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Ateliers de Verão 2019 - voleibol de praia

Cerca de cinco centenas de crianças, jovens e população sénior do concelho participam nos Ateliers de Verão 2019, iniciativa de ocupação dos tempos livres promovida pela Câmara Municipal de Setúbal, a decorrer até dia 26.


A vigésima terceira edição dos Ateliers de Verão proporciona, em tempo de férias, perto de meia centena de oficinas lúdicas e pedagógicas, de participação gratuita, destinadas a crianças e jovens, entre os 6 e os 18 anos, e aos munícipes com mais de 65 anos.

Danças, artes plásticas, cinema, teatro e informática são as propostas dirigidas à população sénior, numa iniciativa, que, além de promove a ocupação das férias letivas, alia momentos de aprendizagem, diversão e troca de conhecimentos entre gerações.

Já os mais novos podem experienciar cerca de quarenta atividades diferentes, como canoagem, natação, paddle, futebol, remo, voleibol de praia, capoeira, taekwondo e triatlo, entre outras modalidades desportivas, bem como cinema, teatro, danças e artes plásticas.

As atividades ao ar livre, na zona ribeirinha da cidade, como remo, canoagem, paddle e voleibol de praia, que este ano marca presença, pela primeira vez, nos Ateliers de Verão, são algumas das mais procuradas por crianças e jovens que procuram viver novas experiências durante as férias letivas.

Júlio Amândio e João Chalaça, do Remo Clube Lusitano, começam por dar algumas noções sobre as técnicas necessárias para uma correta colocação do barco a remos na água e para adoção da postura adequada.

Os oito participantes no atelier desta terça-feira, com idades entre os 9 e os 15 anos, ouvem com atenção e seguem depois o monitor para as traseiras do Centro Náutico Municipal, local onde estão armazenadas as embarcações.

“Agora vamos testar a colocação na água. Como deve ser feita?”, questiona Júlio.

“Os braços vão à frente, de seguida colocamos as costas e, por fim, os joelhos”, responde o pequeno José Silva, 10 anos.

“Muito bem. Não se esqueçam também que a cabeça tem de estar o mais alta possível para uma postura correta”, adverte Júlio.

Está na hora de levar o barco até à linha de água e todos se apressam, pois o entusiasmo é grande.

Júlio dá as últimas indicações antes da saída para o rio.

“Hoje, vamos para aquele lado”, avisa apontando para a zona da Mitrena. “Alguém sabe porquê?”

“Porque a maré está a vazar e depois puxa-nos para este lado”, responde José.

O monitor anui e os rapazes colocam os remos nas embarcações para que Gaspar e Gonçalo Brito façam a primeira saída do dia.

“Gaspar, a mão esquerda tem de estar em cima”, grita João Chalaça para o rapaz de 11 anos, enquanto José e Paulo esperam ansiosos pela sua vez.

Após um percurso de poucos metros, os monitores ordenam a Gaspar e a Gonçalo que regressem para que todos possam ter oportunidade de experimentar o barco a remos e um após outro vão saindo para o rio.

Ali ao lado, no campo de voleibol do Parque Urbano de Albarquel, Carolina Lopes pergunta a 13 crianças e jovens, entre os 6 e os 18 anos, se sabem o que é a “manchete”.

A monitora posiciona-se para exemplificar e um grupo de três rapazes sorri quando percebe que um colega não acertou à primeira.

Não é assim, Zé”, alertam, mostrando como deve ser feita a técnica mais utilizada no voleibol de praia.

Depois de aprenderem outras técnicas importantes, Carolina quer treinar o ataque e divide o grupo em três equipas.

Entre as raparigas, Maria Inês é a primeira a assumir a posição de atacante e a bater a bola que as colegas vão defendendo com a técnica da manchete.

“Maria Inês, o pé esquerdo vais sempre à frente. Quanto à manchete, os braços têm de estar sempre esticados e não dobram!”, avisa Carolina.

Também às terças e quintas, na Sociedade Musical Capricho Setubalense, decorre uma atividade que é sempre das mais concorridas nos Ateliers de Verão.

Os ritmos do hip hop invadem o atelier conduzido por Sónia Ribeiro, onde crianças e jovens, dos 13 aos 18 anos, aprendem a fazer os habituais poppings, lockings, break dance e ragga.

A cumplicidade entre os participantes é visível, pois muitos já são veteranos neste atelier em que o enfoque é potenciar a conjugação entre a coordenação motora, com ritmo e musicalidade, e os movimentos fortes e enérgicos, saltos e movimentos acrobáticos.

“Eles próprios escolheram um nome para o nosso grupo de dança. Somos os Loosing Control”, refere com orgulho a monitora.

Após um curto intervalo, Sónia ordena o regresso ao trabalho. “Vamos ensaiar, meninos?”

A música “We will rock you”, dos Queen, marca a parte inicial da coreografia que será apresentada no espetáculo da festa de encerramento da vigésima terceira edição dos Ateliers de Verão.

Os jovens parecem saber bem os passos e estão em sintonia, o que deixa a monitora satisfeita. “Perfeito! Vamos passar para outra parte.”

Sónia sobe ao palco para exemplificar como devem ser feitos os novos movimentos, mas, após uma primeira tentativa, não está convencida e para a música. “

“Vamos fazer tudo de novo?”, pergunta um membro dos Loosing Control.

“Não, só a partir da parte nova.”

Seguem-se mais três ou quatro tentativas, até que a nova parte da coreografia está afinada.

É hora do aquecimento final, essencial para evitar lesões após o exercício, mas o atelier não termina sem o habitual grito de motivação.

“Quem somos nós?”, pergunta Sónia. “Loosing Control!”, respondem em uníssono.

Na fábrica dos brinquedos, na EB do Viso, Sara Rodrigues e Flávio, da Ágora Creators, ajuda um grupo de sete raparigas, entre os 6 e os 14 anos, a construir uma boneca sempre em pé.

Elas cortam círculos no cartão e depois colam berlindes no interior de uma meia bola de plástico, que é a base da boneca.

“Este não ficou lá muito bom”, lamenta a pequena Inês, mostrando um círculo meio torto a Flávio, que a tranquiliza. “Não faz mal. O próximo sai melhor.”

Sara mostra como usar a cola quente, mais indicada para colar os berlindes, e Alice sente alguma dificuldade. “Ai, faz doer os dedos.”

Aos poucos, vão dando os últimos retoques e sete pequenas bonecas surgem na mesa para provar que, com recurso a alguma imaginação e à reutilização de materiais, como paus de gelados e restos de tecidos, é possível improvisar uma fábrica de brinquedos.

Os Ateliers de Verão 2019 incluem atividades de ocupação das férias letivas em vários locais da cidade, organizadas pela Câmara Municipal de Setúbal com diversas parcerias, que aliam momentos de aprendizagem, de diversão e de troca de conhecimentos entre gerações.

No ano passado, o projeto proporcionou quatro dezenas de oficinas, num total de 919 horas, a 529 participantes, entre crianças e jovens, dos 6 aos 18 anos, e seniores.