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homenagem 19 de Setembro de 2016
Praceta eterniza Álvaro Dias

O malogrado empresário setubalense e resistente antifascista Álvaro Dias dá nome a uma praceta em Setúbal, localizada entre as ruas António José Batista e Vale de Cerejeiras.

A inauguração do novo topónimo Praceta Álvaro Dias integrou uma evocação, que decorreu no dia 17, promovida pela Câmara Municipal de Setúbal e pela Junta de Freguesia de São Sebastião, a qual contou com a presença de familiares do homenageado, de várias gerações.

Na cerimónia, a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, lembrou que Álvaro Dias foi “um homem profundamente ligado à cidade onde nasceu e à qual deu importante contributo no associativismo, na política, no poder local e como empresário”.

Como ficou expresso no voto de pesar que a Câmara Municipal aprovou pelo falecimento, em abril de 2014, de Álvaro Dias, este “foi um dos grandes homens que nasceram na cidade e que a ajudou a ser melhor, mais justa, mais solidária”.

Por isso, a autarca considera que a homenagem feita ao setubalense comerciante e empreendedor, associativista e fotógrafo, comunista e antifascista que “ativamente combateu o regime ditatorial encerrado em abril de 1974”, com a inauguração do novo topónimo da cidade, “é mais do que merecida. É um dever que Setúbal cumpre para com um homem bom, um comunista que também ajudou a construir uma cidade melhor, um mundo melhor”.

Também o presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Nuno Costa, considera que a homenagem, apesar de “muito singela”, teve “a grandiosidade que Álvaro Dias merece, atribuindo o seu nome a uma parte do território e isso é significativo daquilo que fez enquanto esteve connosco”.

Presentes na cerimónia estiveram ainda Valdemar Santos, em representação do PCP, Pedro Soares, dirigente da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses, e do secretário da direção da APPACDM de Setúbal, Rafael calvo.

Álvaro Dias nasceu em Setúbal, na Rua Antão Girão, em 28 de fevereiro de 1924, filho de carpinteiro e doméstica. Fez a instrução primária na Escola Bocage, no Bairro Salgado, e na altura não prosseguiu os estudos.

Um trabalho, a partir dos 19 anos, num armazém de papel, na Travessa do Postigo, atrás do Hotel Esperança, levou-o a matricular-se na Escola Comercial, onde completou o curso complementar do comércio. Vinte anos depois criou o Armazém Papéis do Sado, empresa gráfica de referência na região de Setúbal.

“Ajudou, nos duros tempos de repressão fascista, a fundar o Clube de Campismo de Setúbal e o Cine Clube de Setúbal. Sempre, sempre acompanhado da sua inseparável companheira Helena Dias, mulher forte que o ajudou a construir muito e a quem endereço um especial cumprimento, que estendo ao seu filho”, afirmou Maria das Dores Meira durante a sua intervenção.

A autarca recordou um homem que, desde cedo, se empenhou “na luta política por uma vida melhor, por um país mais justo” e, por isso, com apenas 24 anos, iniciou processos na polícia política, tendo sido preso algumas vezes no Estabelecimento Prisional de Setúbal.

Logo após o 25 de Abril de 1974, no âmbito das comissões administrativas nomeadas para gerir as autarquias, foi, como militante do Movimento Democrático Português, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria.

Prosseguiu a carreira no Poder Local Democrático como vereador do executivo municipal saído das primeiras eleições autárquicas realizadas em democracia, em 1976, cargo que ocupou até 1982 como eleito das coligações FEPU – Frente Eleitoral Povo Unido e da coligação partidária que lhe sucedeu, a APU – Aliança Povo Unido.

Só mais tarde se inscreveria no Partido Comunista Português, partido em que militou ativamente até à morte.

Na vida associativa, além da intensa atividade desenvolvida no Clube de Campismo de Setúbal, desempenhou cargos dirigentes, durante mais de duas décadas, na APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, empenho que lhe valeu, em vida, a atribuição do seu nome à mais importante estrutura de acolhimento desta associação.

Foi um apaixonado pelas artes gráficas, área em que se afirmou como empresário e comerciante, com o Armazém Papéis do Sado, com tipografia no Quebedo e uma das mais antigas lojas da Baixa comercial da cidade.

A arte da fotografia também o apaixonou, que deixou publicada no livro “Em Terras de Rio Feito de Mar”.

 

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