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cultura 04 de Março de 2016
Memórias revelam Oceana Zarco

O exemplo da antiga ciclista Oceana Zarco na afirmação do papel das mulheres e da igualdade de género foi destacado num encontro realizado no dia 3 à tarde, no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

“É muito importante contar com eventos como este em Setúbal para demonstrar o papel feminino da atleta no desporto local e para partilhar a história de uma personalidade que devia fazer parte da memória coletiva”, sublinhou o vereador da Cultura, Desporto e Inclusão Social da Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina, na sessão “Conversas sobre Oceana Zarco, uma ciclista de Setúbal dos anos 20”, na qual participaram cerca de três dezenas de pessoas.

O autarca realçou que a sessão, organizada pela Câmara Municipal no âmbito de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016, conjuga uma componente que a Autarquia quer partilhar nesse programa. “Além disso, traz à memória uma parte da história da cidade que nos enaltece e envaidece.”

O vereador destacou, igualmente, o facto de Oceana Zarco ser uma referência importante no presente. “A forma como lutou contra tudo e contra todos comprova a sua força, numa altura em que a expressão desportiva estava praticamente interdita às mulheres.”

Regina Marques, autora de um livro sobre a homenageada, salientou que “a bicicleta era um símbolo de emancipação porque proporcionou liberdade de movimento e de deslocamento”.

Esta emancipação, acrescentou, proporcionou ainda uma “reforma do vestuário feminino”, numa altura em que grande parte dos papéis sociais estava vedada às mulheres. “Os médicos diziam que pedalar faria mal, podendo até causar esterilidade feminina.”

Regina Marques referiu alguns apontamentos sobre o curto mas relevante percurso de Oceana Zarco no ciclismo, entre os 15 e os 18 anos de idade, em que se incluem vitórias na III Volta a Lisboa, na I Volta ao Porto e na I Volta a Setúbal, deixando para trás adversários masculinos. A atleta abandonou a competição prematuramente na sequência de uma intervenção cirúrgica.

“Depois de ultrapassada a etapa de ciclista, Oceana dedicou-se à enfermagem, profissão que exerceu durante trinta anos. Só se casou depois dos 50 anos, porque o Estado Novo não permitia que as enfermeiras casassem”, explicou Regina Marques.

A iniciativa incluiu a apresentação de um vídeo de dez minutos sobre o trajeto da homenageada, acompanhado de imagens e recortes da imprensa da época. O jornal “O Setubalense” reproduziu uma das frases emblemáticas de Oceana Zarco: “A bicicleta para mim era tudo.”

Durante o encontro, foram partilhadas páginas de jornais com referências à ciclista setubalense e a cédula desportiva do Vitória Futebol Clube, no qual entrou com apenas 10 anos, e a medalha de ouro da I Volta ao Porto.

“A Oceana treinou com homens, ouviu muitos piropos, ganhou quase todos os prémios e foi a primeira mulher que vestiu calções e camisola como os ciclistas”, partilhou Rui Salas, do clube sadino.

Na sessão “Conversas sobre Oceana Zarco, uma ciclista de Setúbal dos anos 20” participaram ainda José Madureira Lopes, investigador e escritor, e Fernando Tomé, antigo futebolista do clube e embaixador de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016.

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