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exposição 01 de Dezembro de 2014
Exposição evoca génio de Finuras

Francisco Finura, homem multifacetado que se destacou em vida no desempenho de várias profissões e pelo espírito inventivo e empreendedor, é recordado numa exposição biográfica inaugurada a 29 de novembro no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

Entre familiares, amigos, conhecidos e simples admiradores de “Finuras”, como era conhecido o setubalense, várias dezenas de pessoas estiveram presentes na inauguração da mostra “Francisco Finura – Um homem muito grande que viveu num mundo muito pequeno”.

O filho, igualmente Francisco Finura, sublinhou na abertura todo o envolvimento e empenho da Câmara Municipal na organização da exposição, constituída por muitas fotografias, pinturas, objetos pessoais e um vídeo de e sobre “Finuras”, falecido em 2012.

A mostra, de entrada livre, patente até 1 de fevereiro, resultou de um trabalho desenvolvido em conjunto, ao longo de um ano, entre a família de Francisco Finura e técnicos municipais.

“Nem sei bem por onde comecei”, adiantou Francisco Finura filho sobre o processo de seleção das peças a exibir na mostra. “Inicialmente era para ser apenas com fotografias, mas depressa percebemos que tinha de ser com algo mais. Muito mais.”

A mostra, que inclui, entre muitas imagens, várias medalhas, diplomas e objetos de arte criados por “Finuras”, representa apenas uma pequena parte da vida do homem que um dia, numa emissão de 1969 do programa televisivo Zip Zip, se descreveu a Raul Solnado com “um operário especializado em trabalhos não especializados”.

Patrícia Finura descreve o pai “como um computador, sempre a pensar em tudo” e alguém “que transmitia uma magia constante só de estar por perto”.

O espírito inventivo que caracterizou Francisco Finura revelou-se em soluções tão simples com travões para bicicletas instalados de forma diferente ou enchimentos para motores de barcos, que, segundo o presidente da União das Freguesias de Setúbal, Rui Canas, presente na inauguração, “todos os pescadores queriam ter, caso contrário, sabiam que os motores se estragariam”.

Patrícia Finura recordou que o pai, antes de morrer, tinha a esperança de terminar um projeto antigo. “Um motor movido a água. Dizia que se o conseguisse terminar iria transformar o mundo.”

Levou cerca de quarenta anos a trabalhar no projeto, mas esta terá sido das poucas invenções que Francisco Finura não conseguiu concluir.

Durante a inauguração da mostra, em que também esteve presente o vereador da Cultura, Pedro Pina, e que incluiu atuações musicais de Piedade Fernandes e do grupo Kalafate, o filho revelou que a família pretende abrir a antiga oficina do pai “como uma espécie de casa-museu”.

O vasto espólio legado por “Finuras” justifica, segundo o filho, um espaço museológico para “deixar à vista e curiosidade de todos as invenções e arte do pai”, sendo que a casa-museu, a abrir na carismática oficina onde o setubalense captava a atenção de todos que por ali passavam, “deverá estar pronta em pouco mais de um ano”.

Os poetas Alexandrina Pereira e João Faleiro Paixão recordaram na inauguração da mostra poemas escritos em honra de Francisco Finura, tanto em vida, como a título póstumo.

“Finuras”, nascido em 1929, além de inventor, foi um desportista regular, tendo praticado mais de uma dezena de modalidades, principalmente relacionadas com atividades náuticas, mas que também incluíram, por exemplo, hóquei em patins e boxe.

Mergulhador e nadador-salvador credenciado, salvou várias pessoas de afogamento, sendo reconhecido com algumas medalhas pelos feitos.

A figura de Francisco Finura permanece na memória e no imaginário coletivo da população de Setúbal, alto, de cachimbo e com um lenço no bolso do peito, mesmo quando vestia fato de macaco.

Trabalhou, entre muitos outros ofícios, como vulcanizador, empresário do ramo das conservas, serralheiro, bate-chapas, ferreiro, mecânico, encarregado de vendas, polidor de metais, eletricista e fundidor, neste último destacando-se, inclusivamente, como artista plástico. Foi ainda ilusionista, hipnotista e telepata.

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