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feira 03 de Abril de 2017
Forte de S. Filipe reabre com enchente

Cerca de 11 mil pessoas passaram pela Feira Quinhentista de Setúbal, certame que decorreu entre 30 de março e 2 de abril e assinalou a reabertura ao público do Forte de S. Filipe, depois de encerrado durante dois anos.

Jograis, espadachins, saltimbancos, plebe e nobres voltaram a passear por entre as muralhas da fortaleza do século XVI, mandada erigir durante o reinado de D. Filipe I.

A Feira Quinhentista, organizada pela associação cultural Alius Vetus e a Câmara Municipal de Setúbal, recuperou vivências de outros tempos, propondo uma autêntica viagem no tempo às 11 mil pessoas que não perderam a oportunidade de visitar o certame ao longo dos quatro dias em que decorreu.

O espanhol Josep Díaz aproveitou uns dias de férias para vir de Sevilha visitar Setúbal juntamente com a família e, descobrindo por acaso a existência da feira medieval, resolveu investigar o evento.

“Como não pude tirar férias na Páscoa, antecipámos o fim de semana prolongado. Já queríamos visitar o forte desde o momento em que chegámos a Setúbal. A vista não pode ser menos do que encantadora. A sorte em saber que o castelo reabriu por estes dias, juntamente com esta feira medieval, pareceu-nos algo imperdível”, explicou, ainda na expectativa sobre o que iria ver, momentos antes de entrar na fortaleza.

Pela frente, o que esperava Josep e a família andaluz eram grupos de música antiga a tocar pelas ruas e várias tendas com artesanato e gastronomia que remetiam pelas cores, sons e cheiros para um cenário que poderia ser perfeitamente ajustado ao vivido no século XVI.

Cavalos e burros, entre tendas e figurantes, ajudaram a compor uma pequena simulação do que seria a vida no campo fora das muralhas do Forte S. Filipe durante a Alta Idade Média.

Pela rua de principal de acesso ao interior da fortificação realizaram-se várias demonstrações de cutelaria com soldados vestidos e armados com rigor histórico.

Entre as exibições bélicas, muitas outras animações tiveram lugar durante os quatro dias do certame, incluindo demonstrações com aves de rapina e espetáculo de pirofagia.

A Feira Quinhentista teve ainda o gosto especial de outros tempos, com tendas a propor, entre tantos outros cardápios de época, carnes e enchidos assados no momento e licores e doçaria de receitas conventuais.

Uma verdadeira tortura para os comensais, mas muito mais ligeira e apetecível do que para as vítimas dos artefactos e apetrechos sadicamente engenhosos que estiveram em exposição no túnel de acesso ao interior do Forte de S. Filipe.

Na mostra de artigos de tortura, em exposição, coincidência ou não, num recanto escuro do túnel, um elemento da organização mostrava estranho prazer em explicar aos visitantes a funcionalidade, e finalidade, de cada engenho. Sobre o desempenho dos apetrechos, pouca margem sobrava à imaginação do público depois de explicações tão pictóricas e detalhadas.

Recantos escuros à parte, a Feira Quinhentista marcou em grande a reabertura do Forte de S. Filipe, monumento nacional que esteve encerrado ao público devido à necessidade de obras de sustentação de uma encosta.

Depois de realizada uma primeira intervenção que garante a segurança de pessoas e edifício, a Câmara Municipal está agora temporariamente responsável pela gestão da esplanada e da cafetaria-bar que ali funciona.

Os espaços beneficiaram de obras de remodelação e permanecem agora abertos a todos os que queiram visitar a fortaleza, mesmo depois da realização da Feira Quinhentista.

Com uma vista impressionante sobre Setúbal, o rio Sado e a Península de Troia, o espaço, onde também funciona um posto de informação turística, está aberto todos os dias da semana.

O posto de informação turística funciona diariamente das 10h00 às 12h00 e das 13h00 às 18h00 e a cafetaria-bar, das 10h00 às 20h00, de domingo a quinta-feira, encerrando à meia-noite à sexta e ao sábado.

A esplanada, cafetaria e posto de informação turística funcionam na Pousada de Portugal instalada no Forte de S. Filipe, sendo gerida pelo Grupo Pestana.

Uma vez que ainda são necessárias obras mais profundas para a total consolidação da encosta do forte, o Grupo Pestana decidiu que não estavam reunidas as condições apropriadas para aquela unidade hoteleira, tendo acordado um contrato de concessão com a Câmara Municipal para a gestão, temporária, da área onde se encontra o bar, a esplanada e o posto de turismo.

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