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Associativismo 07 de Novembro de 2011
Associações debatem voluntariado

O futuro do associativismo e o trabalho voluntário prestado em instituições foram questões debatidas no 6.º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal, realizado no dia 5, no Auditório Municipal – Cinema Charlot.

“Voluntariado e Associativismo” foi o tema desta edição, quando se assinala o Ano Europeu do Voluntariado, que juntou, além de dirigentes associativos, autarcas, técnicos municipais, associativistas e pessoas que dedicam parte do seu tempo ao trabalho voluntário.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, ao abrir o encontro, falou da “infatigável dedicação” do movimento associativo do Concelho, que contabiliza 240 coletividades, nos “muitos relevantes serviços às populações”.

A autarca referiu que é importante que cada associação “se dê conta do vasto leque de apoios” que o Município disponibiliza, como isenção de taxas de cedência de utilização e de licença de ruído, materiais de promoção e logística de atividades e para a realização das próprias iniciativas.

Um apoio traduzido em 1 milhão e 380 mil euros atribuídos entre setembro de 2010 e agosto de 2011 às associações do concelho de Setúbal.

Augusto Flor, da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, congratulou-se pela “assiduidade do encontro”, referindo que esta iniciativa anual da Câmara Municipal é “um bom sinal de cooperação entre movimento associativo e autarquias”.

Dirigente associativo há 40 anos, Augusto Flor, que falou ainda na sessão de abertura, salientou as dificuldades que o movimento associativo tem sentido, cada vez mais devido à crise, como os aumentos do gás e da eletricidade e as leis do arrendamento e laborais.

Augusto Flor manifestou indignação com o facto de um dirigente associativo que perde o emprego na sua atividade profissional principal ter de pedir primeiro a demissão do cargo de direção de uma associação para requerer o subsídio de desemprego.

“Com crise ou sem crise tem de haver políticas e decisões para o movimento associativo”, salientou Augusto Flor, lamentando o facto de as mais de 30 mil coletividades do País não terem representação junto do Governo.

O dirigente associativo abordou ainda o papel preventivo das associações junto das populações, que representam a maior fatia de voluntários do País, ascendendo ao meio milhão.

“Estratégias Nacionais para a Promoção do Voluntariado” foi o tema do primeiro painel, moderado pela jornalista Helena de Sousa Freitas, que contou com as intervenções de Manuel José Simões de Almeida, do Banco Alimentar Contra a Fome, e de José Cordeiro, da direção da Cáritas Portuguesa.

A dirigir o Banco Alimentar de Setúbal desde outubro de 2003, Manuel José Simões de Almeida falou do trabalho que tem desenvolvido na instituição, que “vai buscar onde há excesso e entregar onde faz falta”.

Um trabalho, em colaboração com instituições de solidariedade social, que, em 2010, passou pela distribuição de 25 mil toneladas de alimentos, a 300 mil pessoas.

Outros dados, a nível nacional, sobre as 17 delegações do Banco Alimentar Contra a Fome foram divulgados, como os 500 voluntários assíduos e os 45 assalariados, números que, a nível europeu, ascendem a 7880 voluntários e 800 assalariados.

Além de alimentos, o Banco Alimentar recebe outras doações e novos voluntários. Para isso criou os bancos de equipamentos eletrodomésticos e informáticos, de mobílias e de roupas.

Em representação da Cáritas Portuguesa, José Cordeiro salientou que o voluntário se caracteriza por oferecer tempo, conhecimentos e competências, sem qualquer salário.

“Há mais voluntários do que trabalhadores remunerados”, indicou José Cordeiro referindo-se à Cáritas.

Antes do segundo painel, o professor Nelson Matias, da Escola Superior de Educação, apresentou o projeto de um estudo encomendado àquele estabelecimento de ensino do Instituto Politécnico de Setúbal sobre o movimento associativo.

Numa primeira fase, que decorre entre 15 de novembro e 30 de dezembro, é solicitado aos dirigentes associativos a resposta a um questionário com 40 perguntas, seguindo-se, na segunda fase, estudos de caso e histórias de vida.

As “Estratégias Locais”, tema do segundo painel, moderado pelo jornalista Paulo Sérgio, foram dadas a conhecer por técnicos municipais que desenvolvem projetos na área do voluntariado.

A Plataforma de Voluntariado de Setúbal, dinamizada pela Autarquia em articulação e cooperação com diversas entidades locais, atua em áreas como proteção civil, apoios comunitários e atividades de lazer.

Desde 2009, inscreveram-se 123 voluntários, dois terços mulheres, com uma média de idades de 41 anos, sendo o mais novo de 18 anos, idade mínima requerida, e o mais velho de 78.

Jovens entre os 15 e os 30 anos integram serviços camarários nas pausas letivas, sendo as áreas mais escolhidas cultura, juventude, desporto e ambiente.

A aproximação dos jovens ao trabalho da Autarquia e ao mundo laboral é um dos objetivos do projeto “Atitude Positiva, Desperta a tua Vocação”.

A campanha “Setúbal Mais Bonita”, promovida recentemente pela Câmara Municipal, foi também focada como um sucesso de trabalho voluntário.

“Ação Positiva” é uma corrente de boas práticas a ser lançada no início do próximo ano, mas a funcionar, internamente, entre os funcionários da Autarquia, através de uma bolsa de ideias ou de propostas apresentadas.

O último projeto foi o “Toma Lá Dá Cá”, iniciativa da SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social.

Patrícia Patrício, responsável pelo projeto, indicou que este foi pensado com base nos resultados obtidos numa outra iniciativa, o Laboratório de Cidadania, que apontaram para a necessidade de criação e fortalecimento de redes de vizinhança e de entreajuda.

O “Toma Lá Dá Cá”, que arrancou no início do ano, com a criação de grupos de voluntários, apela à participação cívica, através de voluntariado de dia a dia e de proximidade, de forma a melhorar a qualidade de vida de cada um.

A encerrar o encontro no Auditório Municipal Charlot, o vereador das Obras Municipais da Câmara Municipal, Carlos Rabaçal, que se considera um “associativista militante, de nascimento, de toda a forma”, destacou o “espírito positivo no meio da crise” dos dirigentes associativos perante as dificuldades que as associações enfrentam atualmente.

O autarca salientou a “necessidade de uma linha mais corporativa dentro do associativismo” e enalteceu a intervenção da juventude na vida associativa, bem como a entrada das mulheres, cujo contributo tem vindo a aumentar.

O programa do 6.º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal prosseguiu de tarde com uma visita pelas principais intervenções resultantes de candidaturas lideradas pela Autarquia no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.

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