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solidariedade 23 de Setembro de 2013
Figuras públicas pintam mundo melhor

Cerca de duas mil pessoas, incluindo muitas figuras públicas de diferentes áreas, participaram no dia 21 na ação “Vamos Pintar um Mundo para Todos”, iniciativa marcada pelo convívio destinada à sensibilização da sociedade para a problemática do autismo.

Ao longo do dia, na placa central da Avenida Luisa Todi, foram pintados quadros a várias mãos, por crianças autistas, população em geral, titulares de cargos públicos e personalidades conhecidas das artes e do desporto.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, acompanhada de vereadores, compareceu de manhã, enaltecendo a iniciativa, organizada pela Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Setúbal, em parceria com a Associação de Artistas Plásticos de Setúbal, com o apoio da Autarquia, por “promover a coesão social”.

Uma delegação do Vitória Futebol Clube, com o presidente Fernando Oliveira, o treinador José Mota e os jogadores Ney Santos, Pedro Queirós, Paulo Tavares, Ruben Vezo e Nélson Pedroso, marcou igualmente presença de manhã, assim como velhas glórias do Sporting Clube de Portugal.

Isabel Angelino pintou um arco-íris que, referiu, reflete a esperança que deposita num mundo em que efetivamente se pode viver em comunhão, uma realidade que “não é para já, pois só pode acontecer depois de muito se promover a inserção social”. A apresentadora de televisão salientou a importância de nunca se desistir deste propósito.

Na mesma tónica, o ator José Pedro Gomes, que sublinhou a importância da iniciativa, pintou aquilo que chamou de “uma hipótese de um caminho aberto para esbater barreiras aos autistas”.

Após cantar em palco, a fadista Sofia Vitória complementou a pintura de um quadro com um par de olhos “carregados, a olhar para dentro”, explicou, numa alusão àquilo que, defende, todos devem fazer diariamente, o de conhecer-se melhor para aumentar o grau de consciência, “em vez de se estar a atentar nas diferenças entre as pessoas”.

Outro quadro, complementado pelas mãos dos irmãos Rosado, da dupla Anjos, revela asas de um anjo em vários tons de azul. Os músicos referiram conhecer a associação promotora do evento, enaltecendo-lhe o profissionalismo e o emprenho na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Para Nelson Rosado, todas as pessoas são necessárias para ajudar a transformar a sociedade. “Uma andorinha não faz a primavera, são todas.”

A atleta paraolímpica Simone Fragoso elogiou o “Vamos Pintar um Mundo para Todos”, realizado durante mais de oito horas, pois serviu para sensibilizar a sociedade e “abrir mentalidades”. Enquanto portadora de deficiência, destacou a importância de sair de casa e ter objetivos. “Se a vida é uma estrada da cobra, há que saber lidar com os pontos difíceis.”

Pais e familiares de autistas elogiaram o evento pelos momentos de animação musical e dança mas essencialmente pelo convívio proporcionado, apontando que uma das questões mais comuns de quem sofre desta perturbação se relaciona com a socialização.

Muitas outras personalidades compareceram, contribuindo para elaborar cerca de quarenta quadros e pintar 15 telas em papel, como o presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, os atores Nuno Janeiro, Cláudia Semedo e Luís Aleluia, a modelo e atriz Sofia Aparício e o estilista Filipe Blanquet. A venda das obras ajudará a apoiar a atividade da APDDA Setúbal.

Além de momentos de animação musical, ao longo de todo o dia, na Avenida Luísa Todi, os participantes desfrutaram de dança, de gastronomia numa tasquinha e de uma prova de vinhos regionais.

Para José Miguel Nogueira, da direção da APPDA Setúbal, a iniciativa ajudou a pôr o autismo “na agenda”, graças à participação das figuras públicas, que “deram uma grande ajuda para a consciencialização da sociedade”.

O “Vamos Pintar um Mundo para Todos” demonstrou que o lugar das pessoas com autismo é a rua, em pleno exercício de cidadania, referiu José Miguel Nogueira, e não escondidas em casa, ou ainda, tal como ainda acontece no País, frisou, à parte dos alunos do ensino regular, “uma prática que contraria convenções das Nações Unidas e de outros organismos internacionais ligados à defesa dos direitos humanos”.

Cristina Sobral, mãe de uma criança autista, referiu que, apesar de a sociedade começar a ver estas pessoas de outra forma, a situação ainda não está num ponto aceitável já que, salientou, quando entra num espaço público acompanhada do filho diz sentir uma imediata pressão social, patente nos comportamentos adotados.

Já para Filipa Chagas, mãe de outra criança autista, com o passar do tempo a sociedade tem-se tornado mais tolerante, apesar de ainda colocar grandes barreiras, tornando-se um desafio saber ultrapassá-las.

José Miguel Nogueira, embora destaque que há um longo caminho a percorrer na sociedade para a plena aceitação dos autistas, defende que, “quando se explica o que isto é, há uma abertura imediata e consequente aceitação”.

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