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arte 19 de Dezembro de 2014
Arte alinda bairros da Bela Vista

A segunda fase do Núcleo Museológico Urbano da Bela Vista, com esculturas e instalações artísticas integradas em espaços públicos dos diferentes bairros que constituem aquela zona, foi inaugurada no dia 18 pela presidente da Câmara Municipal.

“Quer pelo tipo de objetos escultóricos, quer pelo modo como foram integrados nos espaços públicos destes bairros, [o Núcleo Museológico] é algo de absolutamente inovador e, mais do que isso, de transformador pelo que simboliza na metamorfose da Bela Vista a que temos assistido”, sublinhou Maria das Dores Meira.

Esta foi a segunda de três fases a inaugurar do Núcleo Museológico Urbano, projeto financiado pela autarquia sadina e que conta com os apoios de várias empresas, uma vez que a maioria das obras de arte, da autoria de João Limpinho, foi criada a partir das ofertas de equipamentos industriais desativados.

A duas primeiras fases destinaram-se à colocação das esculturas e instalações artísticas, um total de 15 peças que já podem ser admiradas em diferentes ruas, avenidas e pátios que constituem os bairros da Bela Vista.

A terceira fase do projeto, que terá início em breve, destina-se à criação de um Centro de Interpretação do Núcleo Museológico, que, com a inauguração de dia 18, passou a integrar a rede de museus de Setúbal.

Para a derradeira etapa, a Autarquia, além de já ter garantido financiamento comunitário através do programa RUBE – Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente, conta com o envolvimento direto dos moradores e das instituições locais, responsáveis no futuro pela manutenção das peças, bem como pela dinamização de atividades económicas e culturais que assegurem a sustentabilidade do novo polo cultural.

A Câmara Municipal conta ainda conduzir várias intervenções para melhorar a experiência dos visitantes do Núcleo Museológico Urbano da Bela Vista, nomeadamente com a instalação de sistemas de iluminação em obras de arte e a requalificação de zonas envolventes às esculturas.

“Acreditamos plenamente que toda a cidade beneficia desta transformação que aqui estamos a operar em estreita colaboração com moradores e moradoras, que decidiram deitar mãos à obra e envolver-se nas decisões sobre o seu bairro”, frisou Maria das Dores Meira durante a inauguração da segunda fase, cerimónia em que também marcaram presença os vereadores Carlos Rabaçal e Pedro Pina, assim como o presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, Nuno Costa.

A inauguração, integrada no programa das comemorações locais do Dia Internacional das Migrações, incluiu um percurso a pé pelos bairros da Bela Vista onde foram instaladas as seis novas obras de arte referentes a esta segunda fase do Núcleo Museológico.

Todas as peças têm, por inerência, elementos paisagísticos, sociológicos, temáticos e simbólicos remissivos, na grande maioria dos casos, para os moradores e diferentes comunidades culturais residentes nos três bairros que constituem a Bela Vista.

Sobre uma das seis esculturas  inauguradas no dia 18, “Asas”, o artista João Limpinho explicou ter considerado uma solução interessante “o facto de colocar umas asas num espaço relativamente fechado como é o caso de um pátio. Remete para o sonho da Liberdade, querer voar mais além. Além disso, não deixa de estar também relacionado com a associação de paraquedistas aqui localizada”.

O escultor realizou uma visita guiada às novas obras de arte que integram a Bela Vista e que, além das “Asas”, incluem “Radar”, “Tampas de Caixas de Visita”, “5 Continentes”, “Despertar” e “Plano-Sequência”.

Ao lado do bloco de edifícios do Forte da Bela Vista, num local com paisagem privilegiada da Serra da Arrábida e da Baía de Setúbal, encontra-se “Despertar”.

“Certa vez, ao visitar as ruas no decorrer deste projeto, perguntei a uma senhora como ia a vida no ‘Bairro Azul’. A senhora criticou-me fortemente e corrigiu de imediato: ‘Desculpe mas é Bairro do Forte da Bela Vista’. Por isso esta peça [Despertar] é a única que tem referência ao nome do bairro. Senti que devia isso à senhora”, confessou João Limpinho.

A cerimónia terminou com música e animação, defronte da escultura “Plano-Sequência”, um autocarro cortado ao meio, com as metades, assim como a parte da frente e de trás, incrustadas numa parede de cimento.

As diferentes facetas multiculturais da Bela Vista estiveram presentes no espetáculo, protagonizado por moradores e que incluiu uma passagem de modelos de roupas africanas, uma demonstração de dança de kizomba e a atuação de um grupo de cante alentejano.

Em simultâneo, graffiters terminavam a decoração da obra “Plano-Sequência”, que integra, ainda, trabalhos manuais realizados por crianças residentes nos bairros locais.

“Vocês são daqui? ‘Não, somos ali do Amarelo [Bairro da Bela Vista]. Estamos aqui porque queríamos ver como ficaram os nossos trabalhos no autocarro’”, explicou à presidente da Câmara Municipal um grupo de meninas.

Este é um dos principais objetivos que o Núcleo Museológico Urbano da Bela Vista já está a cumprir e que vai ser potenciado logo que esteja em pleno funcionamento: fomentar o sentimento de pertença e de orgulho em todos os que vivem na Bela Vista e, por extensão, a toda a população do concelho de Setúbal.

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