovens músicos na nossa região e concretamente na nossa cidade, os quais revelam já uma apreciável maturidade e qualidade, repercutida nos seus projectos, muitos dos quais disponíveis na net.

Uma das minhas recentes descobertas foi o projecto do Luís Pucarinho (www.myspace.com/pucarinho). Com origem em Évora, este jovem músico tem construído um projecto musical interessante, liderando uma banda constituída pelo André Penas na viola arco, o Daniel Meliço na percussão, o José Silva no trombone baixo, o José Peps na guitarra folk, com o Pucarinho na guitarra clássica e assegurando também a voz principal da banda. Aparece ainda creditado como músico convidado o Afonso Castanheira, no contrabaixo.

Este projecto ganha forma e consistência a partir de Março de 2009, tendo já um cariz internacional, através de parcerias e troca de experiências com músicos estrangeiros; a sua música é de uma particular beleza e simplicidade, assentando em influências urbanas mas também mais tradicionais, em que as sonoridades de Sérgio Godinho, Fausto, José Mário Branco e Zeca Afonso parecem ter inspirado o autor.

Podemos inferir na sua audição o carácter intimista e bucólico das suas composições, onde está patenteada uma capacidade de gestão dos silêncios e momentos de transição absolutamente surpreendentes, cujo resultado, por vezes, é algo inesperado. Não percam a oportunidade de o descobrir.

 

Fernando Marques - Músico

 

 

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