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Arrábida 16 de Novembro de 2011
Desassoreamento justifica estudos

A realização de estudos científicos aprofundados sobre as origens do desassoreamento da costa da Arrábida foi uma das necessidades mais ouvidas num colóquio realizado no dia 16 de manhã na Casa da Baía.

“Desassoreamento da Arrábida – Causas e soluções” foi o título do encontro, organizado pelo Clube da Arrábida e o Parque Natural da Arrábida, com o apoio da Câmara Municipal, com o objetivo de juntar técnicos de diferentes áreas científicas para promover o debate e a troca de impressões sobre o fenómeno que se regista com mais intensidade nos últimos anos.

“Não é fácil o equilíbrio entre o usufruto do património natural e a sua preservação”, constatou o vereador do Ambiente, Manuel Pisco, acrescentando que “o que está a acontecer no Portinho da Arrábida é bastante lamentável. Muitas vezes este tipo de situações surge pela mão do homem, outras, nem tanto. Neste caso pode ser pelos dois motivos. Mas é isso que se está a tentar perceber com este colóquio”.

As conclusões do encontro, que encheu por completo o auditório da Casa da Baía, traçam todavia um futuro incerto para a costa da serra candidata a património mundial, uma vez que as várias intervenções realizadas apontam uma miríade de possíveis causas do problema, sendo consensual a necessidade de estudos que suportem a origem do desassoreamento, para, depois, as entidades responsáveis poderem atuar em conformidade.

Emanuel Gonçalves, biólogo e professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, sublinhou o desaparecimento da pradaria marinha da costa da Arrábida, ecossistema que chegou a ter 25 hectares de área.

A proteção contra a erosão costeira e a diminuição da força das correntes são apenas alguns dos efeitos gerados pelas pradarias marinhas. Emanuel Gonçalves alertou, porém, que “é importante perceber que muitas das alterações na biodiversidade se devem a mudanças climáticas e não necessariamente à intervenção do homem”.

A extrema complexidade das correntes geradas no delta vazante do rio Sado, para lá da fronteira da Península de Troia, na entrada no oceano, “embora não seja fundamental, é certamente muito importante para se perceber o desenvolvimento da área”, salientou Pedro Brito, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

No delta, composto por areias, a circulação das correntes “é mais difusa a norte [zona do Portinho da Arrábida], não sendo circular como na restante área do delta”, constatou Pedro Brito.

O técnico do LNEG realçou, igualmente, que a capacidade da costa da Arrábida em receber sedimentos, fenómeno conhecido por “espaço de acomodação”, está “em claro decréscimo”, além de que o canal principal da foz do Sado “já foi claramente maior”, ou seja, mais profundo e com maior fluxo de água.

Já Ernesto Carneiro, da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APPS), salientou “o contributo significativo das areias oriundas do Estuário do Sado”, que fazem um percurso de montante para jusante.

Outro fenómeno realçado pelo engenheiro da APSS foi o aumento do areal na Praia da Figueirinha desde a construção do esporão, em 1971. “Nota-se a influência na distribuição da areia após esta intervenção artificial.”

Noutra locução, Paula Freire, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, descreveu alguns estudos e intervenções desenvolvidos pela instituição em situações análogas à da Arrábida no estrangeiro.

Várias foram as soluções avançadas durante o colóquio, quer nas intervenções dos oradores, quer pelo público.

A alimentação artificial com areia das praias e a construção de barreiras marítimas, para quebrar a força da ondulação, outra possível causa do problema, foram algumas das propostas apresentadas.

A efemeridade da eficácia destas intervenções, os elevados custos associados às propostas, os eventuais impactes ambientais e a conjuntura nacional na atualidade, em que a palavra “troika” surgiu por diversas vezes, foram dificuldades levantadas pelos participantes e que ficaram sem resposta imediata.

Sofia Castel-Branco, do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), que sublinhou a pertinência da iniciativa, “numa importante aproximação da sociedade civil”, salientou que os contributos ouvidos no colóquio “têm de ser partilhados de maneira a se congregar as muitas visões existentes”.

Pedro Vieira, presidente do Clube da Arrábida, preocupado com “a dramática perda de areia, não só no Portinho, mas em toda a costa da serra”, enalteceu o envolvimento e a preocupação demonstrados no colóquio pela Autarquia, pelo ICNB e pela APSS.

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