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25 de Novembro de 2016
Encontro debate consumo de pescado

Dicas para uma escolha responsável de peixe e marisco, com o objetivo de repor os níveis equilibrados nos ecossistemas e proteger os oceanos, foram apresentadas no dia 24 em Setúbal.

Será que temos atenção quando compramos pescado? Sabia que as etiquetas são importantes? Tal como o tamanho do peixe? Como é que cada um de nós, através da compra de produtos, tem garantias relativamente ao que come?

Estas e outras questões são respondidas no guia de consumo do pescado “Histórias por detrás do seu prato”, com recomendações da organização ambientalista WWF, através do projeto Fish Forward, para o consumo responsável de peixe e marisco, apresentado em cima da mesa redonda “Consumo Sustentável de Pescado em Portugal”, no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal.

O encontro, organizado pela escola juntamente com o Fish Forward, coordenado, em Portugal, por Ângela Morgado, contou com a participação de agentes do setor da pesca, entre outras individualidades, com o objetivo de proporcionar um espaço de debate em torno do consumo sustentável do pescado.

Uma das recomendações a ter em atenção, referiu Ângela Morgado, presente na sessão de abertura, é “ao tamanho mínimo legal dos peixes”. Variar a dieta de peixe e verificar os rótulos, optando por produtos com selos que confirmam a sustentabilidade da pesca e o respeito pelo meio ambiente, são outros dos alertas.

A responsável vincou que o guia “não quer mandar”, mas “apenas ajudar”, de forma “muito aberta” a um consumo responsável. A WWF, através desta publicação, alerta para a diferença que os consumidores portugueses e europeus podem fazer com uma escolha do peixe e marisco certos, ajudando a repor os níveis equilibrados nos ecossistemas e a proteger os oceanos.

O guia apresenta um sistema de cor numa lista de 15 das espécies marinhas mais consumidas em Portugal. Azul para “produtos certificados”, verde para “boa escolha”, amarelo para “pense duas vezes” e vermelho quando é “melhor evitar”.

Se o peixe não apresentar qualquer certificado, o consumidor deve tomar atenção a características como a dimensão e o local de origem.

Em termos globais, segundo dados da WWF, cada português consome uma média de vinte quilos de pescado por ano, valor que corresponde a quase o dobro de há meio século.

O encontro de dia 24 sobre “Consumo Sustentável de Pescado em Portugal” aborda temas que, a nível local, sublinhou a vereadora das Atividades Económicas da Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro, são “de extrema atualidade” numa “terra de peixe”. Desde os primórdios que as comunidades piscatórias tiveram salga de peixe e com ela “a cidade cresceu e impôs-se”.

Na sessão de abertura, a autarca vincou que Setúbal, “terra de tradições” e de peixe, continua a depender bastante da pesca. Desta forma, a apresentação do guia do Fish Forward, projeto ativo em 11 países da União Europeia, incluindo Portugal, é “útil”, pois os “recursos não são ilimitados”.

Além disso, o encontro foi importante para “perceber a dinâmica do concelho” e “adaptar o conceito do consumo sustentável”, integrando-o “nas atividades do dia a dia, exportação, venda” ou na área da aquacultura, salientou a vereadora das Atividades Económicas da Câmara Municipal de Setúbal.

A diretora da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, Maria João Carmo, sublinhou que esta iniciativa promove a “consciencialização dos profissionais do ramo da hotelaria” e o estreitamento da relação entre alunos e a WWF.

A moderadora da mesa redonda, constituída por 11 convidados ligadas ao setor da pesca e da gastronomia, Catarina Grilo, da iniciativa Gulbenkian Oceanos, partiu da questão da utilidade do guia em diversos setores, na perspetiva dos consumidores.

Vasco Alves, chef de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, referiu que o guia do Fish Forward/WWF “fornece excelentes informações na hora de decidir e comprar”, uma das “tarefas mais difíceis”.

O principal espaço de venda de peixe do concelho, considerado um dos mais famosos do mundo, o Mercado do Livramento, esteve representado pelo associação de comerciantes, Henrique João, constatou que o documento dá dicas de “receitas maravilhosas”.

Isto porque “Histórias por detrás do seu prato” inclui dez receitas de dez chefs europeus. Portugal está presente com um bacalhau confitado com tomate seco e alperces, da autoria de Vítor Sobral.

O guia internacional transmite, segundo a diretora comercial e de marketing da Docapesca, Ana Paula Queiroga, a mensagem ao consumidor final de uma forma eficaz. “No fundo, conta uma história. A história do peixe. Desde a produção até casa.”

Vegetariano, João Pereira, da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, não deixou de lançar um desafio à WWF: “O guia deve ser atualizado. Não sabemos se a cavala durará para sempre.”

Rita Sá, do projeto Fish Forward da WWF, adiantou na mesa redonda “Consumo Sustentável de Pescado em Portugal” que a versão online do guia, acessível em http://guiapescado.wwf.pt, contém uma lista mais alargada que será atualizada com novas espécies e informações sobre o seu estado.

Quanto a Gonçalo Carvalho, da PONG-Pesca, plataforma de organizações não- governamentais portuguesas sobre pesca, apontou a necessidade de Portugal investir na área da sustentabilidade.

Também a fotógrafa de moda, Paula Bollinger, autora do blogue Entre Colheradas, Narcisa Bindarra, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Laura Rodrigues, da Marine Stewardship Council, e Carlos Pratas, da Bilvalmar, destacaram a importância do guia na perspetiva das empresas.

O guia “Histórias por detrás do seu prato” pode ser descarregado numa versão em PDF disponível em www.wwf.pt e em www.fishforward.eu.

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