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desenhos 06 de Maio de 2015
Ilustração põe Setúbal em festa

“É preciso fazer um desenho?” é o título desafiante da Festa da Ilustração, que, ao longo de junho, leva a vários equipamentos culturais de Setúbal trabalhos de artistas como Maria Keil, Lima de Freitas, André Carrilho e João Abel Manta.

O novo evento, organizado pela Câmara Municipal de Setúbal e pelo atelier DDLX, apresenta, ao longo de diferentes períodos do mês, exposições, encontros com ilustradores e outros eventos associados, como pequenos concertos.

As iniciativas decorrem em vários locais, tanto públicos como privados de todo o concelho, com especial incidência na Baixa da cidade, abrangendo galerias e museus municipais, galerias de arte, bares e lojas, algumas delas devolutas, mas também espaços como os largos da Misericórdia, da Fonte Nova e da Ribeira Velha.

“A ideia é pôr a cidade a viver a ilustração. Em junho, ao se falar de ilustração, vai falar-se necessariamente de Setúbal”, sublinhou Teófilo Duarte, do atelier DDLX, durante a apresentação do certame, realizada ao final da manhã de dia 6, na Casa da Cultura.

O vereador da Cultura da Câmara Municipal, Pedro Pina, salientou que a Festa da Ilustração, além de conferir “mais vida e visitantes à Baixa”, assume-se como uma “expressão de liberdade, em particular num ano em que os acontecimentos trágicos do Charlie Hebdo representaram um atentado à criatividade dos artistas”.

O autarca realçou também o esforço da organização em levar expressões artísticas que divergem dos conceitos de alguns equipamentos culturais autárquicos, como a Galeria Municipal do Banco de Portugal, onde habitualmente está patente uma coleção de obras quinhentistas. “Tentámos nalguns locais criar uma cisão com o habitual, levando novas ideias para também atrair novos públicos que, tradicionalmente, não se deslocam a determinados espaços.”

A estratégia, frisou, reforça os próprios princípios da ilustração, “algo que, por natureza, se quer inquietante. Por isso esta exposição é igualmente inquietante, desafiante, inclusivamente num tempo em que o pensamento, também ele, deve ser desafiado e estimulado”.

Essa irreverência da Festa da Ilustração, acrescentou Pedro Pina, está também presente na própria abertura oficial, prevista para a meia-noite do dia 31 de maio, começando as primeiras horas de 1 de junho e do certame com uma mostra de André Carrilho na Casa da Cultura, com a presença do artista.

Esta exposição apresenta, em estreia absoluta, uma coleção retrospetiva de André Carrilho, um dos mais conceituados ilustradores portugueses e mundiais da atualidade, elemento que contribui, na ótica de Teófilo Duarte, para que esta Festa da Ilustração esteja a partir “de um ano zero, para se perceber as potencialidade e os caminhos a seguir nas próximas edições”.

Trabalhos, alguns deles nunca antes expostos, de Lima de Freitas, e obras, também de difícil acesso, de Maria Keil, são outros dos pontos fortes que vão pontuar o certame, o qual inclui uma mostra de desenhos de Manuel João Vieira subordinados ao tema Bocage.

João Paulo Cotrim, curador do evento, realçou que, em detrimento de um tema transversal à Festa da Ilustração, a organização optou por focar temáticas específicas.

Facto que acaba por enquadrar, assim, segundo o curador, a presença de autores e trabalhos relacionados com Setúbal, casos de Lima de Freitas e das obras de Manuel João Vieira, e a inclusão de outros ilustradores conceituados, nomeadamente Maria Keil, André Carrilho e João Abel Manta, este, “através das referências ao 25 de Abril, capaz de tocar num outro tema que se queria presente, a Liberdade”.

Outra componente capaz de impulsionar e fortalecer a projeção do certame, que, segundo Teófilo Duarte, a seguir este caminho, “arrisca a tornar-se internacional já para o ano”, é a presença de jovens ilustradores e do envolvimento de escolas secundárias, profissionais e superiores, ligadas às belas-artes.

Além de dedicar uma parte considerável à divulgação do trabalho de novos ilustradores, caso de Beatriz Manteigas com uma exposição patente na Casa d’Avenida, a Festa da Ilustração conta com a participação de alunos e docentes de escolas de artes como o IADE, a Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e as faculdades de belas-artes de Lisboa e do Porto.

“Este ano zero vai ser bem gordo. Este é um projeto em que depositamos grande confiança porque reúne nomes enormes da ilustração, porque os conjuga com o trabalho de artistas emergentes ou com urgência em se afirmarem como artistas e porque envolve toda a cidade”, sublinhou Pedro Pina.

Para assinalar o início da Festa da Ilustração, a edição de 1 de junho do Diário de Notícias é totalmente ilustrada por artistas com presença no certame setubalense.

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