11 de Dezembro de 2017
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O desportista sem fôlego

José Afonso, além de cantor, poeta, compositor, defensor de causas, pedagogo inovador e incompreendido, foi – pasmem os que o conheceram menos bem – futebolista federado, voleibolista e... judoca.

A paixão do Zeca, enquanto estudante de Coimbra, pela Académica, levou-o a acompanhá-la para todo o lado e, até, a usar os punhos em defesa dela.

Mesmo que, anos mais tarde, reconhecesse que, como futebolista, “não aguentava mais de 20 minutos”, o que é facto é que o foi. E federado, contrariando o conselho de um professor que lhe gritava constantemente: “Ó Cerqueira, não jogue.” Mas jogava. E na extrema direita! Apesar de “extremamente irregular”, sem “saber népia metia assim um golo”, disse ele a José Salvador, em entrevista publicada no livro “José Afonso – O Rosto da Utopia”.

Como treinadores teve ídolos de então, como Paics – “húngaro que, através da observação das olheiras, controlava as nossas ’fantasias” –, Micael e Alberto Gomes. Cândido de Oliveira – também ele, lutador pela liberdade, jornalista e treinador que imprimiu à Académica um fio de jogo característico, ainda hoje recordado – não. Zeca limitou-se a vê-lo, por “mais de uma vez, à porta do café

Montanha [em Coimbra], com os seus discípulos”, por alguns dos quais o jovem estudante “tinha grande admiração”. Casos de Lomba, José Maria Antunes, Faísca, Bentes, em quem a “Briosa” “praticamente se pendurava, porque ele metia a maior parte dos golos”. Pela perspicácia do húngaro, pelo conselho do professor ou porque os jogos têm mais de 20 minutos, Zeca pendurou as chuteiras, mas não lhe esmoreceu o gosto pela prática desportiva, como se comprova na brochura – edição da Movieplay Portuguesa, S.A. – que José Niza lhe dedica. Na página 13, há uma foto com a seguinte legenda: José Afonso com a equipa de voleibol dos professores do Colégio de Mangualde – 1957.

Treze anos depois, a paixão pelo desporto não abrandara. Quando muito, mudara de direção. O judo passara a ser a modalidade eleita e todos os momentos livres, independente do lugar em que estivesse, eram aproveitados para o exercitar. Disso dá conta Carlos Correia (Bóris), que colaborou com ele em dois discos: “Traz Outro Amigo Também” e “Cantigas do maio”. Do tempo passado em Londres, para a gravação do primeiro álbum, o viola recorda que, nas horas vagas, “nos corredores alcatifados do hotel, o Zeca colocava a sua energia em demonstrações de judo, modalidade que abraçara recentemente”.

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