24 de Outubro de 2017
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Símbolo de Abril

“Grândola, Vila Morena”, a canção-senha que iniciou a Revolução dos Cravos, ficará para a História como um hino de liberdade e com ela o nome de José Afonso, que a compôs e cantou.

A verdade é que, quando a fez, dez anos antes, o autor estava longe de imaginar que acabava de criar peça importante para a realização de um sonho: o derrube da ditadura em Portugal.

Tudo começou, em maio de 1964 – era professor no Algarve, onde fez amigos entre alguns dos que “vieram a constituir a guarda avançada” da LUAR, organização armada antissalazarista, e a polícia política lhe seguia os passos –, com um convite para cantar na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. Ficou tão impressionado com o que viu – um “local obscuro, quase sem estruturas nenhumas, com uma biblioteca de evidentes objetivos revolucionários” – que lhe dedicou uma canção.

A cantiga nasceu naquele dia, mas o ódio ao regime totalitário – que já vigorava em Portugal quando ele nasceu – vinha de trás. Começou a acentuar-se, estava, ainda, em Coimbra, “entre 59, mesmo 58, já na época de Humberto Delgado, e 62”. Aumentou mais, ainda, com a “permanência de três anos em Moçambique (1964/1967) como professor”, onde a realidade colonial o marcou profundamente, a ponto de lhe abalar a saúde.

De regresso a Portugal, foi colocado no Liceu de Setúbal. Por pouco tempo. Internado para uma cura de sono, ao ter alta soube que fora expulso do ensino oficial. Redobrou a atividade política. A agitar consciências, cantou em fábricas, coletividades e na Igreja do Rato, em cima de um altar. Distribuiu panfletos e o manual da guerrilha urbana. O Partido Comunista quis tê-lo como militante. Recusou, alegando a sua “origem de classe pequeno-burguesa”. Colaborou com a LUAR. A polícia política interrompia-lhe espetáculos e prendeu-o.

Após o 25 de Abril continuou a escolher barricadas. Na defesa de princípios de solidariedade em que acreditava, percorreu Portugal de Norte a Sul, apoiou Otelo e Lurdes Pintasilgo em eleições presidenciais, lutou pela libertação dos presos do PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) acusados de assaltos a bancos, fustigou arrivistas, desprezou poderes. Em 1975, durante um mês, cantou numa Angola em guerra. Na hora de opções, não hesitou: “(...)Sou inequivocamente pró-MPLA.

Recordar José Afonso
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