Céu limpo
A Casa de Emília | Teatro Estúdio Fontenova

O Teatro Estúdio Fontenova estreou, a 6 de novembro, no Fórum Municipal Luísa Todi, “A Casa de Emília”, uma peça que dialoga sobre as mulheres e a indústria das conservas do século XX.


Durante cerca de uma hora e dez minutos, “A Casa de Emília” retrata cenas da vida das trabalhadoras das indústrias conserveiras de várias localidades portuguesas, sobretudo de Setúbal, numa encenação com música ao vivo pelo Coro Setúbal Voz.

Além do espetáculo de estreia, a peça contou com mais duas sessões, realizadas sábado e domingo, com uma recetividade por parte do público que surpreendeu a organização.

“Nestes tempos difíceis, em que a pandemia se agravou, não esperávamos uma tão grande adesão de público. Foi uma surpresa muito boa e reconfortante. As pessoas estão a mostrar que, mais do que nunca, a arte tem de estar presente nas nossas vidas”, sublinha Grazielas Dias, da direção do Teatro Estúdio Fontenova.

Além disso, realça o “carinho e entusiasmo” presentes nas mensagens enviadas à companhia setubalense pelo “público, que, proveniente de vários locais do país, reconheceu o trabalho realizado numa peça que contribui para preservar a memória, neste caso da indústria conserveira”.

“A Casa de Emília”, escrita por Luísa Monteiro exclusivamente para o Teatro Estúdio Fontenova, com encenação de José Maria Dias, aborda questões como a extrema dureza do trabalho, que ia do escamar e cortar ao amanhar e salgar o peixe.

Interpretada por Eunice Correia, Fábio Nóbrega Vaz, Graziela Dias, Sara Túbio Costa e Eduardo Dias, este último em vídeo, a mais recente produção do Teatro Estúdio Fontenova gira em torno de Emília, uma personagem inventada, na casa dos 70 anos, que vai discursando sobre a vida das conserveiras entre os anos 1920 e 1970, abrangendo o período do Estado Novo.

A decadência e o encerramento que algumas fábricas de conservas atravessaram, até à atualidade, são também mencionadas pela personagem, assim como os polos desta indústria que ainda se mantém em Portugal, nomeadamente nas zonas de Aveiro e Olhão.

A peça tem ainda composição musical de Jorge Salgueiro, coreografia por Iolanda Rodrigues, vídeo de Leonardo Silva, sonoplastia de Emídio Buchinho, figurinos de Maria Luís e espaço cénico, desenho de luz e voz off de José Maria Dias.