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Festival 30 de Maio de 2011
Festival erudito envolve Setúbal

Sonoridades variadas, numa iniciativa pautada pela criação musical erudita de inspiração multicultural, estiveram em destaque no Festival de Música de Setúbal, evento que, entre os dias 27 e 29, espalhou ritmos em vários espaços públicos do Concelho. 

“O balanço é extremamente positivo. Tivemos uma grande adesão do público e os concertos de noite completamente esgotados”, sublinhou o diretor-geral do Festival de Música de Setúbal, Luís Liberato, destacando outras vertentes associadas à filosofia desta iniciativa, em concreto a criação musical.

“É gratificante ver e ouvir crianças a criar música e tivemos, inclusive, um concerto de crianças com necessidades especiais. Por outro lado, mostrámos também a perspetiva de Setúbal multicultural. Os objetivos foram cumpridos”, referiu o também diretor do Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Setúbal.

Na primeira noite do festival, o grupo La Batalla proporcionou um espetáculo intimista com poesia e música dos séculos XII a XIV protagonizada por trovadores e jograis nas cortes ibéricas, com as célebres cantigas de amigo e de amor.

Constituído por sete elementos, os La Batalla, liderados por Pedro Caldeira Cabral, que construiu alguns dos instrumentos, de cordas, sopro e percussão, fizeram uma recriação daquilo que seriam as sonoridades da criação musical na Idade Média, cantada em galego-português, de acordo com os dados recolhidos pelas práticas da transmissão oral mediterrânica.

O espetáculo “A Música na Corte d’El Rei D. Dinis”, realizado nos claustros do Convento de Jesus, sob um céu estrelado, transportou o público para o universo dos primórdios de Portugal enquanto país, com a elegância musical própria dos grupos de artistas que, por essa Europa fora, animavam a vida dos nobres.

Também no dia 27, realizou-se um desfile e um concerto de alunos e elementos de associações de imigrantes, na Baixa da cidade, evento que celebrou a natureza e a diversidade cultural.

O espetáculo culminou com uma atuação de conjunto de todos os elementos, abrindo oficialmente a primeira edição do Festival de Música de Setúbal, organizado pela Câmara Municipal Setúbal e pela Fundação Helen Hamlyn, com direção artística de Ian Ritchie.

Já no dia 28, numa Igreja de S. Julião completamente esgotada, um concerto com o Coro Gulbenkian revisitou sonoridades musicais interpretadas entre os séculos XVII e XIX em espaços religiosos.

Com direção do maestro Jorge Matta, a primeira parte do espetáculo foi dominada pelos vilancicos do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, apresentando peças em várias línguas, por influência das Descobertas e da evangelização portuguesa.

Os instrumentos – a flauta, a sacabuxa, a viola de gamba e o órgão – utilizados por elementos do Coro Gulbenkian sobressaíram na segunda parte do concerto, mais ritmado, com a música sacra brasileira em destaque.

No final, o maestro desafiou o público. Contagiados pelo refrão da última interpretação, os espetadores foram convidados a afinar as cordas vocais e a interagir com o Coro, entoando, em conjunto, a música. Mesmo sem a perfeição exigida, até porque a partitura era difícil de interpretar, a mobilização foi geral e a noite terminou em festa.

O dia 28 foi ainda marcado pela difusão de momentos musicais a cargo dos mais novos. Na parte da manhã, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebeu o espetáculo "Canções do Mundo", com temas tradicionais e contemporâneos, incluindo obras de Heitor Villa-Lobos, interpretados por diferentes grupos do Conservatório Regional de Setúbal.

Já a parte da tarde foi dedicada às "Canções de Setúbal”. O espetáculo, realizado no Auditório da Anunciada, contou com um conjunto de canções tradicionais recolhidas por Maria Adelaide Rosado Pinto e temas originais compostos pelos alunos, apresentados pelos coros de cinco escolas de ensino básico do Concelho, pelo Coral Infantil Luísa Todi, pelo Coral Infantil de Setúbal, pela Tuna de Aranguez e pela Tuna Académica da Luisinha.

No dia 29, além de atuações da banda da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense e do Grupo Coral Alentejano “Amigos do Independente”, à tarde, destaque ainda para o espetáculo “(Re)Descobertas”, ao início da noite, na Quinta das Torres, em Azeitão.

O concerto dirigido e interpretado pelo percussionista azeitonense Pedro Carneiro, acompanhado à voz pela soprano Patricia Rozario e à flauta por Natália Monteiro, percorreu as canções populares portuguesas e tradicionais goesas, bem como J.S. Bach (Alemanha), Takemitsu (Japão) e Gareth Farr (Nova Zelândia). Pedro Carneiro, internacionalmente famoso pelo domínio de instrumentos como a marimba e o vibrafone, terminou com uma performance a solo, em que interpretou, nos timbales, obras do grego Iannis Xenakis.

Sem recurso a amplificação sonora, os músicos ofereceram um espetáculo intimista numa viagem pelas influências musicais que Portugal recebeu e transmitiu ao longo dos séculos.

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