68.º aniversário do Grupo Desportivo Os Amarelos - presidente da Câmara, André Martins, com o presidente do clube, Nuno Soares

O presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, destacou na noite de 1 de março, nas comemorações do 68.º aniversário do Grupo Desportivo Os Amarelos, a importância do movimento associativo popular, que esteve na base da transformação da sociedade.


O autarca destacou o “papel importante que Os Amarelos têm tido no futebol, na área da formação”, revelou ter-lhe sido dito “que têm opções de ir mais além” e garantiu que os dirigentes do clube “podem contar sempre, como têm contado até agora”, com o apoio da Câmara Municipal.

“O movimento associativo popular é o sal da nossa vida coletiva. Quando estamos a comemorar os 50 anos do 25 de Abril, é sempre importante recordar que foi este movimento associativo popular que fez a base de uma transformação que viria a ser operada na nossa sociedade”, afirmou o presidente da Câmara na sessão solene realizada na sede do clube, no Bairro Santos Nicolau, em Setúbal.

André Martins recordou que, antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, “era nas coletividades que as pessoas conviviam, que refletiam sobre a sua vida pessoal e coletiva e também sobre a situação política”, e salientou a importância de atrair “sangue novo” para o movimento associativo, para que “continue a ter o seu papel determinante na base do desenvolvimento da sociedade e da formação de cidadãos de corpo inteiro”.

O autarca disse que em Portugal há organizações das coletividades a nível local, distrital e nacional “que procuram manter estas tradições e manter bem viva a importância do movimento associativo”, mas considerou “fundamental” que o poder político legisle para haver “incentivos” para os dirigentes associativos e, assim, se poder atrair os jovens.

“É importante que todos trabalhemos no sentido de que venham a ser criadas as condições para que haja novos dirigentes associativos. É esse o grande desafio que temos pela frente”, sublinhou.

O presidente da Câmara notou que, “infelizmente”, o movimento associativo “não tem sido devidamente apoiado por instâncias de âmbito nacional” e é o Poder Local que “está próximo” das coletividades, gerando-se aí “essa maior dinâmica”.

De acordo com André Martins, “o papel importante do movimento associativo” na sociedade portuguesa “é um tema central que mereceria ser discutido e avaliado, para reconhecimento de todos estes homens e estas mulheres que retiram tempo à sua vida pessoal e familiar para dedicar em benefício dos outros”, atitude que classificou como “cidadania”.

O objetivo é, segundo o autarca, dar “cada vez mais força ao movimento associativo”, uma vez que está “plenamente convencido” de que assim a sociedade pode ser “melhor e mais justa”, pois nas coletividades aprende-se “a viver, a conviver e a reconhecer as dificuldades dos próximos”.

O presidente do Grupo Desportivo Os Amarelos, Nuno Soares, considerou que 68 anos “é uma bonita idade para uma instituição que muito tem feito pelo desporto, cultura e recreio” da comunidade da qual faz parte.

“Trabalhamos com muitos jovens que, por motivos financeiros, não poderão pagar o valor da mensalidade para praticar o desporto que mais gostam, o futebol. Muitos, se não fosse o Grupo Desportivo Os Amarelos não teriam essa possibilidade”, salientou.

Nuno Soares sublinhou que no clube trabalha-se “por princípios e com valores, como os da igualdade de oportunidades e solidariedade com o próximo”, e é praticada a “fraternidade na comunidade” em que está inserido.

Fundado em 1 de março de 1956, o Grupo Desportivo Os Amarelos conta atualmente com 510 sócios e tem cerca de 100 atletas no futebol de formação, seis no atletismo, dez na pesca desportiva, 22 no futebol de veteranos e vai abrir uma secção de aikido.

O presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos, afirmou ser “um orgulho imenso” ter na freguesia o Grupo Desportivo Os Amarelos, um clube que “nunca negou as suas humildes origens, nomeadamente as piscatórias”.

Após sublinhar que o clube se insere “numa zona tradicional” que é um verdadeiro “viveiro de jovens atletas”, o autarca observou que o Grupo Desportivo Os Amarelos “tem sempre conseguido transportar a mensagem dos valores morais e éticos para a vida social e desportiva dos atletas”.

O presidente da Associação de Futebol de Setúbal, Francisco Cardoso, considerou que o Grupo Desportivo Os Amarelos “é um clube vivo da cidade de Setúbal”, agradeceu à sua direção “por este ano ter entrado no processo de certificação” de entidade formadora e disse que o facto de ter uma centena de atletas inscritos na associação distrital “é sinal do bom trabalho desenvolvido”.

Carlos Anjos, conselheiro nacional da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, sublinhou que o Grupo Desportivo Os Amarelos é uma “coletividade perfeitamente inserida na comunidade, com uma ligação muito próxima com o bairro”, e que faz questão de estabelecer parcerias com outras entidades e coletividades.

“Coletividades como esta são autênticas escolas de cidadania, de aprendizagem democrática”, disse, salientando que isso é conseguido através do estabelecimento de consensos.

A delegada regional de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto Português do Desporto e da Juventude, Eduarda Marques, entregou ao clube a Bandeira da Ética, que reconhece e certifica o seu trabalho no âmbito da promoção dos valores éticos através do desporto.

Na cerimónia foram ainda distinguidos os associados com 25 e 50 anos de filiação, bem como os sócios de mérito e os sócios beneméritos.