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Fundada em 1834, a José Maria da Fonseca (JMF) é uma das mais antigas e renomadas empresas de vinhos portugueses, encontrando-se a casa-mãe localizada em Azeitão

Esta é sobejamente reconhecida pela sua tradição e inovação, tanto nos métodos produtivos como no engarrafamento, tudo numa contribuição única para a viticultura no âmbito nacional e internacional. Tal como indica a Revista de Vinhos, num artigo online publicado em 2019, “este é um império que em algumas das suas vertentes apresenta um crescimento anual de 20 por cento e que produz dez milhões de garrafas por ano, distribuídas por mais de 40 marcas”. É entre o legado histórico e o sentido de negócio que se constitui esta história de sucesso.

Historicamente, o fundador, José Maria da Fonseca, recebeu umas terras em Azeitão como pagamento de uma dívida por negócios decorridos em Lisboa, dedicando-os à produção vitivinícola. O seu espírito empreendedor revelar-se-ia visionário ao aprimorar e introduzir elementos distintivos que fariam história. Desde logo, a JMF tornou-se na primeira empresa em Portugal a engarrafar vinhos, acreditando-se que esta era a forma mais adequada de preservar a qualidade do produto, ao prevenir eventuais adulterações ocorridas pela distribuição em pipas ou barricas. Era, em simultâneo, uma forma mais apelativa de apresentar o o produto ao consumidor. Esta decisão, tomada no século XIX, antecipou tendências e contribuiu para a profissionalização do setor vinícola do país.

Desde o início, a empresa teve como foco a produção de vinhos de alta qualidade, destacando-se especialmente pelos licorosos e pelos tintos. Um dos maiores ícones e, para muitos, o produto que mais facilmente se reconhece da montra de produção da JMF é o Moscatel de Setúbal, um vinho generoso produzido na Península de Setúbal e que ganhou prestígio internacional devido à sua complexidade e sabor único. Outros vinhos emblemáticos incluem os rótulos Periquita, considerada a marca de vinhos mais antiga de Portugal, criada em 1850, mas também o Lancers, João Pires, Pasmados, entre outros, num extenso catálogo. Estes, constituem-se como exemplos que mostram a dedicação da empresa tanto a técnicas de vinificação tradicionais, como modernas, sem nunca deixar para trás a temática da sustentabilidade ambiental.

O reconhecimento internacional obtido ao longo dos anos é facilmente demonstrado pelos inúmeros prémios conquistados em competições nacionais e estrangeiras, o que consolidou a reputação da empresa através de um processo de globalização pelo qual marca presença em mais de 70 países. O Brasil continua a ser o principal mercado exportador, seguido da Suécia, Itália, Canadá e Estados Unidos. Nos últimos anos, a empresa tem apostado nos mercados asiáticos, nomeadamente na China. Todavia, a José Maria da Fonseca mantém-se fiel às suas origens, em Setúbal, onde se encontra a sede e a maior parte das vinhas. A JMF continua a escrever o seu próprio capítulo na história do vinho português, num trajeto de sucesso que se estende por quase dois séculos e que ainda permanece nas mãos da família fundadora, atualmente na sexta e sétima gerações.

A ilustração deste artigo é uma peça desenhada proveniente do requerimento de ampliação dos armazéns da JMF em Azeitão, com o código de referência PT/AMSTB/CMSTB/L-F/001/0005454/59:1922, constante do vasto espólio do Arquivo Municipal de Setúbal, podendo ser consultado online.

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