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“Sou uma mulher de paixões”
São 23 anos de vida em Setúbal e 22 no Barreiro, onde nasceu. Piedade Fernandes não se deixa dividir. É setubalense, “claro”. “Amo Setúbal. Amo, amo, amo as pessoas, a paisagem, a serra.” E é num local muito bonito e especial, na Serra da Arrábida, que Piedade Fernandes encontra esse estado de paixão. Um ponto específico em que Tróia se vai “aproximando” e quase se consegue tocar.
Setúbal conhece-a, principalmente, pela voz. Mas não é só de música que Piedade Fernandes talha o seu percurso profissional. A versatilidade e a jovialidade com que vive os dias fizeram-na uma mulher que agarra a vida com as duas mãos. Empresária, actriz de teatro e televisão ou madrinha nas Marchas Populares, a setubalense por convicção aliou a certeza de que tinha de lidar com gente às experiências que viveu nos tempos de estudante.
“Tive a sorte de estar numa turma pioneira de artes, no Barreiro, e ter uma relação bestial com os professores.” Em especial, com o professor Raul Fernando Carvalho, antigo presidente da segunda Comissão Instaladora da Escola Superior de Educação de Setúbal. Professora há mais de 20 anos, é ao lado desta carreira, a tempo inteiro, que vai conciliando tudo o resto. “Gosto muito do que faço, de todas as coisas. Sou uma mulher de paixões.”
No início da década de 90, a timidez em cantar para um público foi posta à prova quando foi convidada para a revista “À Coca” pelos actores do TAS Carlos César e Carlos Rodrigues. “Foi uma das experiências mais bonitas e tudo o que faço hoje bebi deles.”
Com trabalhos a solo ou em participações especiais, como no projecto Kheops, Piedade Fernandes consolidou uma carreira que leva a música portuguesa aos quatro cantos do mundo. Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Brasil e Alemanha são alguns países que já ouviram cantar a artista setubalense, que, em Junho de 2009, viajou até aos Estados Unidos. “Lá foi a Piedade daqui para Chicago, de Chicago para Los Angeles. Lá fui sozinha.” Um momento na sua carreira que, por sorte, se proporcionou e não esquece.
A poucos meses de ser avó, Piedade Fernandes diz sentir-se como há 20 anos. “Não me posso queixar, mas estou preparada para envelhecer porque é a lei da vida.”
É uma pessoa muito positiva e quando se sente mais em baixo pega no carro para desanuviar. “O meu carro conhece todas as minhas lágrimas.” E passa depressa. Assim como passam os dias a ensinar e a cantar.
Televisão…
SIC Notícias, RTP N e não tenho tempo para mais
Cinema…
Passei a fase de ir com o meu filho ver os filmes dele para agora partilharmos os gostos
Literatura…
Há sempre um livro que, ou pela capa ou pelo título, me apela. Aconteceu-me com o “Código Da Vinci” quando ia em digressão pelo Algarve. Só tenho realmente tempo para ler em viagem
Música…
Gosto muito da Ana Moura, dos The Gift, do David Fonseca, do Carlos do Carmo, por ser um contador de estórias e da boa dicção. A Mariza teve a sorte de estar no local certo à hora certa
Comida…
Gosto de tudo, excepto de favas. Tenho o colesterol altíssimo
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Os avanços e a rapidez da tecnologia
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O reverso da medalha. Os dinheiros estão mal distribuídos
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Maria da Piedade da Silva e Costa Fernandes nasceu a 9 de Março de 1964. Licenciada em Design Gráfico de Equipamento e Interiores, área em que fez duas pós-graduações, veio do Barreiro para Setúbal, em 1987, para ser professora de Educação Visual na EB 2,3 Sebastião da Gama. Depois passou para a Escola da Bela Vista, onde se deparou “com crianças revoltadas”. Seguiram-se as escolas preparatórias de Sesimbra e da Moita, as EB 2,3 Ana de Castro Osório e, há três anos, de Aranguês, onde ainda lecciona. Como designer vai dando o gosto aos dedos com trabalhos para amigos. Iniciou as andanças no palco com os actores Carlos César e “Manel Bola” com quem fez “muita coisa”. Em 2000, começou a trabalhar com Luís Aleluia. Actualmente estão na “estrada” com as peças itinerantes “Ó Zé bate o pé” e “Vira o fisco e toca o mesmo”. Apesar de ter trabalhado pouco tempo com Filipe La Féria, Piedade Fernandes considera que “foi uma escola”. Graças a um casting, participou numa produção cinematográfica francesa. As telenovelas, como “O olhar da serpente”, também fazem parte do currículo da artista, que tem uma filha com 25 anos e um filho com 19. |
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