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fórum 21 de Março de 2016
Treino de futebol debatido em Setúbal

Experiências, filosofias de jogo e ideias sobre o treino estão a ser partilhadas e debatidas no Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal, evento que decorre entre os dias 21 e 22, no Fórum Municipal Luísa Todi, com várias gerações de técnicos.

A iniciativa da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, integrada no calendário de atividades de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016, com programa organizado pela Câmara Municipal, junta técnicos de futebol com carreiras consolidadas e jovens aspirantes à profissão.

“No ano em que Setúbal é Cidade Europeia do Desporto, debater as temáticas centrais do trabalho de treinador de futebol é uma excelente iniciativa”, realçou o vereador do Deporto da autarquia, n manhã de dia 21, na sessão de abertura da 5.ª edição do Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal.

A atualização e o aprofundamento de conhecimentos, o debate e a partilha de ideias sobre o que é e o que deve ser o treino de equipas de futebol e de futsal e a forma como este pode ser otimizado centram atenções no evento, que inclui várias palestras temáticas e workshops.

Para falar do evento, “perante tão credenciados e premiados treinadores”, o vereador Pedro Pina aludiu, num tom descontraído, às similaridades entre as missões de autarca e de treinador de futebol, inspirando-se na linguagem futebolística para descrever o quotidiano camarário.

“Tal como vós, temos equipas, com capitães, pontas de lança e atacantes. Temos aqueles que, na retaguarda, sabem muito bem defender e antecipar as necessidades, e até craques”, adiantou, sem esquecer os árbitros, para se referir a entidades como o Tribunal de Contas e a Inspeção-Geral de Finanças.

Para Pedro Pina, é fácil contaminar o discurso com a linguagem futebolística até porque “o futebol imita a vida, ou melhor, é a própria vida”. Acrescentou que a modalidade desportiva, tal como a vida autárquica, se traduz numa comunhão “de emoções fortes e no desejo de ser sempre melhor”.

O vereador salientou a importância do Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal para o debate e a consolidação de conhecimentos na área do treino desportivo e elogiou a entidade organizadora. “É uma honra receber uma das associações de treinadores mais antigas de Portugal e que em 2016 celebrou três décadas de vida.”

Pedro Pina partilhou ainda que a urbe sadina “deu e recebeu, ao longo dos anos, nomes tão importantes do futebol português, sobretudo ao serviço do enorme Vitória Futebol Clube”, referindo-se a individualidades como Félix Mourinho, José Mourinho, Fernando Vaz, José Maria Pedroto, Fernando Tomé e Jacinto João.

A mesma ideia foi reforçada pelo presidente da Associação de Futebol de Setúbal, Sousa Marques. “Setúbal tem um historial forte no desporto e, em particular, no futebol. É uma referência na área do treino. Aliás, um dos melhores treinadores de futebol do mundo é de Setúbal.”

Com o intuito de valorizar o trabalho do treinador de futebol, sobretudo da região, aquele responsável adiantou que a Associação de Futebol de Setúbal “tem procurado realizar, de forma contínua e integrada, ações de formação”, para treinadores de futebol, com perto de meia centena de técnicos já formados e em fase de maturação.

Já o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, José Pereira, sublinhou que o Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal “é o evento mais importante realizado em Portugal na formação de técnicos”, um “esforço contínuo que aponta à atualização de conhecimentos teórico-práticos”.

A importância do evento foi igualmente realçada pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes. “Trata-se de um espaço de formação de excelência, uma referência na família do futebol e que contribui para o desenvolvimento de mais e melhores treinadores”.

Este investimento, vincou Fernando Gomes, contribui para o reconhecimento internacional do treinador de futebol português, com 9500 técnicos reconhecidos pela UEFA, e está refletido na realidade das duas ligas profissionais de futebol em Portugal. Das 42 equipas, 38 são orientadas por técnicos lusos.

O pontapé de saída dos trabalhos do Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal foi dado “Um para um”, com o jornalista Paulo Sérgio a conduzir uma entrevista ao treinador do Futebol Clube do Porto, José Peseiro, técnico que partilhou com a audiência algumas das experiências da carreira.

A orientação do treino quando a maior parte do plantel está ausente ao serviço das respetivas seleções nacionais, a construção de uma equipa à imagem do treinador e a forma de lidar com casos de indisciplina, com egos de craques e com as desilusões desportivas foram alguns temas partilhados.

José Peseiro afirmou que o treinador de futebol “está dependente de um negócio e tem de se adaptar a todas as circunstâncias” e defendeu que para criar uma equipa à sua imagem “os jogadores devem materializar as ideias do treinador de forma consciente e não como autómatos”.

O atual técnico azul e branco aconselhou e desafiou os aspirantes à profissão a registar todos os momentos do treino. À pergunta de Paulo Sérgio sobre se ainda se lembrava dos treinos quando começou a carreira na União Desportiva de Santarém, foi perentório. “Claro, está registado. Mas não gosto das anotações”, brincou.

Numa conversa informal, o técnico Henrique Calisto falou com o atual selecionador nacional, Fernando Santos, que partilhou considerações sobre a profissão de treinador de futebol e revelou momentos do início de carreira.

“Capacidade de liderança e conhecimento em várias áreas. Mas só isso não chega. É também preciso sorte para nos chamarem para trabalhar.” Foi assim que Fernando Santos resumiu as condições fundamentais para abraçar a carreira de técnico, para depois lançar o repto. “Quem quer mesmo isto deve lutar.”

O selecionador nacional defendeu que o passado profissional não define um bom ou mau treinador. “Não se é competente só porque se teve uma carreira futebolística ou se veio do mundo do futebol. O conhecimento é fundamental.” Adiantou, ainda, que “metade das coisas que acontecem no jogo não são trabalhadas no treino”.

O treinador, com um vasto currículo a orientar equipas portuguesas e gregas, incluindo a seleção helénica, falou também das principais diferenças entre orientar uma equipa num campeonato regular e uma seleção nacional. É da opinião que “um selecionador só é treinador no jogo”.

O período da manhã da 5.ª edição do Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal culminou com um painel dedicado ao rendimento e alto rendimento no futebol, com intervenções pelos técnicos Domingos Paciência, Lito Vidigal e Pedro Martins, com moderação por Alexandre Afonso.

Na parte da tarde os trabalhos continuam com uma série de workshops práticos nos quais participam, entre outros convidados, os treinadores Nuno Espírito Santo e António Oliveira, a que se seguem duas palestras direcionadas a técnicos em vários escalões da UEFA.

No dia 22, o evento inclui, entre outros, os painéis “Treinadores no Estrangeiro”, com Henrique Calisto, Jaime Pacheco e Nuno Espírito Santo, a par de “O Treinador no contexto da Seleção Nacional”, que junta em debate Paulo Bento, José Couceiro e Nelo Vingada.

O 5.º Fórum de Treinadores de Futebol/Futsal é um dos eventos em destaque no calendário desportivo de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016, com atividades até dezembro, incluindo provas de alta competição e iniciativas de caráter popular abertas à participação de todos.

“Este é, para nós, um forte pretexto para apostar no reforço de iniciativas e dar continuidade à aposta na promoção da saúde pela prática da atividade física e desportiva”, salientou o vereador do Desporto na Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina. 

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