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vela 14 de Novembro de 2016
Velejadores partilham experiências

Experiências surpreendentes na vela de alta competição foram partilhadas com o público no dia 11, num encontro que juntou João Cabeçadas e João Rodrigues, dois dos maiores velejadores lusos, homenageados pela Câmara Municipal e pelo Comité Olímpico de Portugal.

Na primeira pessoa, os dois velejadores partilharam com a população, sobretudo estudantes, no Fórum Municipal Luísa Todi, momentos das carreiras desportivas na iniciativa “Experiências Surpreendentes em Desporto – A Vela Mundial de Alta Competição”, do programa de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016.

“Na primeira vez que velejei no vasto azul, com 9 anos, soube que era aquilo que queria fazer para o resto da vida”, afirmou João Rodrigues, atleta da prancha à vela, natural da madeira, que tem o registo de mais participações lusas nos Jogos Olímpicos, sete, de Barcelona, Espanha, em 1992, ao Rio de Janeiro, no Brasil, em 2016.

Campeão do mundo em 1995 e vice em 2008 e campeão da Europa em 1996, 1997 e 2008, o interesse de João Rodrigues pela vela e pelo mar surgiu de forma peculiar. Estranhamente, foi o genérico da telenovela brasileira “Água Viva”, dos anos 80, que o cativou. “E resultou numa vida em pleno de significado”, confessou.

Mais do que títulos e galardões, a maior conquista do atleta não é materializada em simples taças ou medalhas. É algo maior. “Sempre quis velejar na perfeição. E acho que o faço. Esse foi o melhor prémio da minha carreira. E não é ser presunçoso. É, simplesmente, uma coisa natural.”

Para João Rodrigues, “o mar do mundo” é a sua casa. A determinada altura da carreira, os Jogos Olímpicos cruzaram-se no percurso desportivo. Recorda que, para Barcelona, classificou-se “in extremis”. Desde então, por sete ocasiões e até à competição deste ano, nunca mais falhou uns Jogos.

“Demorei 28 anos a perceber o que realmente significava participar nos Jogos Olímpicos. Percebi este ano, no Rio de Janeiro”, confessou o atleta, que foi porta-estandarte da Missão Olímpica Portuguesa no Brasil. “Foi um sentimento indiscritível e que culminou com o cair do pano de uma carreira com 35 anos.”

Na intervenção “A Experiência da Vela de Alta Competição com a presença em sete Jogos Olímpicos – de Barcelona 1992 ao Rio 2016”, o velejador partilhou ainda com o público que encheu o Fórum Municipal Luísa Todi recordações de infância e dos primeiros tempos em cima de uma prancha.

“O primeiro desafio, aos nove anos, foi fazer um pequeno percurso com cerca de trezentos metros, até a um pequeno ilhéu na Madeira. Demorei um ano até conseguir”, recordou. A partir daí foi sempre a somar conquistas, cada uma mais ambiciosa do que a outra e sempre com a mesma filosofia.

Na prancha à vela fez pequenos percursos na Madeira, nos Açores e também em Portugal continental e em vários locais da Europa. A maior superação aconteceu em 2011, com o velejador a cruzar, ao longo de dez horas consecutivas, as 163 milhas náuticas que unem a Madeira às Ilhas Selvagens.

Em Setúbal, João Rodrigues apresentou ainda o documentário “Entre o Vento e o Mar”, sobre aspetos da vida e carreira, e deixou um elogio a João Cabeçadas. “É um cidadão do mundo e uma referência no desporto. Devem ter orgulho neste setubalense”, afirmou.

As experiências surpreendentes continuaram com João Cabeçadas, que partilhou o percurso profissional no tema “A Vela Oceânica de Alta Competição e a Experiência como Membro da Equipa Suíça ‘Alinghi’ de Vela de Alta Competição – catamarãs em hydrofoils”.

O Clube Naval Setubalense foi a escola de João Cabeçadas. Aprendeu a velejar com o pai, atividade que conciliou sempre, em competição e pelo simples lazer, com os estudos académicos. Na Escola Náutica Infante D. Henrique tirou o curso de pilotagem e, durante largos anos, esteve ligado à marinha mercante.

Na vela oceânica, com a equipa suíça Alinghi, participou na Volvo Ocean Race, na America’s Cup, na qual se sagrou duas vezes campeão, e atualmente compete na Extreme Sailing Series, prova na qual tem como adversário o amigo João Rodrigues, membro da Sail Portugal – Visit Madeira.

Na apresentação, João Cabeçadas revelou aspetos que fazem da vela oceânica um desporto surpreendente. Na Volvo Ocean Race, competição que dá a volta ao mundo, há etapas de 35 dias, dia e noite a bordo das embarcações, com um conjunto de constrangimentos que constituem uma autêntica superação.

“A comida é desidratada, para não pesar tanto. A água que consumimos, para beber e cozinhar, provém de um processo de osmose que transforma a água salgada em doce”, partilhou o atleta. A prova é difícil e exige preparação física e mental. “O medo existe e está lá para nos proteger. O pânico é o verdadeiro inimigo”, afirmou.

Conta com 16 travessias do Atlântico, três do Índico e duas do Pacífico. Participou em três voltas ao mundo em vela. Atualmente, integra a equipa de terra do Alinghi, vencedora das 31.ª e 32.ª edições da America’s Cup e concorrente na Extreme Sailing Series – catamarãs em hydrofoils.

A nova aventura na carreira, na Extreme Sailing Series, é aliciante. “São embarcações mais pequenas mas extremamente rápidas, atingindo facilmente os 30 nós. Literalmente voam sobre o mar. Poucas embarcações conseguem atingir aquelas velocidades”, adiantou o atleta.

Aos jovens presentes no Fórum Municipal Luísa Todi deixou um conselho. “Façam desporto e persigam os vossos sonhos. Mas nunca abandonem os estudos. O conhecimento académico é para sempre”, afirmou João Cabeçadas, natural de Setúbal, o mais internacional dos navegadores portugueses.

Igualmente no dia 11, ao final da tarde, João Rodrigues e João Cabeçadas foram homenageados pela Câmara Municipal de Setúbal, iniciativa no âmbito da Cidade Europeia do Desporto 2016 à qual o Comité Olímpico de Portugal se associou, em cerimónia realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

“Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016 tem o privilégio de homenagear dois dos maiores atletas nacionais, um setubalense, João Cabeçadas, e um madeirense, João Rodrigues, ambos detentores de diversos títulos mundiais, europeus e nacionais”, destacou o vereador com o pelouro do Desporto na Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina.

O autarca destacou a importância dos atletas para o desporto e salientou marcos dos currículos dos velejadores. “João Cabeçadas é considerado o velejador português com maior número de viagens oceânicas na vela de alta competição, enquanto João Rodrigues é o atleta português com mais participações em Jogos Olímpicos.”

Na cerimónia, que contou com a participação da vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal e patrona de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016, Rosa Mota, o vereador agradeceu “o grande contributo” dos dois atletas para o “desenvolvimento do desporto em Setúbal”.

Pedro Pina enfatizou este contributo surge num ano em que o município está “particularmente focado em tudo fazer para chamar a atenção para a importância da prática da atividade física e desportiva, para a qualidade de vida e para o desenvolvimento harmonioso e equilibrado do indivíduo e da sociedade”.

A homenagem contou ainda com a presença, entre outros, do diretor da Federação Portuguesa de Vela, António Peters, do presidente do Clube Naval Setubalense, Hugo O’Neill, do presidente do Clube de Vela do Sado, António Santos, e do diretor da Associação do Atletas Olímpicos de Portugal, Nuno Barreto. 

No mesmo dia, de manhã, os velejadores participaram na iniciativa “Embaixador Vai à Escola”, com João Cabeçadas a partilhar as venturas e desventuras pelos mares e João Rodrigues a explicar como é ser o português com mais presenças nos Jogos Olímpicos a mais de mil crianças de escolas de Setúbal e de Azeitão.

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