“A revolução digital e a expansão da designada sociedade do conhecimento colocam à escola atual novos desafios, sobretudo no sentido de dotar os jovens de um conjunto de saberes capazes de responder às expectativas da sua vida pessoal, social e profissional”, salientou o vereador com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina, na sessão de abertura do encontro.

“Biblioteca Escolar: Desafios para o Sucesso” é o tema da sexta edição do evento, que decorre até dia 31 no auditório da Escola Secundária Dom João II, organizado pelo Grupo de Trabalho das Bibliotecas Escolares do Concelho de Setúbal, com o apoio da autarquia e da Rede de Bibliotecas Escolares.

O objetivo é dar contributos para repensar o sucesso em ambientes de aprendizagem, bem como analisar a escola à luz dos novos normativos e refletir sobre a biblioteca como espaço inovador para o desenvolvimento das literacias.

Perante um auditório cheio de professores e técnicos ligados às bibliotecas escolares, o vereador Pedro Pina agradeceu a disponibilidade e o empenho de todos na partilha de conhecimentos e experiências que “serão uma mais-valia para dar respostas mais eficientes aos desafios que os profissionais enfrentam diariamente” nestas áreas do conhecimento.

“As bibliotecas escolares preparam-se para um novo paradigma, acrescentado aos seus papéis tradicionais outros como o combate à iliteracia da informação, o desenvolvimento de competências na área das tecnologias, e o da pesquisa de informação recorrendo a fontes em diferentes suportes e em diferentes meios de comunicação.”

Tendo em conta este novo paradigma, as bibliotecas escolares “devem constituir-se como um eixo de inovação pedagógica, saber adaptar-se, recriar-se e experimentar novas metodologias”, no que constitui um conjunto de desafios para os quais “todos os educadores devem procurar novas respostas”.

A sessão de abertura, que se iniciou com um momento cultural protagonizado por Susana Félix no papel da divertida bibliotecária Dona Bé, contou ainda com uma intervenção da coordenadora nacional da Rede de Bibliotecas Escolares, Manuela Silva, que sublinhou o facto de Setúbal ter sido um concelho pioneiro no desenvolvimento de um trabalho em rede nesta área.

“Lembro-me muito bem do primeiro encontro de bibliotecas escolares do concelho de Setúbal, em 1994, quando ainda não existia a Rede de Bibliotecas Escolares. Os professores de Setúbal foram os primeiros a criar um movimento desta natureza no país.”

A responsável salientou a importância do tema do VI Seminário das Bibliotecas Escolares do Concelho de Setúbal tendo em conta que, “num mundo em constante mudança, a escola tem de saber adaptar-se, melhorar práticas e consolidar saberes para preparar as crianças e os jovens para serem mais ativas e interventivas”.

Já o diretor do Centro de Formação de Associação de Escolas Ordem de Sant’Iago, António Canhão, lembrou que a biblioteca escolar “é um espaço privilegiado”, uma vez que, além de fonte de pesquisa, reflexão e leitura, “é uma grande plataforma de encontro em que os projetos educativos ganham vida”.

Após a sessão de abertura, os trabalhos continuaram com a conferência “Sucesso educativo e normativos, como harmonizar?”, com intervenções da coordenadora nacional da Rede de Bibliotecas Escolares e da subdiretora-geral da Educação, Maria João Horta, moderadas pelo diretor da Escola Secundária D. João II.

A primeira manhã do encontro terminou numa mesa-redonda, moderada pela diretora do Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama, Fernanda Oliveira, sobre “Como pensamos a Escola hoje”. Participaram Bárbara Martins, do Agrupamento de Escolas de Castro Verde, Cristina Rocha e Nuno Mantas, do Agrupamento de Escolas Boa Água, a psicóloga Cristina Valente e Gina Lemos, do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho. 

No período da tarde, entre as 14h30 e as 17h00, decorrem as oficinas “A Biblioteca Escolar para a geração digital”, conduzida por Paula Barroca e Pedro Silva, “Trabalhar os Clássicos”, com Maria João Filipe, e “Maletas da Sustentabilidade”, projeto da ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida, dirigida por Cátia Cavaco.

O seminário prossegue no dia 31 com a realização de um novo conjunto de três oficinas, entre as 09h30 e as 12h30.

“Roteiros de Leituras Digitais com ferramentas Google”, por Teresa Pombo, “Quem somos? Ler o nosso Mundo, Escola de Almada”, dirigida por Vânia Cruz, e “Livros Pop-Up”, com José Alberto Rodrigues, são as oficinas previstas.

Um apontamento cultural com o Grupo Santiago Olodum abre os trabalhos da parte da tarde, às 14h30, a que se segue o painel “Sinergias com a Biblioteca Escolar”, moderado pela diretora do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, Dina Fernandes.

Os oradores são Bernardo Gaivão, da Pordata, Susana Colaço, da Khan Academy, João Barreiros, do projeto RTP Ensina, Rui Carlos Fonseca, dos Clássicos em Rede, e João Pedro Costa, da Rádio Miúdos.

Às 16h00, Isabel Mendinhos, da Rede de Bibliotecas Escolares, conduz uma conferência sobre “Literacias e Cidadania no século XX”, moderada pelo diretor da Escola Secundária de Bocage, Pedro Tildes Gomes.

O vereador da Educação da autarquia, Ricardo Oliveira, encerra os trabalhos, às 16h30, numa sessão que conta, igualmente, com uma intervenção do diretor da Escola Secundária D. João II, Ramiro Sousa, e termina com um momento musical com o grupo Tódicos, do Agrupamento de Escolas Luísa Todi.

O seminário, de participação gratuita, é acreditado como ação de curta duração, num total de 12 horas, para professores pelo Centro de Formação da Associação de Escolas Ordem Sant’Iago.