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estudo 22 de Setembro de 2016
Soluções de mobilidade em estudo

Uma em cada três deslocações realizadas pela população residente em Setúbal é feita a pé, revela um estudo apresentado na tarde de dia 22 num encontro no âmbito do Dia Europeu Sem Carros.

Esta é uma das principais conclusões do diagnóstico à mobilidade do concelho, divulgado por Pedro Santos, da empresa TIS.PT – Consultores em Transportes, Inovação e Sistemas, no encontro “Novas Mobilidades, Mais Qualidade de Vida”, que decorreu esta tarde no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

A TIS.PT está atualmente a desenvolver o Plano de Mobilidade Sustentável e Transportes do Município de Setúbal, encomendado pela autarquia, com o objetivo de minimizar os custos associados à mobilidade dos cidadãos.

O plano procura, igualmente, apostar na intermodalidade, medida que vai permitir a redução do uso do transporte individual e, simultaneamente, otimizar a mobilidade das populações, com melhorias em áreas como inclusão social, competitividade, qualidade de vida urbana e preservação do património histórico, edificado e ambiental.

Para delinear o plano, foi necessário realizar um diagnóstico da mobilidade no concelho de Setúbal, apresentado no primeiro painel do encontro desta tarde, dedicado ao tema “Mobilidade em meio urbano”, sendo que um dos instrumentos utilizados foi a realização de um inquérito a uma amostra de 448 pessoas maiores de 14 anos, entre os dias 24 de fevereiro e 23 de março deste ano.

Segundo Pedro Santos, do inquérito resultaram dados positivos, como o facto de “as viagens a pé terem um peso significativo” nas escolhas modais dos residentes em Setúbal, sobretudo no núcleo urbano, sendo que uma em cada três deslocações realizadas são pedonais.

Isto pode explicar-se, segundo Pedro Santos, pela “existência de uma área alargada no centro histórico da cidade com boas condições para a circulação pedonal”.

Outro dado positivo indicado pelo investigador é que Setúbal tem “um potencial considerável de transferência de viagens dos modos motorizados para os modos suaves”, uma vez que “as deslocações motorizadas com menos de 1,5 quilómetros de distância têm um peso significativo em várias zonas da cidade”.

No entanto, um dos indicadores mostra que existe um “forte peso do automóvel na repartição modal”, uma vez que 59 por cento das deslocações dos residentes em Setúbal são efetuadas em transporte individual, sendo que há um rácio de 421 veículos por cada mil habitantes.

Além disso, a utilização do transporte coletivo tem um peso reduzido, pois representa apenas 6 por cento na repartição modal, o que permite concluir, no entender de Pedro Santos, que “quem anda de autocarro é porque não tem outra alternativa”.

No que diz respeito aos transportes públicos, os inquiridos foram desafiados a colocar questões e as respostas denotam que “a oferta existente não satisfaz as pessoas”

A necessidade de aumentar a frequência dos transportes e de assegurar melhores condições de espera aos utilizadores e ao nível do preço dos títulos foram as principais questões apontadas, a par das condições a bordo dos veículos, sobretudo comboios e barcos, e coordenação de horários, em especial dos autocarros.

Outro fator importante a destacar na mobilidade em Setúbal é que “apenas 5 por cento da população é imóvel”, o que traduz um valor “bastante inferior ao normalmente verificado, que se situa entre os 20 e os 25 por cento. Setúbal tem uma mobilidade acima da média nacional”.

Ao nível do estacionamento, o inquérito identifica situações como a “pressão elevada sobre o estacionamento na via pública” e a existência de uma “ocupação abusiva dos passeios nas zonas centrais”.

A importância de meios de transporte alternativos ao automóvel para uma mobilidade mais sustentável deu o mote à realização do encontro “Novas Mobilidades, Mais Qualidade de Vida”.

A abertura dos trabalhos esteve a cargo do vereador do Urbanismo, André Martins, que salientou as preocupações da Câmara Municipal de Setúbal com a mobilidade e as acessibilidades, o que levou à necessidade de desenvolver o Plano de Mobilidade Sustentável e Transportes do Município de Setúbal.

No entanto, “Setúbal não pode ficar à espera da conclusão do plano”, pelo que a autarquia tem desenvolvido “um conjunto de intervenções que têm contribuído para uma grande transformação do uso do espaço público da cidade”, enquanto “muitos outros projetos estão ainda perspetivados para dar continuidade a essa transformação”.

O autarca ressalva, no entanto, que só a partir de 2020 é que as autarquias têm competências para atuar numa matéria fundamental para a mobilidade sustentável que é o transporte coletivo.

Garantiu, a este propósito, que a Câmara Municipal “está a trabalhar para nessa data Setúbal ter uma frota de transportes públicos com condições para dar resposta às necessidades”.

A par da intervenção de Pedro Santos sobre o diagnóstico da mobilidade em Setúbal, o primeiro painel do encontro analisou a importância da intermodalidade nas cidades, de que é exemplo o Centro Coordenador de Transportes de Castelo Branco, apresentado por Otília Caetano, da Câmara Municipal de Castelo Branco.

Este painel terminou com a apresentação, por parte de Tiago Mesquita Carvalho, do projeto “Uni-ciclo”, da Cicloficina dos Anjos, uma oficina comunitária de bicicletas, de Lisboa, que recebeu 2500 euros da Comissão Europeia, no âmbito da campanha de mobilidade urbana sustentável "Do the Right Mix".

O segundo painel abordou as “Deslocações Alternativas ao Transporte Individual”, como o Carpooling – Projeto Boleia.net, apresentado por Carlos Quirin, e o sistema de bicicletas partilhadas de Vilamoura, o “Vilamoura Public Bikes”, por Paulo Reis, da empresa Inframoura.

O painel terminou com a comunicação as “Cidades caminháveis: como apoiar o planeamento urbano para a Walkability”, pelo Filipe Moura, professor do Instituto Superior Técnico.

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