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conferência 07 de Março de 2014
Setúbal assume-se capital no Sado

O vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, defendeu na manhã do dia 7, numa conferência sobre o desenvolvimento regional, que o concelho se deve afirmar como a capital da Margem Norte do Sado.

“Não se trata de uma simples ideia bairrista, de afirmação da superioridade de Setúbal sobre os restantes concelhos da península, mas sim da afirmação da forte identidade de toda a região, da afirmação da península como região com vida própria, com cultura forte, com economia vigorosa e com vontade de se afirmar ainda mais”, sublinhou o autarca na sessão de abertura da conferência “Novos Desafios de Desenvolvimento para a Península de Setúbal”.

Numa iniciativa do jornal Semmais, que decorreu no Fórum Municipal Luísa Todi, André Martins falou para uma plateia constituída por várias personalidades de diferentes quadrantes sociais e económicos da região e do País.

O vice-presidente da Autarquia sadina defendeu que a estratégia de desenvolvimento, não apenas do concelho, mas de toda a região da Península de Setúbal, deve passar por um afastamento do conceito associado à expressão “margem sul” do Tejo, de uma região dependente de Lisboa, assumindo-se, antes, com uma identidade própria e uma parceira da capital do País.

“Estamos todos empenhados na alteração da perceção de toda a região e na afirmação da sua forte identidade autónoma no contexto da região de Lisboa, região de que fazemos parte de pleno direito, na qual trabalhamos, mas que não nos define na totalidade”, sintetizou André Martins.

Numa recusa “das realidades negativas sintetizadas, muitas vezes, na simplicidade com que se resume toda a região na velha expressão ‘margem sul’, neste caso do Tejo”, André Martins defendeu que desta capital da Margem Norte do Sado nasce um programa de afirmação da identidade e das capacidades de Setúbal.

Crítico de uma Área Metropolitana de Lisboa (AML) que “progride a duas velocidades”, André Martins recordou que a realidade atual espelha uma AML “com o mais elevado nível de vida” do País, mas que a Península de Setúbal “tem o PIB per capita que corresponde a apenas 70 por cento da média nacional”.

Numa discussão que considera ultrapassar largamente “uma visão meramente regionalista de reivindicar mais investimento para Setúbal em detrimento de Lisboa”, o autarca apontou que o que está em causa “é a defesa, promoção e uma maior afirmação da região de Lisboa, que só será mais forte e competitiva quando for igualmente mais coesa”.

O protagonismo que o concelho sadino deve assumir na afirmação dessa identidade decorre, na ótica de André Martins, do facto de Setúbal “ser o polo urbano mais autónomo e menos dependente das relações pendulares com a cidade de Lisboa”, constituindo-se Setúbal como “cidade charneira de articulação da Área Metropolitana de Lisboa com o Litoral Alentejano”.

Em particular, o vice-presidente da Autarquia considera oportuno refletir “sobre os novos desafios que se colocam para o desenvolvimento desta importante região face ao programa de fundos [comunitários] de 2014-2020”.

O potencial de riqueza associado à Serra da Arrábida, ao rio Sado e à baía, assim como o porto da cidade e o facto de Setúbal acolher na Península da Mitrena um relevante polo de atividade económica e industrial, responsável “pelos bons resultados das exportações nacionais”, são outros argumentos que levaram André Martins a reforçar a importância do papel determinante do concelho no desenvolvimento da região.

O vice-presidente da Câmara Municipal salientou ainda na abertura da conferência centrada no progresso da Península de Setúbal que a Autarquia, precisamente com uma estratégia de afirmação regional no horizonte, tem apostado no desenvolvimento do Estuário do Sado e na frente ribeirinha. André Martins referiu dois projetos com “clara importância regional” no futuro, a instalação de uma plataforma intermodal, ferroviária, rodoviária e fluvial, e o incremento das atividades náuticas, através da criação de uma marina.

Enquanto o primeiro projeto permitirá “intensificar a articulação da AML com o Litoral Alentejano e o Sul do País”, o segundo, para o qual “estão a ser feitos estudos para encontrar a melhor localização e viabilidade técnica e económica”, deverá focar-se na náutica desportiva, de turismo e lazer.

Tudo para que Setúbal se torne “num território mais competitivo e internacionalizado”, objetivo para o qual a Câmara Municipal pretende “retomar a proposta” do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa de criação do Parque de Ciência e Tecnologia de Setúbal.

Para André Martins, uma capital da Margem Norte do Sado “que simbolize a força e as capacidades de toda a península” será sempre mais significativa do que “uma imensa margem sul desconhecida”.

A conferência, organizada em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal, incluiu vários painéis temáticos, que abordaram questões relacionadas com reindustrialização, atividade portuária, requalificação ribeirinha, aposta na diferenciação, turismo local no quadro da região de Lisboa e economia social e políticas de solidariedade.

A sessão realizou-se com o apoio das autarquias de Sesimbra e Moita e da DDLX e os patrocínios da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, do Montepio Geral, da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, da Casa Ermelinda Freitas e da Lisnave.

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