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pesca 09 de Novembro de 2012
Carapau único promove região

O carapau manteiga, característico da costa entre Setúbal e Sines e muito procurado para fins gastronómicos, vai ser sujeito a um processo de qualificação, de maneira a garantir o reconhecimento da origem do produto e a qualidade do mesmo.

“Falar de carapau manteiga é falar de Setúbal”, frisou a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, no dia 8 à tarde, em conferência de imprensa realizada na Casa da Baía, durante a qual foi anunciada a intenção de qualificação, processo que representa “um passo importante para a divulgação de mais uma riqueza do Concelho”.

Um dos principais objetivos da candidatura, na qual está “muita gente a trabalhar”, é “reforçar o papel do turismo na região”, frisou a autarca no encontro com os jornalistas, em que participaram igualmente o presidente da Sesibal – Cooperativa de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines, Ricardo Santos, e o delegado da Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo (DRAPLVT), Manuel Meireles.

O carapau manteiga distingue-se das restantes variantes da espécie por apresentar uma camada de gordura, semelhante à manteiga, entre a pele e o lombo, tendo um sabor distinto e geralmente apreciado quando confecionado.

Embora o processo de qualificação vá agora determinar se esta é uma espécie exclusiva da costa setubalense, Ricardo Santos garante que o carapau manteiga só se encontra entre Setúbal e Sines em quantidades que permitam a captura e comercialização.

“Neste território há uma grande quantidade de formações rochosas submersas junto da costa. Isto favorece a produção de algas e plâncton e, consequentemente, gera condições especiais favoráveis à alimentação das espécies. É exatamente como em terra. Gado com melhor pasto desenvolve-se em melhores condições. No mar é igual”, ilustrou Ricardo Santos.

Manuel Meireles esclareceu que durante o processo se irá determinar o tipo de qualificação a ser atribuído ao carapau manteiga. “Pode ser uma IGP, Identificação Geográfica Protegida, ou uma DOP, Denominação de Origem Protegida.”

Uma DOP ou uma IGP são qualificações, de dimensão comunitária, que podem ser entendidas como “marca coletiva”, em que o direito de uso é público e exclusivo de uma região.

Estas denominações definem produtos exclusivos ou com características marcantes de uma determinada região e que estão sujeitos a critérios qualitativos de fabrico, estabelecidos e controlados por um organismo reconhecido para o efeito.

As qualificações podem ainda ser apenas Denominação de Origem ou Identificação Geográfica, caso se cinjam unicamente ao território português.

Além do processo de qualificação, de que resultará “um caderno de especificações, feito com o contributo de uma equipa de biólogos”, segundo indicou Manuel Meireles, vai realizar-se em Setúbal um conjunto de ações de promoção do carapau manteiga.

Um colóquio, já no dia 14, às 16h00, na Casa da Baía, desafia o público, nomeadamente produtores e elementos da comunidade científica, a debater o tema “Desenvolvimento Sustentável das Pescas e do Turismo da Região de Setúbal – Carapau Manteiga de Setúbal – IGP?”.

Também na Casa da Baía, a artista plástica Pólvora d’Cruz apresenta a exposição “Setúbal e o Mar”, patente entre os dias 14 e 26. A inauguração está marcada para as 15h00.

O Festival do Carapau Manteiga enriquece as ementas de 45 restaurantes do Concelho durante o fim de semana de 17 e 18 de novembro.

Menus especiais promovem diferentes pratos inspirados naquela espécie típica da Costa Azul.

Também com o objetivo de dar a conhecer o carapau manteiga, a Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal dinamiza uma mostra e degustação agendada para o dia 18, às 17h00, na Casa da Baía. Os interessados em participar nesta atividade devem inscrever-se até ao dia 15 na Casa da Baía, através do endereço gatur@mun-setubal.pt ou do telefone 265 545 010.

O carapau manteiga tem em média 15 a 18 centímetros de comprimento e é capturado através da arte de cerco, técnica que, esclareceu Ricardo Santos, é muito mais sustentável do que a pesca por arrasto, que não é seletiva e apanha todo o tipo de animais, sendo prejudicial para os ecossistemas.

O responsável da Sesibal alertou que, apesar da crescente procura, a frota associada àquela cooperativa está a capturar menos carapau manteiga nos últimos anos.

Enquanto noutros anos o peso total de pescado se cifrou em mais de 600 toneladas, a dois meses de terminar 2012 esse valor ronda a 428 toneladas.

Embora “a ideia não seja apanhar mais peixes desta espécie, mas trabalhar, de forma sustentada com ela [espécie carapau manteiga], Ricardo Santos salienta que parte do problema na diminuição do pescado capturado reside na falta de proteção da costa setubalense.

O dirigente da Sesibal sublinha, todavia, que “Setúbal ostenta as melhores espécies de peixe a nível nacional” e que o carapau manteiga “não é nada menos do que excelente”.

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