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museologia 17 de Abril de 2015
Crianças aprendem a fazer conservas

O Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, convida os mais novos a participarem na recriação de um dia de trabalho numa antiga fábrica de conservas, desde a chegada do peixe à até à saída do produto já enlatado.

A atividade, organizada pela Câmara Municipal, associada à exposição “Da Lota à Lata. Uma cadeira operatória da indústria conserveira”, de caráter permanente, recebeu no dia 16 duas dezenas de crianças da sala dos “Coelhinhos”, do jardim de infância “Nuvem”, do Centro Paroquial e Social de Nossa Senhora da Anunciada.

À chegada, as crianças, com um ar curioso, anseiam saber mais sobre um local que a maioria nunca antes visitara. Ouvem com toda a atenção a explicação de Lena Pinto, do museu, instalado numa antiga fábrica conserveira.

“Antigamente, Setúbal fazia conservas de peixe e o que vamos aprender hoje é o processo desde que o peixe chega à fábrica até ao momento em que fica dentro das latas”, refere, em conversa informal, para salientar a importância da visita.

“Querem aprender a fazer conservas ou não?”, pergunta a monitora Andreia. A resposta é um entusiasmado coro de “sins”.

O ponto de partida da visita, que inclui ainda a apresentação, através de manequins, das profissões tradicionais de Setúbal ligadas a esta indústria, começa com uma simulação da apanha de peixe. “Vamos no barrrco! Vamos pescarrr! Olha, olha! Forrrça! Puxem a rede! Tanta sarrrdinha!”, exclama a guia. “Estou a fazer força!”, responde o Rodrigo, 6 anos.

Depois de apanhadas as sardinhas, cabe ao Miguel, 6 anos, a função de descarregador de peixe. Na cabeça, usa um lenço branco e o artigo que denuncia a atividade, um chapéu metálico de forma circular, com aba larga e profunda, sobre o qual transporta as canastras de pescado. “A sardinha está vivinha!”, brincam as crianças.

O descarregamento é feito na fábrica. Portanto, é hora de vestir a profissão de operário. As raparigas colocam um avental e um lenço branco na cabeça. Os rapazes vestem uma bata verde.

“Piiii, piiii, piiii.” A sirene da fábrica anuncia a chegada de peixe fresco. As crianças levantam-se do chão e marcam presença na fábrica com a colocação de uma chapinha dentro de um suporte próprio para o efeito.

Primeira etapa. Descabeçar o peixe. Esta operação era executada manualmente pelas operárias após a entrada do pescado na fábrica e consiste na remoção da cabeça e vísceras.

“Tira a cabeça! Corta o rabo! Tira a tripa!”, explica Lena Pinto, enquanto os pequenos visitantes repetem o processo.

“Agora vamos colocar as sardinhas dentro do cesto e mandar para os pius, que têm água e sal”, indica a guia, mas alerta: “Meninos, com calma, se não vão ser despedidos, ai! Olhem que no local de trabalho não se fala!”

Depois de o peixe estar salgado e cozido passa-se para a terceira etapa de produção da indústria conserveira: engrelhar. As sardinhas usadas para a demonstração do processo – de plástico e de cor verde – são dispostas na vertical, de cabeça para baixo, numa estrutura de alumínio. O intuito é que "escorram a gordura e a água durante a cozedura", explica a técnica do museu.

Mais tarde, pergunta aos visitantes: “E isto, sabem o que é?”

“É uma porta de ferro”, responde o Luís. “Sim, é de ferro, mas isto é um forno”, esclarece.

O forno era utilizado para o processo da esterilização. “Era preciso destruir as bactérias, os bichos, dos alimentos através do aquecimento superior a 1000 graus.”

Noutra mesa de trabalho, descobre-se como se enlata as sardinhas. São quatro sardinhas por lata. “Duas em baixo, como se estivessem deitadas numa cama. Uma com a cabeça para um lado e outra com a cabeça para outro. Mais duas em cima, da mesma maneira”, ensina Lena Pinto.

Daqui, as conservas passam pela máquina de azeitar, para colocar azeite nas latas, e pelo aparador, para aproveitar o azeite que cai das latas antes de entrar na cravadeira, máquina de selar latas de conservas.

À saída do Museu do Trabalho Michel Giacometti, são recordados os ensinamentos de como era passar um dia de trabalho na fábrica. “Aprenderam todas a etapas até o peixe chegar a esta lata”, relembra Lena Pinto, enquanto mostra uma lata de conserva.

Além da mostra “Da Lota à Lata. Uma cadeia operatória da indústria conserveira”, o espaço museológico tem, igualmente com caráter permanente, as exposições “Mundo Rural – Coleção Etnográfica Michel Giacometti e a Génese do Museu” e “Mercearia da Liberdade – um património a salvaguardar”.

Os estabelecimentos de ensino do concelho ou outros interessados em agendar visitas guiadas, a cargo do Serviço Educativo do Museu do Trabalho Michel Giacometti, devem fazer marcação pelo telefone 265 537 880.

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