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A deserção do poeta

A 25 de fevereiro de 1789, Bocage foi promovido a tenente de Infantaria da 5.ª Companhia da Guarnição de Damão, onde chegou a 6 de abril desse ano. Ali se manteve durante dois dias, tendo desertado, na companhia do alferes Manuel José Dionísio, por não suportar a insipidez de uma deserta guarnição militar.

De Damão, Bocage fugiu para Macau. Não se sabe ao certo quando ali chegou e quanto tempo demorou a sua estada. Uma das questões que ainda hoje se levanta é o que motivou, ao certo, Bocage a partir para Macau. Talvez para percorrer os mesmos lugares que Camões conhecera.

Em Macau, valeu a Bocage o governador Lázaro da Silva Ferreira, que não o denunciou pela sua deserção, e o negociante Joaquim Pereira de Almeida, que o acolheu e o apresentou à sociedade macaense.

No entanto, as saudades da sua pátria, dos amigos e dos amores fizeram com que o poeta regressasse a Portugal, chegando a escrever: “Mais duro fez ali meu duro fado / Da vil calúnia a língua viperina [Goa]; / Até que aos mares da longínqua China / Fui por bravos tufões arremessado.”

Em agosto de 1790, Bocage entrava na barra do Tejo.

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