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museologia 12 de Novembro de 2012
Museu dá vida à arte do trabalho

Duas antigas operárias da antiga fábrica de conservas onde está instalado o Museu do Trabalho apagaram as velas dos 25 anos da fundação deste equipamento cultural numa cerimónia que reuniu, no dia 10, cerca de 300 pessoas.

O atual Museu do Trabalho Michel Giacometti, denominação que homenageia o etnólogo corso que doou a Setúbal uma coleção de mais de mil peças relacionadas com o trabalho agrícola e doméstico e a cultura popular, recebeu pessoas de várias gerações, durante mais de três horas de convívio.

Além da abertura da exposição comemorativo do quarto de século do museu municipal, a festa de aniversário contou com a presença de artesãos que demonstraram ao vivo como ainda se trabalha em olaria, com as redes de pesca, o vime e a cortiça, bem como na arte das rendas de bilros.

Aos 94 anos, dona Ana é um dos testemunhos das memórias legadas ao Museu do Trabalho sobre o funcionamento da antiga fábrica de conservas Perienes, edifício que, depois de desativado e adaptado, acolheu o museu que, desde 1987, se encontrava no Museu de Setúbal/Convento de Jesus.

O espaço museológico, inaugurado em 1995, nas instalações da fábrica conserva o património de toda a cadeia industrial, recordado pela antiga operária que ali teve funções de descabeçar e engrelhar o peixe, numa altura em que a “Perienes” era uma das 130 conserveiras a laborar em Setúbal, em meados do século XX.

Mais novo do que as duas antigas operárias Ana e Cecília é o oleiro Francisco Mateus, que chegou a conhecer Michel Giacometti há precisamente 25 anos, aquando da primeira exposição do museu, "O Trabalho faz o Homem", na época ainda funcionar no Museu de Setúbal.

O oleiro, que desde miúdo "passava os dias na olaria perto de casa", lembra-se que o etnólogo lhe perguntou porque se "interessava em mexer no barro", numa altura em que já "não havia muita gente nova a aprender".

Único artesão na olaria que dirige, Francisco Mateus chega a fazer 250 peças por dia, para a pesca do polvo, destinadas ao mercado espanhol.

Fernanda Silva, 60 anos, receia que também a arte dos bilros "se vá perdendo" com o tempo. A rendeira, que aprendeu há 17 anos a técnica daquela renda típica das localidades piscatórias do País, produz trabalhos para a Câmara Municipal oferecer em atos oficiais.

Para que ofícios como estes não se percam na memória, é missão do Museu do Trabalho recolher testemunhos e aprendizagens para a preservação destes saberes.

“Da pesca, do sal ou das conservas de Setúbal, este museu é testemunho vivo, do mundo vivo do trabalho”, salientou o vereador Manuel Pisco, na abertura da cerimónia. “É a memória do que fazemos e como fazemos. É isso o trabalho.”

O autarca, para quem o “trabalho é um dos principais valores para o homem na sociedade”, enalteceu o reconhecimento do museu, uma referência na Rede Portuguesa de Museus.

Além da exposição que assinala os 25 anos do Museu de Trabalho, patente até 15 de janeiro, os visitantes puderam assistir aos apontamentos visuais “Os vossos testemunhos”, com relatos de colaboradores do espaço museológico ao longo dos anos, e “Da fábrica ao museu”, uma retrospetiva histórica das várias funções do imóvel.

A tarde de convívio contou ainda com as atuações do Grupo de Cavaquinhos da Arim – Associação de Reformados e Idosos de Murtal, da Parede, do Grupo de Cantares e Música Popular Portuguesa Reformados de Vendas Novas e da SemperT'unos – Tuna Mista, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal.

De parabéns estão também as conservas Nero que assinalaram o centésimo aniversário com o pré-lançamento de uma nova gama, a ostra gratinada, numa parceria com a Champanheria.

O produto, a comercializar brevemente numa loja da Rua 26 de setembro, na zona da Fonte Nova, em Setúbal, destina-se igualmente à exportação, nomeadamente para França e Bélgica.

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