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congresso 12 de Setembro de 2016
Bocage em encontro internacional

Investigadores e professores estão reunidos em Setúbal para debater a vida e obra de Bocage num congresso, de âmbito internacional, que contou, na manhã do dia 12, com as presenças do ministro da Cultura e da presidente da Câmara Municipal.

“Camões é a grande figura com quem Bocage se mede. Não só pela poesia, mas também pela vida”, enalteceu o ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, na sessão de abertura dos trabalhos que decorrem, até dia 14, no Fórum Municipal Luísa Todi.

O governante sublinhou a figura de Bocage como uma das mais proeminentes do panorama literário do país, e que na qual, com naturalidade, Setúbal vê “o símbolo maior da sua identidade”.

O Congresso Internacional “Bocage e as Luzes do Século XVIII” é organizado pela Câmara Municipal de Setúbal, em parceria com o Centro de Estudos Bocageanos e a LASA – Liga de Amigos de Setúbal e Azeitão, no âmbito das Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, programa que decorreu ao longo de um ano e agora termina.

“A partir do presente congresso pretendemos internacionalizar ainda mais amplamente, como merece, esta brilhante figura das Letras que, com novo vigor, desde 15 de setembro de 2015, mais uma vez celebramos”, salientou a presidente da autarquia, Maria das Dores Meira.

A autarca destacou que o congresso de dimensão internacional faz parte de uma estratégia da Câmara Municipal para que “a eternidade poética pertença, de facto, a Bocage, como ele convictamente antedisse”.

A pertinência de um encontro desta dimensão sobre um poeta já amplamente estudado e debatido foi também realçada por Maria das Dores Meira. “Diria que tudo se deve à inquestionável e duradoura vitalidade da produção literária de Bocage, a qual suscita e permite uma constante atualização de leituras e de análises verdadeiramente contributivas de uma construção da memória bocagiana que, sempre animados, nutrimos.”

O congresso internacional que hoje se inicia assinala o encerramento das Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage.

Daniel Pires, investigador da obra e vida do poeta setubalense, responsável pelo Centro de Estudos Bocageanos e membro da comissão organizativa das comemorações, realçou que o programa comemorativo, “adquiriu, em Setúbal, uma dimensão nunca vista”, com uma miríade de eventos que levaram o nome do poeta a toda a população do concelho.

O investigador destacou, ainda, que “as comemorações levaram as celebrações de Bocage também a todo o mundo”, exemplificando com as traduções de obras de Elmano Sadino que, ainda este ano, vão ser publicadas em castelhano e italiano, e, já em 2017, também em francês.

Durante o congresso, os trabalhos repartem-se por cinco grandes grupos temáticos, nomeadamente “Bocage e o seu tempo, as artes e a sociedade”, “A poesia de Bocage e estilos poéticos”, “Bocage tradutor/traduzido”, “Bocage e o mundo da língua portuguesa” e “O legado de Bocage”.

Na conclusão do período da manhã, Ana Chora e Daniel Pires apresentaram a obra “Bocage e o Sortilégio do Amor”, um conto ou narrativa autónoma, descoberta pelos investigadores como parte integrante de “Agulha em Palheiro”, da autoria de Camilo Castelo Branco.

Daniel Pires destacou que este conto “por muito esquecido” é, efetivamente, “uma obra muito importante porque contribui para a biografia de Bocage, figura tantas vezes associada à anedótica e à pornografia, coisas que certamente, pela sensibilidade e inteligência que tinha, nunca terá subscrito”.

A narrativa analisada “não foi escrita ou traduzida por Bocage”, simplesmente “tem Bocage como uma personagem”, esclareceu Daniel Pires, acrescentando que a história, verídica, remete para a amizade que o poeta nutriu por um sapateiro, ao qual, apaixonado por uma mulher, lhe escreveu vários poemas para que a pudesse seduzir.

Com o passar do tempo, o sapateiro começou a assumir os poemas de Bocage como seus, “personificando uma figura que não era e a qual, todos ao seu redor, incluindo membros da Nova Arcádia, o sabiam”, observou Ana Chora.

Os estudos desenvolvidos pelos dois investigadores abordam vários ângulos de análise, entre os quais a forma como a imagem de alguém, “na falta de máquinas fotográficas ou de outras tecnologias”, era alimentada no período bocagiano, que coincidiu com a alvorada do Iluminismo.

O Congresso Internacional “Bocage e as Luzes do Século XVIII”, a decorrer até quarta-feira, conta com as participações de alguns dos principais intelectuais e especialistas na vida e obra de Bocage da atualidade, entre os quais, além de Daniel Pires, se encontram Viriato Soromenho Marques, Cândido Oliveira Martins, Miguel Real, Ernesto Rodrigues, Carlos Fiolhais e Mário Vieira de Carvalho.

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