
Desde que deixou Setúbal para estudar na capital portuguesa, Bocage preferiu a convivência nos botequins e foi no Café Nicola e no Botequim das Parras, na Baixa Pombalina, que encontrou o estimulante ambiente para o desregramento, para uma vida boémia.
Nesses primeiros anos em Lisboa, os seus versos estão cheios de alusões a nomes de damas. Neles, o poeta galanteava mulheres, poetizando de uma forma bucólica, aproximando-se do “espírito” camoniano.
Bocage entregou-se fervorosamente ao meio literário e aos costumes que dominavam a cidade lisboeta.
As “modinhas” brasileiras, pequenas composições líricas cantadas à viola, desde as reuniões de família, até ao convívio nos botequins, estavam no seu maior fervor na época. Todos os poetas davam letras para estas árias e Bocage não foi dos menos pródigos, apesar de mais tarde vir a detestar a paixão pelas “modinhas”.
Também o “lundum” era tocado nos salões da sociedade burguesa na segunda metade do século XVIII. Tratavam-se de composições fáceis que tornavam reconhecido o talento de Bocage.
Bocage engrenava numa vida solta, com os seus numerosos amores celebrados nos versos. De igual forma a repentina paixão pela popularidade resultou numa vida artificial na época em que foi para Lisboa. O poeta viveu à sombra das casas nobres à maneira dos bobos da Idade Média.
A vaidade ingénua de Bocage, pela sua precocidade poética e pelos seus desgostos amorosos, levou-o a procurar analogias com Camões. Uma delas a partida para o Oriente.



















































