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encontro 30 de Novembro de 2015
Moradores decidem novas ações

Novas ações a dinamizar no território da Bela Vista, em Setúbal, foram apresentadas no dia 29 no 3.º Encontro Nosso Bairro, Nossa Cidade, com cerca de duas centenas de moradores a participar ativamente com propostas para os próximos dois anos.

Ideias para a construção de um bairro melhor e para a melhoria da qualidade de vida da comunidade fervilharam no encontro, realizado ao longo de toda a tarde na EB+S Ordem de Sant’Iago, com o envolvimento de autarcas, técnicos municipais e moradores em representação dos cinco bairros do território da Bela Vista.

As propostas foram apresentadas por moradores, com uma multiplicidade de culturas e etnias, no auditório escolar completamente lotado. Juntos, em plenário, decidiram o que querem para os bairros da Bela Vista, Forte da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Manteigadas e Quinta de Santo António.

São já poucos os que não se conhecem, até porque o programa municipal Nosso Bairro, Nossa Cidade está em desenvolvimento há três anos. O território da Bela Vista é extenso, mas as relações de vizinhança, de entreajuda e partilha coletiva já atravessaram as fronteiras de cada um dos bairros.

Antes do início dos trabalhos, houve tempo para apreciar uma mostra documental e fotográfica com algumas das ações já concretizadas no âmbito do programa municipal, assim como peças do atelier de tricot e crochet e ainda mobiliário recuperado no âmbito do projeto Garrrbage.

“É com renovada satisfação que partilhamos convosco, novamente, este espaço, nesta que é mais uma importante etapa de transformação desta terra e das vossas próprias vidas”, realçou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, no início do encontro.

O Nosso Bairro, Nossa Cidade decorre desde 2012. Desde então, vincou a autarca, o programa tem “transformado a face da Bela Vista com inúmeras ações que se sentem nos bairros” e “conseguido manter as melhorias que foram feitas e essa é, sem dúvida, uma grande transformação que todos fizeram”.

A reabilitação do parque edificado, com pinturas exteriores e interiores, com a recuperação de escadas e de áreas comuns, além da renovação de pátios, são algumas das ações mais visíveis do programa que incide num território onde vivem, aproximadamente, 6 mil pessoas.

Mais que intervenções no parque habitacional, o “Nosso Bairro” é feito pelos moradores e para os moradores, com um vasto conjunto de atividade culturais, de convívio popular e de ocupação de tempos livres a ser dinamizado regularmente nos cinco bairros do território da Bela Vista.

“É nas vossas mãos que está o futuro”, frisou Maria das Dores Meira na sessão, que serviu, igualmente, para debater e avaliar o resultado das 81 iniciativas resultantes do segundo encontro anual, realizado em 2014, que impulsionaram a organização de 48 grupos de trabalho, os quais contaram com o envolvimento de 899 moradores.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal afirmou, ainda, que o Nosso Bairro, Nossa Cidade é um exemplo para outras áreas da cidade. “Outros moradores queram ver o programa da Bela Vista replicado nos seus bairros, com as devidas diferenças. Isto é motivo de orgulho.”

O encontro de ontem, indicou, constituiu “um grande contributo para uma cidade gerida com liderança democrática, espelhada no papel dos interlocutores eleitos e com resultados diretos da capacidade de decisão dos moradores”.

A autarca partilhou ainda com as cerca de duas centenas de moradores que marcaram presença que o Nosso Bairro, Nossa Cidade é objeto de estudo de várias entidades académicas, sendo a mais recente a Universidade Católica, através de um curso de doutoramento.

Muitas das caras que fizeram e continuam a fazer o “Nosso Bairro”, dos mais novos aos mais velhos, foram revistas no grande ecrã, num filme promocional que apontou o início, o caminho e o futuro do programa e serviu de motivação extra para o fervilhar de novas ideias em prol da comunidade.

“É uma forma simples e bonita de recordar um pouco daquilo que foi feito ao longo dos anos”, com ênfase na agenda de trabalhos de 2015, com “cerca de 90 por cento das 81 propostas apresentadas a serem concretizadas ou em fase de resolução”, salientou o vereador Carlos Rabaçal.

Após uma sessão de abertura, os participantes reuniram-se em grupos de trabalho para debater e avaliar o resultado das iniciativas saídas do segundo encontro anual e para perspetivar novas medidas e novos planos de ação concretos para o desenvolvimento de projetos em prol da população.

Foram cerca de duas horas de reunião, nas quais todos procuraram contribuir com ideias, opiniões e soluções. Este ano, tal como na edição passada, os moradores estiveram organizados em grupos de trabalho por cada um dos cinco bairros, com destaque para a criação de uma secção dedicada aos jovens.

No final, um dos momentos mais esperados de todo o dia, com os moradores a apresentar o resultado do processo democrático, com conclusões e um conjunto de novas propostas, realistas e com base nas necessidades mais urgentes, para pôr em prática nos próximos dois anos.

O presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Nuno Costa, ao elogiar “a moldura humana” presente no auditório da EB+S Ordem de Sant’Iago, que “representa o trabalho diário que é feito no território da Bela Vista”, afirmou que esta é “a verdadeira transformação social”.

No encontro, no qual participaram ainda os vereadores Pedro Pina e Carla Guerreiro, assim como diversos técnicos municipais, Nuno Costa destacou que o trabalho realizado no âmbito do programa materializa “a construção e o aprofundamento da própria democracia, com decisões pelos próprios moradores”.

A Alameda das Palmeiras foi o primeiro bairro a avançar, com a moradora Adelaide Nicásio a relatar o resultado da reunião. Entre as propostas, destaque para a intenção de criar uma equipa comunitária para intervenções nas áreas da salubridade e obras no interior das habitações.

A inauguração do espaço “A Nossa Casinha” com um mural de graffiti, a remoção de raízes de árvores e a colocação de uma paragem de autocarro na Avenida Belo Horizonte, assim como a constituição de um banco de bens para cedência a moradores do bairro são outras propostas para implementar.

Em relação ao Bairro da Bela Vista as propostas apresentadas “baseiam-se na qualidade e não na quantidade”, realçou o morador Luís Teixeira, ao indicar a possibilidade de criação de um banco de tempo, para troca de serviços e tarefas nas mais variadas áreas, uma das prioridades.

O morador, ao partilhar um “balanço muito positivo do programa no ano passado, com muito pouca coisa por concretizar”, destacou a recente distinção nacional feita ao projeto Garrrbage, iniciado no ano passado, num reconhecimento pela revista Visão e pela Associação Mutualista Montepio.

A limpeza de algerozes e a substituição de telhas danificadas, a colocação de chão antiderrapante nas escadas de acesso aos prédios, a substituição gradual de contentores convencionais por moloks e a realização de uma campanha porta a porta para a sensibilização de questões de higiene e limpeza estão igualmente em agenda.

Já no Forte da Bela Vista, novas propostas apontam para uma segunda edição da festa Sons e Sabores do Bairro, a reativação da publicação “Boletim do Forte”, a reabilitação do espaço verde junto da escultura “Autocarro” e a recuperação da zona de circulação pedonal na barreira.

A criação de um espaço “Nosso Bairro”, assente numa filosofia de “trabalho dos mais novos com sabedoria dos mais velhos”, foi outra das ações relatadas por Francisco Sousa, que pediu um aplauso em memória do escultor João Limpinho, falecido em junho, autor do Núcleo Museológico Urbano da Bela Vista.

No Bairro das Manteigadas, a moradora Elisa Correia apontou o encerramento dos túneis para a realização de iniciativas culturais como uma das propostas de maior relevo, assim como a dinamização de ações de formação na área da saúde direcionadas aos mais novos.

A exploração de três espaços comuns para a comercialização de produtos, a recuperação de campainhas e intercomunicadores e a conclusão das pinturas em edifícios do bairro, “para dar nova vida”, realçou, são outros compromissos assumidos para os próximos dois anos.

Por fim, na Quinta de Santo António, os moradores propõem a realização de intervenções de recuperação em espaços verdes do bairro, incluindo a instalação de sistemas de rega automática, assim como a colocação de pilaretes em várias zonas para evitar o estacionamento abusivo.

A conclusão de trabalhos de pintura em prédios, a realização de formações na área da saúde e a reorganização do grupo de caminhadas foram igualmente relatadas pelo morador Diogo Sousa, que, relativamente às propostas do ano passado, afirmou que “cerca de 60 por cento estão concluídas”.

Uma das novidades do encontro foi a inclusão de uma secção dedicada exclusivamente aos jovens. Entre as atividades, Joana Sá e Rafael Paiva indicaram a realização de um conjunto de workshops em áreas como os primeiros socorros, a maquilhagem e a capoeira, assim como a dinamização de colónias de férias.

Além de um “foto-paper” pela cidade e de atividades de ocupação de tempos livres para os mais novos, os jovens propõem, no âmbito do Projeto Juventude do Futuro, conduzido por Rafael Paiva, a concretização de um desfile de moda e de um workshop de padaria e costura.

“São muitas dezenas de propostas e é necessário a organização de vários grupos de trabalho”, realçou o vereador Carlos Rabaçal no encerramento do plenário, no qual deixou um rasgado elogio “ao trabalho fantástico e de crescimento coletivo concretizado nos últimos três anos”.

O Nosso Bairro, Nossa Cidade foi criado com uma perspetiva de cumprimento de objetivos em dez anos. “Ainda há muito por fazer. É necessário sustentar a mudança alcançada e levá-la até ao fim. O caminho é longo e difícil e tem de ser percorrido todos os dias e com o trabalho coletivo”, vincou.

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