
Por amor ou por querer seguir o trajeto” de Camões, Bocage rumou para o Oriente. Em Setúbal deixou Gertrúria, em Goa enamorou-se por Manteigui. Com tanto desalento que por lá encontrou, virou costas à vida militar e desertou.
Tal como Camões, Bocage rumou para o Oriente. Corria o ano de 1786 quando saiu um despacho do Conselho Ultramarino nomeando Bocage guarda-marinha da Armada do Estado da Índia.
Ao partir para a Índia, Bocage renunciou ao amor. Apesar de nos primeiros anos na capital ter galanteado “Elmiras”, “Jónias” e tantas outras, Bocage amava Gertrúria, a avaliar pelo número e fervor dos versos em que a evocava. No entanto, existe a dúvida se Gertrúria era o anagrama de Gertrudes, filha do brigadeiro João Homem da Cunha d’Eça, comandante das tropas do Outão da barra da vila de Setúbal, com quem o irmão de Bocage, Gil Francisco, viria a casar em 1791.
No seu livro “Bocage, o perfil perdido”, Adelto Gonçalves refere que “não há nenhuma prova de que, algum dia, os irmãos Gil Francisco e Manuel Maria tenham entrado em divergências por causa do amor da filha do brigadeiro”.
Contudo, subsiste a dúvida se o facto de amar a mulher que mais tarde viria a ser sua cunhada teria levado Bocage a partir para o Oriente.
“Seja como for, a verdade é que não há uma só estrofe em que o poeta se refira ao irmão, bem ou mal”, sublinha o autor.



















































