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social 05 de Abril de 2013
Periferias debatidas em encontro

A reflexão e a partilha de conhecimentos sobre as periferias dos grandes centros urbanos, frequentemente alvo de preconceitos sociais e interpretadas como territórios problemáticos, impulsionaram um encontro de âmbito nacional que se realizou no dia 5 em Setúbal.

“Temos um olhar integrado sobre estas realidades, conhecemo-las bem e não iludimos os problemas. Trabalhamos em parceria”, afirmou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, na sessão de abertura do Encontro Nacional Periferias Urbanas, no Cinema Charlot – Auditório Municipal.

A procura de uma definição mais concreta sobre o conceito de periferias urbanas alimentou a reflexão nesta iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Setúbal, no âmbito do Observatório Social da Bela Vista, coordenada pelo Instituto das Comunidades Educativas.

“É imprescindível debater publicamente e partir para a ação que favoreça a resolução de problemas e a melhoria das condições de vida das populações”, sublinhou Maria das Dores Meira, reforçando a importância das sinergias e do trabalho de parceria, realizado “em permanência e com grande intensidade em territórios específicos”

Um dos exemplos do trabalho de proximidade dinamizado pela Autarquia é proporcionado pelo Observatório Social da Bela Vista (http://observatoriosocialbv.mun-setubal.pt), ferramenta de pesquisa e recolha de informações que permite conhecer a realidade daquela área de Setúbal.

A criação do Observatório Social da Bela Vista “resulta da crescente necessidade de conhecer melhor as realidades com que se trabalha, condição fundamental para o sucesso das ações desenvolvidas com os vários intervenientes”, vincou Maria das Dores Meira, destacando, igualmente, a importância da criação e do desenvolvimento do programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade”.

Impulsionado pela participação ativa e permanente dos moradores, o programa municipal promove ações de melhoria das condições de vida em sociedade numa área da cidade que engloba os bairros da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Forte da Bela Vista, Quinta de Santo António e Manteigadas.

O “Nosso Bairro, Nossa Cidade” estabelece que as ações a realizar devem ser protagonizadas pelos moradores, gerando assim a participação das pessoas nas decisões que a elas e à sua comunidade dizem respeito, com o objetivo de promover a autonomia, a responsabilidade e o crescimento coletivo.

As pessoas, organizadas em grupos, participam nas decisões e também nas tarefas inerentes à sua execução, numa lógica de formação de lideranças e de mobilização popular, o que motivou, em 2012 e já durante este ano, a dinamização de um conjunto de ações variadas que inclui trabalhos de recuperação do edificado e atividades de promoção de uma cidadania ativa e de uma comunidade mais dinâmica.

Com o empenhamento ativo dos moradores, foram pintadas galerias e zonas comuns de nove prédios do Bairro da Bela Vista e de outros vinte do Forte da Bela Vista, e reabilitadas as caixas de escada e zonas interiores comuns de quatro prédios do Bairro Alameda das Palmeiras, de outros dois na Quinta de Santo António e de mais oito nas Manteigadas.

“Nos próximos dias vamos disponibilizar mais tinta e restantes materiais necessários para pintura de mais prédios em todos os bairros”, anunciou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, frisando o investimento camarário da ordem dos 160 mil euros na reabilitação de prédios naqueles bairros, em empreitadas em curso ou já finalizadas.

A autarca, relembrando igualmente as 475 intervenções realizadas naquele território entre 2010 e 2012 por administração direta, ou seja, com recurso a meios técnicos e humanos da própria Autarquia, deixou bem patente que o trabalho realizado com as populações não se limita à recuperação do edificado.

A autarca realçou que a “melhor evidência” são as 107 reuniões realizadas só em 2012, com 745 moradores, os 220 interlocutores eleitos para avançar com todo o processo de renovação da Bela Vista e dos bairros envolventes, as 45 reuniões com grupos organizados de moradores voluntários e os 65 encontros com 32 instituições e associações.

“Acreditamos que, com o envolvimento organizado dos moradores e a participação das instituições e da Junta de Freguesia, o processo de recuperação daqueles bairros e espaços comuns não vai parar”, afirmou Maria das Dores Meira, tecendo algumas críticas ao trabalho jornalístico que muitas vezes é realizado sobre a Bela Vista.

A realidade “nunca foi nem nunca será fielmente refletida pelas lentes mediáticas, que mais não reproduzem do que simulacros. O que o imediatismo dos diretos mostra não é a realidade quotidiana dos bairros, o que são as suas pessoas, o empenhamento que muitas delas empregam na mudança das suas vidas”, vincou, numa alusão aos recentes acontecimentos que afetaram o bairro.

Após a sessão de abertura, momento que contou com uma intervenção do presidente do conselho diretivo da Associação de Municípios da Região de Setúbal, Alfredo Monteiro, seguiu-se um painel subordinado à temática “Abordagem Conceptual às Periferias”.

“Intervenção em Periferias Urbanas” deu o mote para o segundo painel do encontro, já no período da tarde, a que se seguiu uma sessão subordinada ao “Nosso Bairro, Nossa Cidade”, com alocuções e testemunhos de moradores da Bela Vista integrados em diversas ações no âmbito daquele programa municipal.

O Encontro Nacional sobre as Periferias Urbanas contou com a colaboração da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Setúbal, da Rede Europeia Antipobreza – Núcleo Distrital de Setúbal, da jornalista Helena Freitas, de Luís Teixeira e da SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social.

“Todo este percurso não pode ser uma caminhada solitária. Esperemos que a diversidade e a pertinência das intervenções e experiências deste encontro possam fortalecer as redes e o trabalho desenvolvido e contribuir para o bem-estar individual e coletivo”, rematou Maria das Dores Meira.

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