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Ana de Castro Osório (1872-1935)

Ana de Castro Osório, escritora e militante dos direitos das mulheres, nascida em Mangualde, em 18 de junho de 1872, mas setubalense por opção, morreu em 23 de março de 1935, deixando vasta obra literária.

Casada com Paulino Oliveira – também escritor e poeta – dedicou-se à literatura para crianças, embora também tenha escrito para adultos vários romances, novelas, comédias e contos.

Alguns destes textos foram traduzidos para castelhano, francês e italiano, enquanto outros estão dispersos por jornais e revistas portugueses e estrangeiros. “Para Crianças” é o título de uma coleção editada por ela composta por 18 volumes.

Desenvolveu atividade a favor dos direitos das mulheres, colaborando, com Afonso Costa, na elaboração da Lei do Divórcio.

Na luta pela emancipação feminina publicou, em 1905, “Às Mulheres Portuguesas”, seleção de vários artigos escritos para jornais e revistas.

Neste volume, de 250 páginas, aponta o trabalho como “passo definitivo para a libertação feminina”, aconselhando as mulheres a não fazer do amor o “ideal único de existência” e a serem “criaturas de inteligência e de razão”.

Da rapariga da época faz um retrato contundente: “Não tem opiniões para não ser pedante, não lê para não ser doutora e não ver espavoridos os noivos.”

Na luta contra o sexismo, reclama para “igual trabalho, igual paga”, consciente de não haver “nada mais justo, nada mais razoável, do que este caminhar seguro, embora lento, do espírito feminino para a sua autonomia”.

Escreveu, também, para a revista “Sociedade Futura” e esteve na criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e da Cruzada das Mulheres Portuguesas, que tinha por objetivo ajudar os soldados que participaram na I Guerra Mundial, bem como as famílias.

Como reconhecimento, a Liga dos Combatentes da Grande Guerra tem no salão da sede, em Lisboa, um busto dela em bronze.

Militante ativa, juntamente com o marido, na luta pela implantação da República, foi presidente da Escola Liberal de Setúbal.

Num tempo em que as mulheres tinham poucos ou nenhuns direitos cívicos, foi a única a participar num Congresso Municipal em Évora, ao qual apresentou uma tese.

Condecorada pela República com a Ordem de Santiago, recusou a distinção. O Estado Novo concedeu-lhe a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.

Fonte principal: “Setubalenses de Mérito – 120 fotografias”, João Francisco Envia

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