O Fórum Intermunicipal da Saúde aprovou na 1ª reunião, realizada no dia 16 de dezembro, um apelo ao reforço da capacidade assistencial do Hospital de São Bernardo

O Fórum Intermunicipal da Saúde, reunido no dia 16 de dezembro pela primeira vez, aprovou um documento em que apela ao reforço da capacidade assistencial do Centro Hospitalar de Setúbal e à participação da população numa vigília agendada para 11 de janeiro.


O Fórum Intermunicipal da Saúde é um movimento criado por iniciativa do presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, para exigir respostas para os problemas na área da saúde, com destaque para os do CHS – Centro Hospitalar de Setúbal, a que se associaram os concelhos de Palmela e Sesimbra

Na primeira reunião, realizada no dia 16 no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com a participação dos presidentes das três câmaras municipais, André Martins salientou que com este fórum se dá “um passo decisivo para que a situação do CHS não fique na mesma”.

O autarca recordou o que está na base da constituição deste espaço de debate e de tomada de posições sobre a saúde, o qual “nasce da falta de respostas concretas do Governo ao agravamento dos problemas do Centro Hospitalar, que não se resumem às questões relacionadas com as instalações, sendo necessário reforçar os meios humanos”.

André Martins voltou, igualmente, a insistir na reclassificação do hospital de forma também a permitir a criação de condições para a fixação de profissionais de saúde.

No encontro de 16 de dezembro, que contou também com representantes de comissões de utentes dos três concelhos, do diretor clínico demissionário do CHS, Nuno Fachada, representantes do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica e das Ligas de Amigos do HSB e do Outão, foi aprovado um documento em defesa do reforço da capacidade assistencial do CHS, dos cuidados de saúde primários e do Serviço Nacional de Saúde.

O Fórum Intermunicipal da Saúde propõe a realização de uma vigília junto do Hospital de São Bernardo, no dia 11 de janeiro, pelas 18h00, para a qual apela à participação de utentes e profissionais de saúde.

A exigência da reclassificação do Hospital de São Bernardo, bem como do reforço da contratação de médicos de família, enfermeiros e outros profissionais para os cuidados de saúde primários é o objetivo da ação de protesto.

As unidades que integram o CHS, designadamente Hospital de São Bernardo, Hospital Ortopédico do Outão e o serviço ambulatório de psiquiatria, “têm vindo, desde há muitos anos, a perder capacidade assistencial, o que coloca em sério risco o direito à saúde e a saúde da população da sua área de referência, onde, alem de outros, se integram os concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela”, pode ler-se no apelo do Fórum Intermunicipal da Saúde.

Após vários anos em que profissionais, utentes e autarcas alertaram para as dificuldades e para o agravamento das condições e da sustentabilidade do CHS, em outubro o diretor clínico, Nuno Fachada, que marcou presença na primeira reunião do fórum, apresentou a demissão e contou com a solidariedade da generalidade dos profissionais e responsáveis dos diversos serviços.

“O Centro Hospitalar de Setúbal, em face das carências existentes e com o agravamento da situação pandémica, apresenta cada vez mais dificuldades em responder à população que serve”, salienta o documento.

Deste modo, “diversos serviços essenciais encontram-se em situação de rutura ou na sua iminência”, pelo que, “após diversas promessas, é o momento de o Centro Hospitalar de Setúbal ser reclassificado para o grupo D dos hospitais, ou seja, deixar de ser financiado como um simples hospital distrital e passar a ser uma unidade multidisciplinar”.

Para o Fórum Intermunicipal da Saúde, a reclassificação é fundamental e urgente para travar a fuga de médicos e outros profissionais para o setor privado e para o estrangeiro, por falta de meios, condições de trabalho e valorização profissional e remuneratória.

As obras de alargamento do Hospital de São Bernardo, há muito prometidas, com início previsto para 2022, devem “servir para valorizar, potenciar e alargar os cuidados de saúde prestados”.

O reforço da contratação de médicos de família, enfermeiros e outros profissionais para os cuidados de saúde primários, a par da requalificação e construção de novos centros de saúde, assume-se como “fator decisivo para a garantia da qualidade e para acesso das populações aos cuidados de saúde na região”.

 

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