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jornadas 08 de Setembro de 2017
Jornadas revelam passado local

A importância de aliar a arqueologia urbana à história local para melhor perceber o passado foi destacada na manhã de dia 8, na sessão de abertura de um encontro a decorrer na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal.

As Jornadas de Arqueologia Urbana e História Local, que integram as comemorações do bicentenário do nascimento do setubalense João Carlos d’Almeida Carvalho, organizadas pela Câmara Municipal de Setúbal com parcerias, reúnem, nos dias 8 e 9, um conjunto de especialistas para partilhar e debater conhecimentos sobre estes dois temas para os quais Almeida Carvalho deu um contributo determinante.

“Este encontro é um testemunho que queremos deixar de que nunca é vã a dedicação de uma vida inteira ao estudo, à pesquisa e à partilha dos conhecimentos adquiridos, não raras vezes com muito esforço e sacrifício”, disse na sessão de abertura o vereador com o pelouro da Cultura, Pedro Pina.

O autarca saudou a homenagem que tem sido feita, desde março, com um conjunto diverso de iniciativas, “a um ilustre conterrâneo a quem a presente narrativa da história local tanto deve”, conseguida graças a uma parceria entre a Câmara Municipal o MAEDS - Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, Associação de Municípios da Região de Setúbal, Câmara Municipal de Setúbal, Arquivo Distrital de Setúbal, Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão e Universidade Sénior de Setúbal.

O encontro de dia 8 é mais uma iniciativa de “celebração da memória de Almeida Carvalho que foi pioneiro nos domínios da arqueologia urbana e da história local”, além de permitir fazer uma “viagem pela história de Setúbal”, sublinhou a diretora do MAEDS, Joaquina Soares.

Em 1985, o MAEDS realizava em Setúbal o primeiro encontro nacional de Arqueologia Urbana e, volvidos 32 anos, este tema é trazido novamente para debate desta vez “em estreita aliança com a história local”.

Joaquina Soares considera que se trata de uma relação importante, pois, recorda, quando o MAEDS foi fundado em 1964, “Setúbal era uma cidade cujo passado começava apenas com a monarquia portuguesa”.

O museu iniciou nesse momento a investigação sobre as pré-existências de Setúbal e, na década de 70, recuperou o passado romano guardado no subsolo da cidade.

A responsável aponta como exemplo desse trabalho as escavações na Praça de Bocage que “foram a maior exposição a céu aberto alguma vez realizada sobre a história urbana da época romana à idade contemporânea”.

O encontro, a decorrer no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, está focado na união entre a arqueologia urbana e a história local, na esteira do pensamento do homenageado, que procedeu a intensa recolha, classificação e estudo de vasto acervo historiográfico e fundou a Sociedade Archeologica Lusitana, em 1849.

O evento reúne investigadores e especialistas, nomeadamente Joaquina Soares, Carlos Tavares da Silva, Albérico Afonso Costa, Carlos Mouro, Maria João Cândido, Ernesto Castro Leal, Maria João Pereira Coutinho, Isabel Macedo, Alberto Pereira, Horácio Pena, Fernando António Batista Pereira e Fátima de Medeiros.

Passados duzentos anos sobre o nascimento, a vida e obra de Almeida Carvalho continuam a ser referências fundamentais para a cidade e a região de Setúbal, pelo que a primeira manhã das jornadas foi dedicada à apresentação de comunicações sobre os contributos que deixou sobre estes temas, tendo em conta a visão vanguardista que o levou a estudar o passado, recorrendo quer à arqueologia, quer à historiografia.

À tarde, entre outros temas, Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares apresentam um esboço paleogeográfico da Baixa de Setúbal, Pedro Miguel Lage Fernandes fala sobre as antigas quintas do concelho, Isabel Macedo partilha uma comunicação sobre a casa da Comenda de Raul Lino e Fernando António Batista Pereira recorda os registos que Almeida Carvalho deixou sobre o Convento de Jesus.

Destaque ainda neste primeiro dia de jornadas para a cerimónia de descerramento de uma placa comemorativa do bicentenário do nascimento de Almeida Carvalho, previsto para as 16h20, na casa onde o homenageado nasceu, viveu e morreu, na Avenida Luísa Todi, em frente do antigo Quartel do 11, atual Escola de Hotelaria e Turismo e Setúbal, onde decorrem as jornadas.

O encontro prossegue no dia 9 com outros contributos sobre a arqueologia e história local, como uma comunicação, às 09h50, sobre o feriado municipal e a memória coletiva setubalense, por Carlos Mouro.

De seguida, Maria João Cândido, arqueóloga da Câmara Municipal de Setúbal, fala sobre o Convento de Jesus e a sua cerca, e, às 10h30, o contexto da Avenida Luísa Todi aquando do sismo de 1755 está em análise numa comunicação de Joaquina Soares, Carlos Tavares da Silva e Susana Duarte.

Os resultados de uma intervenção arqueológica na Rua Arronches Junqueiro, uma análise sobre as indústrias de conservas de peixe em Setúbal durante a Grande Guerra e a crise industrial local são outros temas em destaque.

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