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Mercado que cheira a arte
A história do Mercado do Livramento tem 134 anos para contar, com início em 1876, data de inauguração daquele que viria a tornar-se um dos mais emblemáticos espaços comerciais de Setúbal.
A caminho de beneficiar de profundas obras que vão modernizar aquele espaço de acordo com as exigências dos tempos modernos, a importância do Mercado do Livramento remonta ao século XIX, quando população e comerciantes exigiram a melhoria das condições de venda.
O comércio era feito em barracas espalhadas pelas ruas da então vila de Setúbal, em particular das praças da Ribeira Velha e do Sapal (hoje, Praça de Bocage), o que gerava protestos contra o cheiro nauseabundo a peixe, a falta de higiene e as áreas exíguas de venda.
A 31 de Julho de 1876, o presidente da Câmara Municipal, António Rodrigues Manito, cortava a fita do novíssimo Mercado do Livramento, assim baptizado por ter sido construído sobre a ribeira com o mesmo nome.
O antigo edifício, de 80 metros de comprimento e 52 de largura, que albergou 44 mesas, das quais 24 em pedra, sucumbiu perante o ritmo da Revolução Industrial, tendo o espaço sido demolido em 1927 por se encontrar obsoleto e incapaz de satisfazer as necessidades da população.
Nova fita foi cortada três anos depois, a 10 de Julho de 1930, no mesmo local onde o antigo Mercado do Livramento já havia criado afinidades junto da população.
Renasce, então, o mercado, agora em Arte Deco, muito em voga na época, com três hangares, com colunas em ferro fundido, orientados de Norte para Sul.
No espaço interior, as paredes estão revestidas com vários painéis de azulejos com cenários alusivos a paisagens e a actividades económicas típicas do concelho.
De 1929 datam as obras “Descarga das Redes”, “Transporte de Sal”, “Reparação das Redes”, “Recolha do Sal”, “Descarga da Sardinha”, “Salga do Peixe”, “Setúbal – Vista Geral” e “Colheita da Azeitona”.
Os painéis “A Vindima”, “O Antigo Mercado”, “Lavra e Sementeira” e “Rega do Pomar” foram colocados em 1930, enquanto as restantes imagens da cidade, do campo e do Sado são de 1940.
Este é o edifício que hoje se conhece.
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