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FONTES
Aristides de Sousa Mendes notabilizou-se essencialmente enquanto cônsul de Portugal em Bordéus, durante o período da invasão da França pela Alemanha nazi, na Segunda Guerra Mundial. Desafiando ordens expressas de António de Oliveira Salazar, veio a conceder, no ano de 1940, milhares de vistos de entrada em Portugal a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir de França. Embora se desconheça o número exato de vistos por si atribuídos, uma vez que muitos foram concedidos sem qualquer registo, algumas fontes apontam para cerca de dez mil judeus salvos do Holocausto por Sousa Mendes, num total de trinta mil refugiados a quem terá passado vistos, independentemente da sua nacionalidade ou religião. Por ter salvo um elevado número de vidas, à semelhança da atuação do empresário alemão Oskar Schindler, Aristides de Sousa Mendes ficou igualmente conhecido como o “Schindler português” e também como o “Raoul Wallenberg português”, numa associação à figura do diplomata sueco que se tornou célebre pelos seus esforços bem-sucedidos para resgatar dezenas de milhares de judeus da Hungria ocupada pelos nazis durante o Holocausto.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Sousa Mendes foi inicialmente nomeado cônsul em Demerara, na Guiana Britânica, a 12 de maio de 1910, e, no ano seguinte, foi nomeado cônsul-geral em Zanzibar. Exerceu ainda funções em vários consulados, nomeadamente em Curitiba e Porto Alegre, no Brasil, em São Francisco e Boston, nos Estados Unidos da América, em Vigo, Espanha, no Luxemburgo, em Antuérpia, na Bélgica, e, por último, em Bordéus, França, onde praticou o célebre ato de desobediência civil através da emissão de um elevado número de vistos, ao decidir contrariar a “Circular 14” do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Desafiou diretamente Salazar, que proibia a concessão de vistos a refugiados judeus e apátridas, colocando assim a sua carreira e a sua vida em risco. Quando o Governo português tomou conhecimento da transgressão, ordenou o seu regresso imediato a Portugal, onde lhe foi instaurado um processo disciplinar. Como penalização, para além de ter sido demitido do serviço diplomático, foi igualmente impedido de exercer a advocacia. Esgotadas as vias profissionais, viria a morrer na pobreza, em 1954.
Entre as muitas homenagens póstumas que lhe foram concedidas destaca-se o título de “Justo entre as Nações”, atribuído em 1966 pelo Memorial Yad Vashem, de Israel. Já em 1961 haviam sido plantadas vinte árvores em sua memória nos terrenos do museu deste Memorial do Holocausto. Em 1986 foi condecorado, a título póstumo, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade e, em 1994, o Presidente da República, Mário Soares, inaugurou um busto em sua homenagem. Nesse mesmo ano foi também descerrada uma placa comemorativa na Rua 14 Quai Louis-XVIII, no edifício onde funcionou o Consulado de Portugal em Bordéus, em 1940. Em 1995 foi agraciado, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, igualmente por Mário Soares. No mesmo ano, a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP) instituiu um prémio anual com o seu nome. Em 1998, a República Portuguesa, no prosseguimento do processo de reabilitação oficial da memória de Aristides de Sousa Mendes, condecorou-o, a título póstumo, com a Cruz de Mérito pelas suas ações em Bordéus. A 22 de setembro de 2016 foi agraciado, igualmente a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, nome completo do diplomata, nasceu em Cabanas, no concelho de Carregal do Sal, a 19 de julho de 1885, e faleceu em Lisboa a 3 de abril de 1954.
No dia 19 de outubro de 2021 foi homenageado com honras de Panteão Nacional pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, ainda que os seus restos mortais permaneçam em Cabanas de Viriato, no distrito de Viseu.
Tal como se refere na proposta de atribuição deste topónimo, a Proposta n.º 14-GAVLF, aprovada na reunião camarária realizada em 20 de dezembro de 1996, a artéria que homenageia esta figura de dimensão e importância histórica internacional situa-se na União das Freguesias de Setúbal, na zona da Quinta do Poço de Canelas, constituindo a ilustração deste documento do mês.