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Os utilizadores das Hortas Urbanas de Setúbal, criadas pela Câmara Municipal, estão a desenvolver uma campanha solidária de entrega de bens a instituições e pessoas carenciadas, no âmbito da qual convida a população em geral a envolver-se nas doações.

Semear, plantar, tratar, florescer, colher. Antes da pandemia de Covid-19 eram estas as palavras de ordem para o grupo de mais de uma centena de hortelões que integram as Hortas Urbanas de Setúbal, localizadas nos Viveiros Municipais das Amoreiras. Em plena crise provocada pelo coronavírus, acrescentaram mais um verbo. Doar.

Os horticultores lançaram uma campanha solidária para ajudar instituições sociais e pessoas e famílias de que mais precisam, em tempos de pandemia, com a entrega de bens essenciais e de material de proteção.

“Infelizmente, neste momento estamos todos a passar por dificuldades. Há famílias a ficarem mais pobres, muitas delas sem meios de subsistência. É a pensar nelas que lançamos este desafio”, afirma João Seia, envolvido no projeto, a par de Fernando Pinheiro, Isidro Patrício, Joana Patrício e Octávio Martins.

Iniciado no dia 24 de abril, o projeto solidário surgiu da preocupação dos utilizadores das hortas comunitárias com a atual situação provocada pela pandemia de Covid-19, que tem levado à quebra de rendimentos em muitas famílias.

Para responder a essa preocupação, colocaram à entrada dos viveiros, junto da vitrina de informações, caixas para que cada um possa deixar produtos recolhidos nas hortas, além de bens alimentares e de higiene e máscaras de proteção reutilizáveis em tecido.

João Seia diz que a adesão da comunidade a este projeto está a ser “boa” e espera poder dar resposta às inúmeras necessidades de instituições de solidariedade social e de pessoas e famílias mais carenciadas, com perda de recursos devido à pandemia.

“Cada um está a tentar ajudar como pode. Apelamos também que a população possa contribuir para esta causa”, refere.

Das instalações dos Viveiros Municipais das Amoreiras, já foram recolhidos vinte quilos de legumes, como alho francês, cebolas, alfaces, espinafres, repolhos, batatas, agriões, couves e acelgas, entregues ao núcleo de Setúbal do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA).

João Seia avança que, até ao dia 30, já foram recolhidas perto de duas dezenas de máscaras de proteção reutilizáveis em tecido, doze quilos de arroz, quatro litros de leite e “outros tantos quilos de arroz, massas, esparguete, açúcar e farinha, azeite, cereais, bolachas e diversos enlatados”.

Quer a comunidade de hortelões, como a população em geral pode contribuir para o projeto solidário, fazendo entrega de bens às segundas e quintas-feiras, entre as 08h00 e as 12h00, às terças, das 14h00 às 19h00, ou aos sábados, das 08h00 às 17h00.

Além desta campanha, a comunidade de hortelões tem promovido, todos os anos, outras ações de solidariedade social.

Em dezembro do ano passado, na época natalícia, fizeram a entrega de mais de 40 quilos de bens hortícolas ao Centro Social Nossa Senhora da Paz, da Cáritas de Setúbal.

Criado em 2013, o projeto das hortas comunitárias, que conta atualmente com 138 hortelões, tem como linhas condutoras a promoção da prática da agricultura sustentável e biológica e o estímulo da convivência social.

Além disso, serve, em alguns casos, como um complemento económico para os agregados familiares.

Mais informações sobre as Hortas Urbanas de Setúbal ou sobre a campanha solidária de entrega de bens podem ser esclarecidas junto da Divisão de Espaços Verdes da Câmara Municipal de Setúbal, com o endereço de correio eletrónico diev@mun-setubal.pt, ou pelo contacto do e-mail geral do grupo de hortelões, horteloes138@gmail.com.