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simulacro 08 de Novembro de 2012
Teste dá segurança à Mitrena

Um acidente industrial grave, com um incêndio de grandes dimensões e a libertação de gases perigosos na zona da Mitrena, foi o cenário criado no dia 8 para um teste às capacidades operacionais das forças de proteção e socorro de Setúbal. 

Ouve-se um estrondo ensurdecedor. O ruído é seguido de enormes labaredas que alastram a um incêndio de charco. Instala-se o pânico e o cenário é de risco, dada a proximidade a outras empresas a laborar. Milhares de trabalhadores estão em perigo.

Às 09h30, uma chamada de emergência alerta para a ocorrência de uma explosão de origem desconhecida num reservatório de combustível da UBAL – União Transformadora e Oleaginosa (empresa fictícia), instalada na península industrial da Mitrena.

Este é o cenário do “Mitrex 2012”, exercício organizado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros de Setúbal que testa, ao longo de todo o dia, a resposta operacional das forças de proteção e socorro a uma situação de perigo extremo, assim como os planos de emergência das empresas instaladas na Mitrena.

À chegada ao local, os meios deparam-se com um teatro de operações delicado. O bioetanol arde intensamente num incêndio de charco, com temperaturas a atingir os 250 graus centígrados e libertação de gases tóxicos. Há feridos a precisar de cuidados urgentes e trabalhadores que necessitam de resgate imediato.

A situação extrema obriga a uma tomada de posição. O comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal (CBSS), Paulo Lamego, dá ordem para a criação de um posto de comando operacional, na Sapec Parques Industriais, para gerir o teatro de operações, com ações de logística, planeamento e combate.

As instalações da Alstom, nas proximidades do epicentro do desastre, são evacuadas em segurança. Na margem do rio Sado há cinco vítimas cercadas. O resgate é feito por um grupo de bombeiros, que executa uma cortina de proteção com duas linhas de água. Um a um, os civis são retirados, mas dois não resistem aos ferimentos.

No cenário de caos, alguns trabalhadores lançam-se à água numa tentativa de fugir às chamas e ao ar praticamente irrespirável que se sente numa área com cerca de 800 metros. Apesar dos sinais de hipotermia, os trabalhadores são salvos com sucesso por via marítima.

O som da explosão assusta um automobilista que perde o controlo da viatura onde se desloca com mais quatro pessoas. O resultado é um acidente de viação com cinco feridos, dois encarcerados.

Devido à explosão, a EN 10-4, a única via de acesso à península industrial da Mitrena, está encerrada e os meios de socorro são deslocados através de uma estrada de fuga, via criada pela Câmara Municipal de Setúbal com cerca de quatro quilómetros, para utilização exclusiva por veículos de socorro para intervenções em cenários de emergência e para operações de evacuação.

Os bombeiros chegam pouco tempo depois do sinistro. É necessário estabilizar e desencarcerar as vítimas. O trabalho com as ferramentas hidráulicas é delicado. Um movimento em falso e pode comprometer a segurança dos ocupantes do veículo. Tudo é feito ao detalhe, trucidando chapa e metal até ao resgate.

Já nas ambulâncias, os feridos são retirados da área pela Estrada de Fuga da Mitrena. À chegada ao Hospital de São Bernardo, com os serviços reajustados em virtude do acidente industrial grave, já estão preparados para a pronta intervenção.

No comando, é recebido a comunicação de sucesso das operações de salvamento e resgate realizadas durante a manhã do dia 8. Com trabalhadores e empresas em segurança, há ainda que pensar na melhor forma para controlar e extinguir o incêndio de grandes proporções que ainda lavra e lidar com as altas temperaturas e os gases tóxicos que ainda pairam no ar. Essa é a tarefa que continua durante a tarde.

Os cenários e as intervenções planeadas para o exercício “Mitrex 2012”, no período da manhã, decorrem sem grandes falhas, havendo, contudo, algumas imprecisões a retificar, como referiu a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, a partir da sede da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal.

“Os objetivos propostos, até agora, foram concretizados com sucesso”, sublinhou a autarca, enaltecendo a importância do exercício, com o envolvimento de mais de 3500 pessoas, “para testar as capacidades operacionais da proteção civil e a segurança das empresas instaladas na península industrial da Mitrena”.

Maria das Dores Meira adiantou que este “foi o primeiro teste desta magnitude realizado em Setúbal”, reforçando, contudo, “que são realizados regularmente simulacros para corrigir eventuais lacunas nos planos de contingência. Se acontecer na realidade, que haja o mínimo de falhas”.

A edil frisou ainda que as “orientações propostas na Carta de Risco da Mitrena e nos planos de segurança interna e externa da Mitrena são cumpridos ao detalhe, havendo, sempre, a preocupação de os melhorar”.

O comandante da CBSS, Paulo Lamego, mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados no exercício, reconhecendo, contudo, algumas limitações dos Sapadores em combater o tipo de incêndio simulado no “Mitrex 2012”.

“Este é um tipo de acidente que extravasa as capacidades dos bombeiros sapadores, companhia vocacionada para lidar com situações musculadas e de primeira intervenção”, referiu Paulo Lamego, explicando que foi necessário ativar vários meios externos ao distrito de Setúbal.

A prioridade, adiantou o comandante, foi “realizar as evacuações, proteger as populações e defender as empresas”, frisando que as comunicações SIRESP – Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal deram um “apoio fundamental no decorrer do exercício”.

Durante o simulacro, que envolveu 35 veículos e um hospital de campanha, houve a necessidade de retirar 660 trabalhadores, registando-se 19 feridos e dois mortos. Tudo num cenário previamente definido.

A diretiva que regula o Mitrex 2012 indica que esta ação tem como principal finalidade desenvolver, faseada e sustentadamente, a capacidade de preparação do Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros de Setúbal para potenciar os mecanismos de articulação entre os vários agentes e os sistemas de apoio à decisão.

O Mitrex 2012, exercício do tipo LIVEX – Live Exercise, está previsto no Plano de Emergência Externo da Mitrena, instrumento elaborado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros e aprovado pela Comissão Nacional de Proteção Civil em março de 2012.

Participam no Mitrex 2012 o SMPCB de Setúbal, a Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, o Comando Distrital de Operações de Socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, a Refer, a Junta de Freguesia do Sado, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, o INEM, a Cruz Vermelha Portuguesa – delegação de Setúbal, a Capitania do Porto de Setúbal, a PSP, a GNR e o Centro Hospitalar de Setúbal.

No exercício participam ainda o Instituto Politécnico de Setúbal e a Fundação Escola Profissional de Setúbal e as empresas Tanquisado, Portucel, Lisnave, Sapec Agro, Sapec Química, Sapec – Parques Industriais, Sopac, Eco-Oil, TST e Atlantic Ferries.

Os resultados preliminares desta ação preventiva são apresentados no dia 9 à tarde, num dos painéis do seminário “Fire Training/Hazmat”, com início às 09h30, no Fórum Municipal Luísa Todi, iniciativa com a presença de vários oradores e especialistas em áreas diversas da proteção civil.

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