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Luísa Todi (1753-1833)

"La Didone Abbandonata" foi a ópera, entre todas as que cantou, na qual Luísa Todi alcançou maior êxito.

Luísa Todi nasceu em Setúbal, na freguesia de Nossa Senhora da Anunciada, a 9 de janeiro de 1753, na atual Rua da Brasileira, não criando grandes raízes na cidade, pois os pais mudaram-se para Lisboa ainda ela era de tenra idade.

Luísa Rosa de Aguiar, nome de solteira, estreou-se, ainda como atriz, em 1767 ou 1768, no teatro montado na propriedade do Conde de Soure, em Lisboa, recitando, com a irmã, as falas das personagens de Tartufo, de Molière.

Foi, também, aí que Luísa Aguiar conheceu Francesco Saverio Todi, violinista de origem italiana.

Em 28 de julho de 1769, com apenas 16 anos de idade, Luísa casou com Todi, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, indo habitar no Pátio do Conde de Soure, perto do Teatro.

Um ano após o casamento, atuou no mesmo teatro, onde se estreou como atriz, mas, desta vez, como cantora, na ópera "Il Viaggiatore Ridicolo", de Guiseppe Scolari. A partir desse momento, a carreira de Luísa Todi tomou outro rumo, apresentando-se logo no ano seguinte em Londres.

A 6 de junho de 1772 atuou no Porto, cantando árias do compositor David Perez, mestre da Capela Real, passando a ser, figura de relevo na sociedade nortenha.

As críticas dos jornais, mesmo os estrangeiros, em relação à cantora não eram modestas, elogiando as capacidades vocais, o relevo que dava à expressividade e à emoção na caracterização das personagens que interpretava.

Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena, São Petersburgo foram algumas das cidades em que Luísa Todi passou largas temporadas, alcançando consideráveis êxitos. Nessas ocasiões, conviveu de perto com a aristocracia europeia, como foi o caso de Frederico II da Prússia e Catarina II, imperatriz da Rússia.

Até 1793 andou em tournée pela Europa e foi já com 40 anos de idade que voltou a Portugal para cantar nas festas da filha primogénita do príncipe regente, futuro D. João VI.

Este espetáculo foi uma exceção em Portugal, visto que D. Maria proibira as mulheres de atuarem em público. Apesar da autorização, a família real não esteve presente, nem a atuação de Luísa Todi foi devidamente referenciada.

Talvez por isso, pelas limitações impostas em Portugal, regressou ao estrangeiro, voltando a Portugal, mais concretamente ao Porto, em 1803, já viúva.

Com as invasões francesas, em 1809, Luísa Todi viu-se forçada a abandonar o Porto, perdendo, na fuga, grande parte dos bens, entre os quais se contavam joias.

Em 1811, quando regressou a Lisboa, já era uma mulher amargurada, em parte pela morte de alguns dos seis filhos e por uma das filhas ter sido internada no Recolhimento de Rilhafoldes, destinado a doentes mentais.

Em 1813, Luísa Todi viveu na rua do Tesouro Velho, hoje, rua António Maria Cardoso, e mais tarde mudou-se sucessivamente para as ruas da Barroca e da Atalaia, Largo de S. Nicolau e Travessa da Estrela, onde morreu, em 1 de outubro de 1833, com 80 anos de idade, cega devido a uma doença que tinha desde nova.

Glorieta a Luísa Todi

A glorieta de Luísa Todi, que se encontra na avenida do mesmo nome, em frente do edifício do Governo Civil, foi inaugurada por ocasião do centenário da morte da cantora no antigo Parque das Escolas, hoje Largo José Afonso.

O monumento, posteriormente  deslocado para a Avenida Luísa Todi, onde se encontra, foi desenhado por Abel Pascoal, esculpido por Leopoldo de Almeida e construído por Abílio Salreu.

 

Fontes: “Cantores de Ópera Portugueses, 1.º volume”, Mário Moreau; “Setúbal e as suas celebridades”, Fran Paxeco; “Setúbal no Século XVIII. As informações paroquiais de 1758”, Rogério Peres Claro Publicação Câmara Municipal de Setúbal, 2000

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