20 de Fevereiro de 2018
15º
max. 20º
min. 6º
dossiers
iniciativas em destaque
O desportista sem fôlego

José Afonso, além de cantor, poeta, compositor, defensor de causas, pedagogo inovador e incompreendido, foi – pasmem os que o conheceram menos bem – futebolista federado, voleibolista e... judoca.

A paixão do Zeca, enquanto estudante de Coimbra, pela Académica, levou-o a acompanhá-la para todo o lado e, até, a usar os punhos em defesa dela.

Mesmo que, anos mais tarde, reconhecesse que, como futebolista, “não aguentava mais de 20 minutos”, o que é facto é que o foi. E federado, contrariando o conselho de um professor que lhe gritava constantemente: “Ó Cerqueira, não jogue.” Mas jogava. E na extrema direita! Apesar de “extremamente irregular”, sem “saber népia metia assim um golo”, disse ele a José Salvador, em entrevista publicada no livro “José Afonso – O Rosto da Utopia”.

Como treinadores teve ídolos de então, como Paics – “húngaro que, através da observação das olheiras, controlava as nossas ’fantasias” –, Micael e Alberto Gomes. Cândido de Oliveira – também ele, lutador pela liberdade, jornalista e treinador que imprimiu à Académica um fio de jogo característico, ainda hoje recordado – não. Zeca limitou-se a vê-lo, por “mais de uma vez, à porta do café

Montanha [em Coimbra], com os seus discípulos”, por alguns dos quais o jovem estudante “tinha grande admiração”. Casos de Lomba, José Maria Antunes, Faísca, Bentes, em quem a “Briosa” “praticamente se pendurava, porque ele metia a maior parte dos golos”. Pela perspicácia do húngaro, pelo conselho do professor ou porque os jogos têm mais de 20 minutos, Zeca pendurou as chuteiras, mas não lhe esmoreceu o gosto pela prática desportiva, como se comprova na brochura – edição da Movieplay Portuguesa, S.A. – que José Niza lhe dedica. Na página 13, há uma foto com a seguinte legenda: José Afonso com a equipa de voleibol dos professores do Colégio de Mangualde – 1957.

Treze anos depois, a paixão pelo desporto não abrandara. Quando muito, mudara de direção. O judo passara a ser a modalidade eleita e todos os momentos livres, independente do lugar em que estivesse, eram aproveitados para o exercitar. Disso dá conta Carlos Correia (Bóris), que colaborou com ele em dois discos: “Traz Outro Amigo Também” e “Cantigas do maio”. Do tempo passado em Londres, para a gravação do primeiro álbum, o viola recorda que, nas horas vagas, “nos corredores alcatifados do hotel, o Zeca colocava a sua energia em demonstrações de judo, modalidade que abraçara recentemente”.

Recordar José Afonso
ferramentas
outros dossiers
outros sites

anterior

anterior

Informação Municipal
Setúbal pode ficar mais perto de si por correio, telemóvel ou por e-mail.
imagem da semana

vídeo da semana
associativismo
APOIOS

AMRS
Setúbal é um Mundo
Câmara Municipal de Setúbal. ©
Todos os direitos reservados

website concebido por dodesign