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saúde 16 de Janeiro de 2015
Bombeiros e estudantes em treino

Bombeiros sapadores e estudantes de enfermagem da Escola Superior de Saúde de Setúbal uniram forças, no dia 16, para um conjunto de exercícios que testou procedimentos e formas de atuação de socorro a sinistrados em vários teatros de operações.

O treino, com a simulação de vítimas e em diferentes contextos de socorro, foi dinamizado no quartel da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, numa ação impulsionada pelo “Critical ESS”, entidade formativa em emergência da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal.

Soa o alerta. Um choque entre duas viaturas, um veículo ligeiro e um motociclo, faz quatro vítimas. No carro, o condutor está encarcerado, enquanto o passageiro está gravemente ferido e queixa-se da cervical. No chão, os dois ocupantes da mota gritam por auxílio.

Para o local são destacadas quatro viaturas da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, uma para o cenário de acidente rodoviário simulado, as restantes para os outros dois teatros de operações montados, uma explosão no prédio com feridos e uma tentativa de suicídio, com um ferido encurralado num poço.

Os estudantes finalistas dos cursos de Enfermagem e de Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, da Escola Superior de Saúde de Setúbal, estão a postos para apoiar os sapadores na execução dos procedimentos de socorro.

“É preciso uma equipa para estabilizar estas vítimas. Rápido, rápido, rápido”, comanda o chefe de equipa dos sapadores. De imediato, os estudantes, organizados em grupos, executam a tarefa. Primeiro procedimento, falar com as vítimas e tentar perceber o grau de gravidade das lesões.

Ao lado, outro conjunto assegura tarefas idênticas com os ocupantes do veículo ligeiro. Enquanto os sapadores preparam, rapidamente, o material de desencarceramento, os estudantes trabalham as vítimas. Nesta fase, é importante assegurar a estabilização cervical, para evitar lesões mais graves.

Poucos minutos depois, ouvem-se as ferramentas hidráulicas de corte e perfuração a trucidar metal para desencarcerar uma das vítimas. É um procedimento lento, até porque é preciso garantir que estão reunidas todas as condições de segurança. Pouco a pouco, saem pedaços do carro, até o condutor ficar solto.

Enquanto isso, já os ocupantes do motociclo estão estabilizados e a ser conduzidos até ao hospital de campanha montado. Seguem-se as duas vítimas do automóvel, que inspiravam mais cuidados e cujo cenário de atuação é mais complexo. O espaço é confinado e existem muitos detritos.

Noutro local do quartel dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, outra pessoa está em perigo. Um jovem grita por auxílio dentro de um poço. Foi uma tentativa de suicídio falhada. Em ação, a equipa de resgate e salvamento urbano dos sapadores monta o equipamento para o socorro.

A descida até ao fundo do poço é feita em rappel por um dos estudantes. Assegurada a estabilização do sinistrado, já com oxigénio, ambos são puxados até à superfície. À chegada, o jovem fica inconsciente e é necessário iniciar os procedimentos de reanimação.

Enquanto o exercício no poço é executado por outra equipa, já outros estudantes e sapadores trabalham no terceiro cenário preparado, um resgate multivítimas num prédio após a ocorrência de uma explosão. Aqui, o apoio é dado pela nova viatura plataforma, com um alcance máximo de 45 metros em altura.

Há quatro feridos no interior do prédio, o edifício-escola utilizado para treino pelos sapadores. Os bombeiros são os primeiros a entrar com equipamento de proteção respiratória e combate a incêndio. Depois entram os enfermeiros-estudantes, após estarem garantidas as condições de segurança.

Há pedidos de ajuda em vários pisos. Três estão politraumatizados, um dos quais preso no poço do elevador com escombros sobre um membro inferior e outro apresenta intoxicação por monóxido de carbono. Feito o socorro, as vítimas são retiradas em rappel e através da escada da viatura plataforma, em altura.

“Este exercício permitiu que estes futuros enfermeiros pudessem aplicar, em contexto real, procedimentos de atuação em vários teatros de operações, em particular na estabilização de vítimas”, salientou o comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, Paulo Lamego.

O responsável destacou, igualmente, a troca de experiências entre os Sapadores e a comunidade escolar, sendo que para alguns dos estudantes “esta foi a primeira vez que estiveram envolvidos em exercícios de maior complexidade no terreno”.

Paulo Lamego frisou ainda a importância deste treino para os bombeiros sapadores, não só pela mais-valia da experiência acumulada, mas porque “permitiu aos operacionais testar as novas viaturas e equipamentos da companhia”, adquiridos recentemente no âmbito do “Resiliência Setúbal +”.

O exercício, com o envolvimento de cerca de uma centena de pessoas, entre sapadores e mais de seis dezenas de alunos, permitiu aos estudantes adquirir, em contexto real, competências essenciais à futura atuação enquanto profissionais de saúde em situações de catástrofe e emergência.

“Pretendemos melhorar a capacidade de intervenção no terreno dos alunos participantes e contribuir para o desenvolvimento, aprofundamento e atualização de competências específicas do enfermeiro”, explicou Nuno Oliveira, docente da Escola Superior de Saúde e membro do “Critical ESS”.

“A aplicação, com maiores dificuldades, do suporte básico e avançado de vida, a par dos procedimentos de trauma”, adiantou o docente, esteve na base da participação dos estudantes no exercício, “uma ação conjunta, com abordagens teóricas e práticas”.

A articulação estabelecida entre o “Critical ESS” e a Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal procurou, igualmente, proporcionar aos participantes uma experiência pedagógica profissional diferente e inovadora, com vista a reforçar a proximidade entre a comunidade escolar e os Sapadores.

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