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Alameda das Palmeiras - pintura de novo mural - 2019

Uma empena do edifício de A Nossa Casinha, na Alameda das Palmeiras, ostenta um mural de arte urbana inspirado no crescimento social e educativo dos jovens deste bairro da zona da Bela Vista.


À entrada da Alameda das Palmeiras saltam de imediato à vista as cores de um retrato de duas crianças, pintado na parede de um edifício. Uma rapariga, sentada de pernas cruzadas, com um livro aberto no colo, um rapaz a brincar com peças de lego.

A imagem das duas crianças na empena do edifício de A Nossa Casinha, polo de desenvolvimento de atividades sociais, lúdicas e educativas, destinadas essencialmente a crianças e jovens e a idosos, com o objetivo de a combater o isolamento da população sénior, deu uma nova conotação ao espaço, tornando-o mais acolhedor e dinâmico.

A obra foi pensada pela Comissão de Moradores de A Nossa Casinha e, posteriormente, apresentada e aprovada na sessão plenária do 4.º Encontro de Moradores Nosso Bairro, Nossa Cidade.

O mural tem a assinatura do Projeto Matilha e foi executado com recurso à técnica de graffiti, com spray sobre acrílico, com perto de uma centena de latas de tinta cedidas pela associação artística Riscas Vadias e pela Câmara Municipal de Setúbal.

Para o artista Ricardo Romero, do Projeto Matilha, a escolha da representação de figuras humanas no novo mural da Bela Vista justifica-se com as ideias que os moradores têm para o futuro do bairro, que são o crescimento e a vida. “As crianças são o futuro e os legos são a construção desse mesmo futuro.”

Na pintura da tela, que tem ainda patente as questões da pedagogia e da importância da educação na construção da cidadania, Ricardo Romero contou com a mão de Fábio Colaço, artista que assina com o alter ego Robot.

Quem passa agora pela Alameda das Palmeiras não fica indiferente à nova arte executada na parede, com cem metros quadrados de área total. A intervenção contou ainda com a participação ativa dos moradores no apoio ao trabalho.

Francisco Rosário, conhecido pelos vizinhos como “O Ti Chico”, é um dos moradores mais conhecidos da Alameda. Oitenta e quatro anos, reformado, conta com orgulho como tem visto acontecerem as melhorias no bairro e como “agora tudo está melhor, mais seguro e mais bonito”.

Qual mestre, avalia a obra. “Tenho vindo aqui todos os dias. Está lindo, bem feito”.  E sugere: “Mas para vermos melhor temos de nos afastar. De perto não é a mesma coisa. Ali, do outro lado da rua, é que se vê como está o serviço bem feito”.

A nova tela de arte urbana da Alameda das Palmeiras junta-se aos nove murais criados em 2017 no Bairro da Bela Vista, no âmbito do projeto Cara ou Coroa – Street Art Festival, evento que desafiou artistas portugueses e estrangeiros na pintura de fachadas daquele bairro da cidade.

Os murais pintados em empenas e fachadas de edifícios selecionados abordam diferentes temáticas, como relação intergeracional, natureza, igualdade e multiculturalidade, próprias do programa Nosso Bairro, Nossa Cidade, em desenvolvimento nos cinco bairros da área da Bela Vista.

A Nossa Casinha, que este mês assinalou três anos de portas abertas, está instalada num rés do chão do número 33 da Alameda das Palmeiras. É um espaço com quatro divisões, cedido pela Câmara Municipal aos moradores, e afirma-se como um polo de concentração de diferentes valências culturais e sociais, gerador de novas dinâmicas para os residentes.

A par das atividades realizadas com regularidade junto de crianças e jovens, uma das zonas de convívio existentes no espaço é destinada aos idosos, a ações na área da saúde e a reuniões de moradores. Tudo isto sob a responsabilidade dos munícipes, com o apoio da autarquia.