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festival 27 de Maio de 2016
Festival começa com nota alta

Artistas convidados, representantes de apoios e parcerias e a organização do Festival de Música de Setúbal 2016 reuniram-se ao final da tarde de dia 26, numa receção de boas-vindas ao certame que incluiu a estreia mundial de um novo instrumento musical.

“Espero que se apaixonem por este festival tanto como nós”, desejou António Laertes, presidente da A7M – Associação Festival de Música de Setúbal, aos convidados presentes na receção no Convento de Jesus, entre os quais Helen Hamlyn, fundadora da The Helen Hamlyn Trust, entidade britânica que está na génese do certame criado com caráter inclusivo, e Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

Passados seis anos desde a primeira edição, Helen Hamlyn salientou que o festival “está cada vez mais estimulante e é uma prova de que, com empenho, há projetos que só podem correr bem”.

Helen Hamlyn enalteceu o espírito inclusivo que representa a força motriz e a própria essência do Festival de Música de Setúbal. “Esta cidade só pode estar orgulhosa deste festival. Há que ter noção de que têm aqui um evento absolutamente único no mundo, absolutamente maravilhoso, e algo que mais ninguém se pode orgulhar de ter.”

O Festival de Música de Setúbal, a decorrer até dia 29, distingue-se pela particularidade de artistas consagrados partilharem o cartaz e os palcos com músicos provenientes da comunidade escolar do concelho, de instituições de apoio a imigrantes e de solidariedade social, assim como com pessoas com deficiências.

“Em seis anos já são milhares as crianças que estão a crescer, a amadurecer como seres humanos, com os valores inestimáveis transmitidos pelo dom da música, com este festival a funcionar, apenas, como um catalisador que junta pessoas muito diferentes em torno de coisas que podem ser muito boas”, afirmou a filantropa de origem britânica.

Na receção de boas-vindas de ontem foi ouvido pela primeira vez, em estreia pública absoluta, o instrumento “HiNote”, criado especificamente para pessoas com as características do músico Clarence Addo.

O antigo trompetista ficou paralisado do pescoço para baixo na sequência de um acidente rodoviário e o “HiNote” permite-lhe fazer música outra vez e, inclusivamente, atuar em concertos, como o que se vai registar já no dia 28, às 17h30, no Fórum Municipal Luísa Todi, onde atua ao lado do Ensemble Juvenil de Setúbal, sob direção do maestro Rui Borges Maia no espetáculo “Amor como Sal”.

O “HiNote” possibilita a Clarence Adoo assumir o controlo, com movimentos da cabeça e por via do sopro, de vários sons digitais e com um vasto espetro de frequências e intensidades.

“Este instrumento tem a capacidade de me fazer esquecer completamente de que o meu corpo está paralisado do pescoço para baixo. Parece ter o poder de me curar da paralisia”, partilhou o músico durante a demonstração realizada na receção, na qual tocou algumas notas de uma obra de um dos seus compositores preferidos, Bach. “Podem ter a certeza de que no concerto vai ser ainda melhor”, garantiu Clarence Adoo.

Ian Ritchie, diretor artístico do Festival de Música de Setúbal desde a primeira edição, em 2010, também conhecido por dirigir o Festival de Música de Londres durante vários anos, destacou que o certame setubalense tem crescido de forma coerente e consolidada com base nos princípios nos quais foi criado.

“Este ano estreia a Camerata do Festival de Setúbal, um ensemble de cordas constituído por jovens que receberam formação musical na cidade e que agora resolvem aqui voltar para atuar em conjunto com outros grandes músicos”, salientou Ian Ritchie.

O diretor artístico referia-se ao concerto “Salinas”, realizado na noite de dia 26, no Fórum Luísa Todi, em que a Camerata partilhou o palco com a Sinfonietta de Lisboa, o Conservatório Regional de Setúbal e os solistas António Figueiredo, Pedro Corte-Real e Irene Lima, sob direção de Vasco Pearce de Azevedo.

“O Festival já deu origem a um ensemble, agora a uma camerata, quem sabe para quando não estará a estreia de uma orquestra?”, brincou, em jeito de desafio, o diretor de nacionalidade britânica.

Além da receção de boas-vindas, o Convento de Jesus abriu as portas às primeiras iniciativas da edição de 2016 que o público teve oportunidade de visitar.

Rolf Gehlhaar é o autor da instalação sonora interativa “Sound=Space”, patente numa das salas do rés do chão que dão para os claustros do monumento nacional localizado no centro de Setúbal.

O movimento de pessoas e objetos no centro da sala aciona sons emitidos por colunas dispersas pelo perímetro do espaço, incitando à interação dos visitantes na descoberta de sonoridades que podem ser surpreendentes.

“Sound=Space” pode ser visitada todos os dias do festival, até dia 29, com horário de funcionamento entre as 11h00 e as 13h00 e as 15h00 e as 17h00.

Tal como a instalação de Rolf Gehlhaar, também é de entrada livre a demonstração “Escute, Olhe e Toque”, patente nos dias 26 e 29, entre das 16h00 às 17h30, igualmente numa sala do piso térreo do Convento de Jesus com acesso aos claustros.

Simão Costa, pianista e inventor de instrumentos musicais, apresentou no dia 26 duas das criações de que foi autor, nalguns casos com parcerias.

“Os instrumentos são uma espécie de orquestra em metamorfose”, explicou, depois de ter surpreendido os convidados presentes na receção com os sons, e ritmos, emitidos a partir de um antigo transístor alterado eletricamente, e dos antigos comandos de uma consola de jogos, alterados eletronicamente, para interagir, mediante o movimento, com colunas de som.

“É perfeitamente possível fazer música com estas peças”, assegurou Simão Costa, que adiantou que o ímpeto para começar a criar novos instrumentos partiu da constatação de que deveria ser possível a qualquer pessoa poder criar música, desde que para isso sinta vontade, em vez de esbarrar em dificuldades técnica associadas ao domínio dos instrumentos.

“Na música clássica, há, tradicionalmente, os que tocam e os que compõem. Noutros géneros não será tanto assim, mas, partindo deste pressuposto, deveria ser possível às pessoas poder lidar com a invenção da música. É isso que estes instrumentos permitem”, explicou.

O certame, organizado pela A7M, com financiamento da Câmara Municipal de Setúbal, do Helen Hamlyn Trust e da Fundação Calouste Gulbenkian, conta nesta edição com os apoios do British Council e da Antena 1 e da Antena 2.

O Festival de Música de Setúbal 2016 tem o “Sal” como tema principal, numa referência à importância histórica que este produto assumiu no desenvolvimento da região e do concelho, tratando-se de uma importante moeda de troca em períodos que remontam ao Império Romano.

O programa completo do certame pode ser consultado em www.festivalmusicadesetubal.com.pt.

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