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Escolinha da Mercearia - Mercearia Confiança de Troino

A Escolinha da Mercearia, projeto pedagógico desenvolvido pela Câmara Municipal de Setúbal na Mercearia Confiança de Troino, está em funcionamento desde 1 de julho, com ateliers de artes plásticas e visitas guiadas para as escolas do concelho. 


Na Mercearia Confiança de Troino, atualmente cafetaria, loja de produtos regionais e espaço de memória histórica, localizada na Praça Machado dos Santos, mantém-se tudo como em 1926, data em que o proprietário, o “sr. César”, fundou o pequeno espaço comercial que se confunde com a história do bairro do Troino e até do concelho de Setúbal.

“Boa tarde. Bem-vindos à Mercearia Confiança de Troino. Hoje vão aprender como funcionavam as mercearias antigamente e, no final da visita, participam num atelier de artes plásticas. Pode ser?”

O desafio é lançado pela técnica municipal Filipa Escarduça às cerca de quatro dezenas de crianças, com idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos, provenientes da Escola Primária Santa Ana, que esta tarde participaram no segundo dia de funcionamento da Escolinha da Mercearia.

O projeto pedagógico, desenvolvido pela autarquia sadina, visa dar a conhecer o funcionamento destes antigos espaços comerciais de bairro, em comparação com os atuais hipermercados, e enquadrar a Mercearia Confiança de Troino na história do bairro onde está localizada, um dos mais típicos de Setúbal.

As crianças olham curiosas para Filipa, que conta como o “sr. César” veio de Oleiros para Setúbal no início do século XX e fundou, em 1926, a Mercearia Confiança de Troino, que foi reinaugurada a 15 de setembro de 2015, após celebração de um protocolo de cogestão entre o proprietário do imóvel e a Câmara Municipal de Setúbal.

“O filho do sr. César restaurou a mercearia e manteve tudo como era antigamente para dar a conhecer a todos a história do espaço e a importância que teve no bairro”, conta Filipa.

Num dos cantos da loja, apregoam-se “as melhores castanhas piladas de Setúbal”, e a técnica municipal explica como este produto, um dos mais vendidos na mercearia, está ligado à história sadina.

“As senhoras que trabalhavam nas antigas fábricas de conservas passavam muitas horas sem sair para almoçar ou jantar. Então, compravam aqui as castanhas piladas que levavam nos bolsos para comerem ao longo do dia.”

As tulhas de cereais e as medidas despertam a atenção das crianças. “Filipa, isto é para quê?”, pergunta uma menina.

“Aqui tudo se vendia a granel. As pessoas traziam os recipientes de casa e enchiam com a medida pretendida. Hoje, quando vamos ao supermercado, temos de trazer uma caixa com seis ovos e uma garrafa de azeite. Antigamente, podia comprar-se só um ovo ou trazer um frasco e encher apenas metade com azeite.”

Num instante, os pequenos olhos viram-se para o local onde está, imponente, uma grande máquina registadora, “muito diferente das que se usam hoje nos hipermercados”, que marca 100 escudos.

“Sabem qual o valor máximo que esta máquina marcava?”, questiona a técnica municipal.

A resposta surge, em uníssono. “Mil euros!”

“Meninos, na altura não havia euros. Só marcava até 999 escudos que, imaginem, hoje equivale a 5 euros!”

As crianças fazem trejeitos de admiração e seguem Filipa para o armazém, a última paragem da visita.

“Espero que tenham gostado. Agora espero que se divirtam no atelier. Vou levar-vos até lá.”

No atelier, que funciona no mesmo edifício, conduzido pela técnica Odete Lula, as crianças podem dar asas à imaginação em trabalhos de artes plásticas relacionados com a mercearia.

A técnica municipal e os professores dão uma pequena ajuda e os primeiros trabalhos nascem nas mesas de trabalho. Os peixes construídos em cartão, paus de gelado, feijões e grão, entre outros materiais relacionados com a mercearia, são depois entregues aos alunos em cartuchos “como se fazia na venda a granel antigamente”.

A participação, gratuita, na Escolinha da Mercearia, destinada a grupos escolares, está sujeita a inscrição obrigatória através desta ligação.