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Arqueologia 12 de Setembro de 2011
Parque da pré-história a caminho

Um protocolo de colaboração entre as autarquias de Setúbal e Sesimbra, a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (FBAL) e a Casa do Calhariz foi celebrado no dia 12 no âmbito da recolha de informação científica para criação do Parque Arqueológico da Arrábida.

As sondagens arqueológicas de diagnóstico em sítios identificados na área da Serra do Risco, local da propriedade da Casa do Calhariz onde se realizou a cerimónia de assinatura do protocolo, constituem uma das missões desenvolvidas por uma equipa de trabalho da FBAL, que integra o Centro de Investigação e Estudo em Belas-Artes/Secção Francisco de Holanda.

Lapa da Nazaré, Povoado da Idade do Bronze do Risco/Marmitas, Povoado Neolítico final/calcolítico dos Prados, Povoado Neolítico antigo da Roça do Casal do Meio e Lapa da Cova são os locais a estudar por uma equipa de arqueólogos e espeleólogos com o objetivo de recolher elementos científicos para a elaboração de conteúdos museológicos do Parque Arqueológico dda Arrábida.

O protocolo prevê também a obtenção de dados para o estudo de impacte ambiental e a organização da informação espacial reunida em formato digital numa base de dados georreferenciada.

José Luís Gonçalves, diretor da FBAL, salientou todo o trabalho efetuado, desde há quatro anos, com a elaboração da Carta Arqueológica de Sesimbra, permitindo identificar o património cultural, além do natural, como o Povoado do Bronze no Risco, um brinco de ouro e um santuário fenício na Lapa da Cova, e placas de madeira com escritos árabes, de há mais de mil anos, nas “grutas das janelas”, na Azoia.

Estas descobertas vão permitir desenvolver o Parque Arqueológico da Arrábida como polo de atração turística, aliado à preservação da paisagem e à criação de postos de trabalho.

O professor da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa referiu a importância da “sinergia positiva na região em época de crise” na concretização deste “projeto pioneiro e inovador”.

Uma cooperação que envolve as câmaras municipais de Setúbal e de Sesimbra, que atribuem um subsídio de 45 mil euros cada, valor disponibilizado em parcelas anuais de 15 mil euros, até 2013, ano em que finda o protocolo.

Além deste valor a atribuir pelas duas autarquias, no total de 90 mil euros, destinado a alimentação, alojamento, aquisição de serviços e equipamentos e meios logísticos, Setúbal e Sesimbra comprometem-se a prestar apoio na disponibilização de materiais arqueológicos, bem como de bibliografia que possuam em acervo.

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, sublinhou que este protocolo é um “passo importante e decisivo para a criação do futuro Parque Arqueológico da Arrábida”, com todas as valências lúdicas, culturais, turísticas e ambientais, bem como para a elaboração da Carta Arqueológica de Setúbal.

A autarca salientou que, com a criação deste parque pré-histórico, fica garantida uma consciência pública para a importância do património que é a Serra da Arrábida e da sua salvaguarda.

“Esta região, riquíssima do ponto de vista natural, gastronómico e cultural, afirma-se cada vez mais como um polo de atração e de interesse com vista a um horizonte sustentável”, acentuou.

A recriação de povoados pré-históricos e o desenvolvimento de ateliers de tecnologias desses períodos, como o talhar a pedra, o fogo, a cerâmica e a tecelagem, são algumas valências apresentadas, que vão permitir um melhor entendimento da ocupação humana ao longo dos tempos.

Outras ideias estão a ser pensadas, como a de permitir ao próprio visitante ser incluído no processo de construção de cabanas.

Até à concretização do parque/museu, a equipa de investigadores continua com o trabalho científico e de arqueologia experimental, como a recriação em maquetas, que puderam ser vistas numa visita pelos elementos já recolhidos ao longo dos últimos quatro anos.

O espólio, que se vai reunindo na Casa do Calhariz para armazenamento, limpeza, inventariação, estudo e interpretação, uma das cláusulas do protocolo, foi visitado na cerimónia.

Cacos de ânforas de vinho transportadas pelos fenícios, que no final dos rituais tinham de ser destruídas, e que agora esperam a reconstituição, foram mostrados, além de ossos, dentes, tecidos e colares de contas.

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